quarta-feira, 16 de maio de 2012

Tropicália o movimento pós Bosa Nova



Tropicalismo foi um movimento de ruptura que sacudiu o ambiente da música popular e da cultura brasileira entre 1967 e 1968. Seus participantes formaram um grande coletivo, cujos destaques foram os cantores-compositores Caetano Veloso e Gilberto Gil, além das participações da cantora Gal Costa e do cantor-compositor Tom Zé, da banda Mutantes, e do maestro Rogério Duprat. A cantora Nara Leão e os letristas José Carlos Capinan e Torquato Neto completaram o grupo, que teve também o artista gráfico, compositor e poeta Rogério Duarte como um de seus principais mentores intelectuais.

Os tropicalistas deram um histórico passo à frente no meio musical brasileiro. A música brasileira pós-Bossa Nova e a definição da “qualidade musical” no País estavam cada vez mais dominadas pelas posições tradicionais ou nacionalistas de movimentos ligados à esquerda. Contra essas tendências, o grupo baiano e seus colaboradores procuram universalizar a linguagem da MPB, incorporando elementos da cultura jovem mundial, como o rock, a psicodelia e a guitarra elétrica.
0 comentáriosAo mesmo tempo, sintonizaram a eletricidade com as informações da vanguarda erudita por meio dos inovadores arranjos de maestros como Rogério Duprat, Júlio Medaglia e Damiano Cozzela. Ao unir o popular, o pop e o experimentalismo estético, as idéias tropicalistas acabaram impulsionando a modernização não só da música, mas da própria cultura nacional.

“EU ORGANIZO O MOVIMENTO. EU ORIENTO O CARNAVAL” - CAETANO VELOSO

Seguindo a melhor das tradições dos grandes compositores da Bossa Nova e incorporando novas informações e referências de seu tempo, o Tropicalismo renovou radicalmente a letra de música. Letristas e poetas, Torquato Neto e Capinan compuseram com Gilberto Gil e Caetano Veloso trabalhos cuja complexidade e qualidade foram marcantes para diferentes gerações. Os diálogos com obras literárias como as de Oswald de Andrade ou dos poetas concretistas elevaram algumas composições tropicalistas ao status de poesia. Suas canções compunham um quadro crítico e complexo do País – uma conjunção do Brasil arcaico e suas tradições, do Brasil moderno e sua cultura de massa e até de um Brasil futurista, com astronautas e discos voadores. Elas sofisticaram o repertório de nossa música popular, instaurando em discos comerciais procedimentos e questões até então associados apenas ao campo das vanguardas conceituais.
Sincrético e inovador, aberto e incorporador, o Tropicalismo misturou rock mais bossa nova, mais samba, mais rumba, mais bolero, mais baião. Sua atuação quebrou as rígidas barreiras que permaneciam no País. Pop x folclore. Alta cultura x cultura de massas. Tradição x vanguarda. Essa ruptura estratégica aprofundou o contato com formas populares ao mesmo tempo em que assumiu atitudes experimentais para a época.
Discos antológicos foram produzidos, como a obra coletiva Tropicália ou Panis et Circensis e os primeiros discos de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Enquanto Caetano entra em estúdio ao lado dos maestros Júlio Medaglia e Damiano Cozzela, Gil grava seu disco com os arranjos de
Rogério Duprat e da banda os Mutantes. Nesses discos, se registrariam vários clássicos, como as canções-manifesto “Tropicália” (Caetano) e “Geléia Geral” (Gil e Torquato). A televisão foi outro meio fundamental de atuação do grupo – principalmente os festivais de música popular da época. A eclosão do movimento deu-se com as ruidosas apresentações, em arranjos eletrificados, da marcha “Alegria, alegria”, de Caetano, e da cantiga de capoeira “Domingo no parque”, de Gilberto Gil, no III Festival de MPB da TV Record, em 1967.
Irreverente, a Tropicália transformou os critérios de gosto vigentes, não só quanto à música e à política, mas também à moral e ao comportamento, ao corpo, ao sexo e ao vestuário. A contracultura hippie foi assimilada, com a adoção da moda dos cabelos longos encaracolados e das roupas escandalosamente coloridas.
0 comentáriosO movimento, libertário por excelência, durou pouco mais de um ano e acabou reprimido pelo governo militar. Seu fim começou com a prisão de Gil e Caetano, em dezembro de 1968. A cultura do País, porém, já estava marcada para sempre pela descoberta da modernidade e dos trópicos.

“AQUI É O FIM DO MUNDO” - GILBERTO GIL E TORQUATO NETO

Em 1964, o Brasil encontrava-se no olho do furacão. A Guerra Fria – disputa entre as superpotências dos Estados Unidos e da União Soviética – alimentava conflitos na América Latina e no País. Em 1959, a Revolução Cubana transforma Fidel Castro e Che Guevara em heróis internacionais e atiça a pressão do bloco capitalista sobre os países do terceiro mundo.
0 comentáriosPor aqui, o presidente João Goulart (Jango) propõe uma série de reformas de base para atenuar o grave problema da desigualdade social e as pressões políticas que vinha sofrendo dos movimentos de esquerda. Contra tais propostas – acusadas de comunistas – formou-se um movimento da direita política e de parte da sociedade, que preconizavam uma modernização conservadora. Com a participação do Congresso, das classes média e alta, essa facção venceu por meio do golpe militar de 31 de março. O Exército e seus aliados civis depuseram o presidente Jango e entregaram o poder aos militares. O golpe, apoiado pelos americanos, rompeu o já frágil jogo democrático brasileiro. A concentração de renda surgiu como forma de expansão capitalista. Castelo Branco se tornou o primeiro de uma série de generais-presidentes ditatoriais. Seu substituto, Costa e Silva, governou o País de 1967 a 1969, cada vez com mais poder.
Culturalmente, o País fervilhava. Até 1968, intelectuais e movimentos de esquerda podiam agir livremente, com pequenos problemas com a censura. A intensa produção ia das peças do Teatro Oficina aos grupos Opinião e Arena; das canções de protesto às músicas da Jovem Guarda, passando pelos filmes do Cinema Novo e pelas artes plásticas. Em todas as áreas, a política fazia-se presente, mantendo acesa no campo das artes uma polêmica que opunha experimentalismo e engajamento, participação e alienação.
A partir de 1967, os antagonismos foram radicalizados. No campo da música, houve confrontos entre os arti
stas nacionalistas de esquerda e os vanguardistas do Tropicalismo. Estes se manifestaram contra o autoritarismo e a desigualdade social, porém propondo a internacionalização da cultura e uma nova expressão estética, não restrita ao discurso político. Para os tropicalistas, entender a cultura de massas era tão importante quanto entender as massas revolucionárias.
0 comentáriosAinda no terreno político, 1968 foi o ano em que as tensões chegaram ao máximo no País. As greves operárias e as manifestações estudantis – com a conseqüente repressão policial – se intensificaram. As guerrilhas rural e urbana aumentaram suas ações. Com o crescimento da oposição, Costa e Silva, pressionado pela extrema direita, respondeu com o endurecimento político. Em 13 de dezembro, o Ato Institucional Nº 5 decretou o fim das liberdades civis e de expressão, sacramentando o arbítrio até 1984, quando o general João Figueiredo deixa
a presidência do País.

MÚSICAS

Alegria, Alegria – Caetano Veloso 
Domingo no Parque – Gilberto Gi 
Tropicália – Caetano Veloso 
Superbacana – Caetano Veloso 
Soy Loco Por Ti América (Gilberto Gil/ Capinam) – Caetano Veloso 
Marginália 2 (Gilberto Gil/ Torquato Neto) – Gilberto Gil 
Panis et Circensis (Gilberto Gil/ Caetano Veloso) – Mutantes 
Miserere Nobis (Gilberto Gil/ Capinam) – Gilberto Gil e Mutantes 
Lindonéia (Gilberto Gil/ Caetano Veloso) – Nara Leão 
Parque Industrial (Tom Zé) – Tom Zé 
Geléia Geral (Gilberto Gil/ Torquato Neto) – Gilberto Gil 
Baby (Caetano Veloso) – Gal Costa e Caetano Veloso 
Enquanto Seu Lobo Não Vem (Caetano Veloso) – Caetano Veloso 
Mamãe, Coragem (Caetano Veloso/ Torquato Neto) – Gal Costa 
Bat Macumba (Gilberto Gil/ Caetano Veloso) – Gilberto Gil e Mutantes 
Saudosismo – Caetano Veloso 
É Proibido Proibir, versão integral, com discurso (Caetano Veloso) – Caetano Veloso 
Não Identificado (Caetano Veloso) – Gal Costa 
Divino, Maravilhoso (Gilberto Gil e Caetano Veloso) – Gal Costa 
2001 (Rita Lee/ Tom Zé) – Mutantes 
São São Paulo (Tom Zé) – Tom Zé

quarta-feira, 9 de maio de 2012

RELACIONAMENTO

RUBEM ALVES

Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que, os casamentos (relacionamentos) são de dois tipos: Há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol.
Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.
Explico-me.
Para começar, uma afirmação de Nietzsche com a qual concordo inteiramente.
Dizia ele: “Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: Você crê que seria, capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice”?
Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.
Sheerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme “O Império dos Sentidos”.
Por isso, quando o sexo já estava morto na cama e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites.
O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fosse música.
A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer.
Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ”Eu te amo...”
Barthes advertia: “Passada a primeira confissão, “eu te amo” não quer dizer mais nada. É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética”.
Recordo a sabedoria de Adélia Prado: “Erótica é a alma”.
O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua “cortada”, palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar.
O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o  jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo.
Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.
O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca.
Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la.
Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui, ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra, pois o que se deseja é que ninguém erre. E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...
A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras.
Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá...
Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada.
Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão...
O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento.
Aqui, quem ganha sempre perde.
Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração.
O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor...
Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Exercícios regulares para deixar o cérebro em forma

Neuropsiquiatra de Harvard mostra como atividades físicas nos tornam mais inteligentes

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John Ratey: exercícios frequentes são mais potentes que remédio
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John Ratey: exercícios frequentes são mais potentes que remédio Divulgação
Os exercícios nos deixam mais inteligentes. Quem afirma é o neuropsiquiatra John Ratey, professor da Harvard Medical School e autor do livro “Corpo ativo, mente desperta” (Editora Objetiva). Em entrevista ao GLOBO, ele diz que os exercícios são mais importantes que qualquer remédio para as funções cerebrais:
— Fabricamos novas células cerebrais todos os dias e os exercícios ajudam mais que qualquer outra atividade.
O GLOBO: O que atraiu seu interesse para esta área?
JOHN RATEY: Inicialmente os exercícios eram vistos como menos potentes que as drogas antidepressivas, mas hoje sabemos que são tão bons quanto e, em alguns casos, até melhores que os remédios. Sempre fui um atleta e percebi em mim a importância dos exercícios para manter meu cérebro, humor e motivação nos melhores níveis.
Como os exercícios melhoram as funções cerebrais?
RATEY: Os exercícios regulam ansiedade e níveis de estresse, além de otimizar o aprendizado de três maneiras: melhoram os sistemas de atenção, a memória, a capacidade de aprendizado e a habilidade de perseverar e superar as frustrações que o processo de aprendizado eventualmente produz; criam o ambiente certo para nossas cem bilhões de células nervosas, fabricando mais neurotransmissores e receptores para registrar novas informações; e promovem o surgimento de novas células no cérebro, um processo chamado neurogênese.
Então a atividade física regular também nos deixa mais inteligentes?
RATEY: Sim. O exercício otimiza as chances de aprendizado ao nos deixar mais prontos para aprender, ao fazer com que o cérebro esteja preparado para se desenvolver e talvez até adicionando novas células nervosas às áreas envolvidas com a memória e o aprendizado. Mas é especialmente importante por aumentar a liberação do fator neurotrófico BNDF, um verdadeiro fertilizante para o cérebro por encorajar nossas células nervosas a crescerem, que é a maneira como aprendemos.
Os exercícios estão ganhando respeito como uma opção de tratamento?
RATEY: As pessoas estão gradualmente reconhecendo o fato de que a atividade física é uma terapia auxiliar útil para desordens mentais e médicas. Hoje o primeiro tratamento para a depressão ou a ansiedade são exercícios regulares. Há dez anos a Câmara dos Comuns do Reino Unido disse que os exercícios deveriam ser o tratamento primário para a depressão, então eles estão na mente das pessoas e começando a ter aceitação na comunidade médica.
Os exercícios também podem aliviar o estresse?
RATEY: Sim, tanto em termos de diminuir a resposta a situações de estresse quanto aumentando a resistência ao estresse. À medida em que a pessoa melhora o condicionamento, é preciso uma ameaça maior para disparar seu alarme de estresse, pois a atividade física muda a neuroquímica do cérebro, assim como trabalha no nível celular para proteger as próprias células do estresse.
Quais são os melhores exercícios?
RATEY: É muito bom juntar artes marciais com dança, como na brasileira capoeira. A questão é aumentar os batimentos cardíacos e mantê-los altos por um tempo, adicionando complexidade e coordenação que vão desafiar mais áreas do cérebro, estimulando a liberação de fatores neurotróficos e desenvolvimento. Outras atividades que ganharam popularidade, como a ioga, também ajudam a desafiar o corpo e a mente, provocando mudanças magníficas no cérebro.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/saude/exercicios-regulares-para-deixar-cerebro-em-forma-4764664#ixzz1tVzLSpGe
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sábado, 28 de abril de 2012

Nada será como antes

Cultura

Matheus Pichonelli

28.04.2012 09:53


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Inspirado pela entrevista da Beatriz Mendes com os irmãos Márcio e Lô Borges (clique aqui para ler), passei o último fim de semana lendo, num fôlego só, o livro “Os Sonhos Não Envelhecem – Histórias do Clube da Esquina”. Cheguei quase 16 anos atrasado, já que a primeira edição do livro escrito pelo irmão mais velho, Márcio Borges, é de 1996.
Capa do álbum Clube da Esquina, disco de cabeceira da música brasileira
Mas os 40 anos do lançamento de Clube da Esquina, um dos discos de cabeceira de qualquer coleção da música popular, me levaram de braços abertos ao relato sobre um grupo, uma localidade e um período únicos da história brasileira. Foi no “quarto dos meninos” do 17º andar do edifício Levy, centro de Belo Horizonte, em plena ditadura militar, que os irmãos Borges (eram 11 no total) viram arvorecer o gênio de Bituca, mais tarde conhecido como Milton Nascimento.
Saí do livro um tanto bêbado, de tanto ler o quanto aquele povo bebia enquanto pulava de boteco em boteco na capital mineira, entre garrafas de cerveja, batidas de limão, toadas despretensiosas no violão e conversas sobre cinema, música, presente e futuro – um futuro que tinham nas mãos e há muito virou passado. Passei a entender um pouco mais os motivos que me levam a ter Clube da Esquina (versões 1 e 2) entre minhas dez canções favoritas em todos os tempos, línguas e gêneros.
Aquele quarto era a prova material, em notas e acordes, da teoria dos seis graus de separação – segundo a qual são necessários no máximo seis laços de amizade para duas pessoas quaisquer do mundo estarem ligadas. Ali não era preciso ir muito longe: Marílton conhecia Wagner Tiso, que conhecia Milton, que conheceu Fernando Brant, que conheceu Márcio, que era irmão de Lô, que conhecia Beto Guedes, que conhecia Flávio Venturini, que conheceu Milton, que um dia conheceu Jeanne Moreau, que um dia fez um filme com François Truffaut, que um dia inspirou uns meninos que se reuniam no mesmo quarto sem saber que produziriam música para o resto do mundo.
Das veredas daquele apartamento, mais tarde migradas para a esquina das ruas Divinópolis com Paraisópolis, em Santa Tereza, BH, nasceram encontros e amizades com o que tinha de melhor daquele tempo: Elis Regina, Caetano Veloso, Chico Buarque, Raimundo Fagner, Belchior, Raul Seixas, Rogério Sganzerla. A impressão é que o mundo tinha no máximo 500 habitantes, metade de Minas.
Ao fim, fiquei com uma pergunta na cabeça: como a música conseguiu reunir tanta gente boa num único período e espaço? É possível que um grupo como aquele surja novamente algum dia e provoque os mesmos frutos?
Milton: gênio forjado pelo processo coletivo. Foto: Divulgação
Me leve a mal se quiser, mas as respostas não são nada animadoras – e faço um parêntesis para explicar o porquê.  Em certa cena de As Invasões Bárbaras, obra-prima de Denis Arcand, os personagens se queixam da mudança dos tempos e da vigência de um período sombrio, marcado pela ignorância, pelo preconceito e pelo mau gosto. É quando um dos personagens responde: os gênios são frutos de períodos únicos, que convergem influências, coragem e disposição para colocar tudo de cabeça pra baixo e fazer revoluções. Citam a Florença do Renascimento como exemplo. E lamentam terem nascido numa era de vacas magras, longe de grandes poetas e artistas.
Guardadas as devidas proporções, tivemos momentos férteis em solo nacional. A terceira leva do modernismo, por exemplo, gestou na mesma barriga Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto e Clarice Lispector. Hoje temos Augusto Cury, e um ou outro autor consagrado reclamando em velhos espaços de jornais da emergência das classes populares (décadas atrás, os gênios eram porta-vozes das classes populares, mas isso é papo pra outra conversa).
Para ficar no exemplo da música brasileira, basta lembrar da reunião de bandas muito acima da média surgidas, entre o fim dos anos 70 e começo dos 80, nas garagens de Brasília ou no Circo Voador, no Rio. Ou na Ipanema da bossa nova, a Bahia da Tropicália, a Recife do mangue beat
São exemplos de que a obra de arte é um ofício coletivo.
E hoje?
Bom, hoje as coisas de fato mudaram. Na Belo Horizonte dos irmãos Borges e Bituca, todos pareciam minimamente livres para tatear talentos e escolher rumos com calma. Como cantou Beto Guedes, um dos caçulas do grupo: era possível “dar um tempo de prestar atenção nas coisas, fazer um minuto de paz, num silêncio que ninguém esquece mais”. A própria ideia de tempo era outra, e ele parecia jogar a favor.
Entre os fatos que mais me impressionaram no relato de Márcio Borges está a narração de uma certa “falta de privacidade” nos espaços em que vivia: a casa sempre tomada por amigos (dele e dos irmãos), sempre dispostos a criar sons no tempo livre, compartilhar ideias, influências; todos pareciam interessados em cinema, em discutir Truffaut, em ler e citar Garcia Llorca e outras novidades vindas de toda parte do mundo.
Outro fato digno de nota: Borges tinha quase 20 anos quando despertou para a música, mas mal conseguia terminar o terceiro colegial. Em nenhum momento ele relata qualquer tipo de pressão, dos pais ou de quem quer que seja, para tomar um rumo, fazer algo de útil, deixar de lado uma possível vagabundagem.
Algo impensável para os padrões de hoje, em que o ócio criativo recebe bordoadas assim que se manifesta. Llorca? Só se estiver na lista de vestibular. Truffaut, preto e branco e em 2D? Conta outra. Reunião com amigos ao fim da tarde? Melhor correr pra academia. Hoje é mais útil gastar tempo e dinheiro com cursos de inglês, informática, caratê e domar a hiperatividade com remédios. O resultado é que, anos depois, nos tornamos velhos e manifestamos, tarde da vida, as inquietações mais infantis em nossas redes – porque jamais fomos capazes de sonhar uma linha além daquela já traçada antes de nascermos. O estado da música popular de hoje, de versos comerciais e descartáveis, é talvez o maior exemplo dessa incapacidade expressiva.
A substituição da poesia cantada por “eu quero tchu eu quero tchá” é parte das mudanças nas próprias formas de relacionamento – e não só das propostas antes e depois das gravações. No Brasil de 2012 não imagino uma casa como aquela que reunia Wagner Tiso, Milton Nascimento e Lô Borges no mesmo espaço. Os apartamentos hoje, como tudo na vida, têm seus espaços funcionais: pequenos e confortáveis, mas impróprios para visitas, reservadas para a área gourmet, onde a galera se reúne pra jogar Playstation e o síndico reclama se alguém resolve cantar.
Os passeios pelas ruas, depois de pular de bar em bar, também parecem programas do século passado. (Tecnicamente são). Com medo das ruas, andamos de carro, mesmo que sejam só dois quarteirões. As conversas reservadas ficam para o MSN, meio pelo qual é possível medir o que se diz e guardar o que se ouve de maneira privativa. Tivessem 20 anos hoje, os amigos Milton e Márcio provavelmente deixariam de lado as parcerias surgidas no meio da noite, entre álcool e caminhadas, para expressar seus sonhos sóbrios em 140 caracteres no Twitter. Quarenta anos depois, ninguém se lembraria deles.
Porque, se algo mudou dos 40 anos desde Clube da Esquina pra cá, foi a guinada na ideia de privacidade para o topo das preocupações humanas. Isso mudou as formas de relacionamento (dos que ainda se relacionam, claro) e, por ironia, dinamitaram a cultura do compartilhamento – o que, em tempos de Facebook, parece uma contradição. Porque a gênesis do disco era o compartilhamento, não de links, mas de ideias, palavras, acordes e letras escritas a muitas mãos – sempre a partir da vivência, e não de refrões para tocar no rádio ou convencer empresários.
Reunidas, criavam uma unidade, uma linha própria a um mundo que pedia para ser cantado e alcançado. É a ideia dos jovens reunidos, “pela última vez, à espera do dia, naquela calçada, fugindo pra outro lugar”.
Da mesma forma que perdemos atletas magistrais por não criar condições e espaços adequados para treinamento e capacitação, perdemos também talentos artísticos em escalas industriais. Não só por causa da miséria, mas por incutir nas jovens cabeças a ideia de que a vida só vale a pena se for seguida em linha reta; se crescermos e aparecermos o quanto antes, em voos solo, e cultivar nossos próprios espaços com conquistas pessoais.
O que sobrou daquele tempo, fora as memórias? Em 40 anos, Lennon morreu, a guerra seguiu (só mudou de lugar) e a liberdade aguardada após o fim da ditadura não veio. Os sonhos cantados emClube 2 envelheceram. E os novos são rasgados assim que desabrocham. Ganhou a aposta quem acreditou que, a partiu daqueles dias, nada mais seria como antes…

terça-feira, 24 de abril de 2012

Frituras com óleo de girassol ou azeite de oliva são melhores para o coração


Pesquisadores da Espanha têm uma boa notícia para quem gosta de frituras: o uso de azeite de oliva ou óleo de girassol para cozinhar não foi associado a doenças cardíacas ou morte prematura. Os resultados saíram no British Medical Journal.
Especialistas da Autonomous University of Madrid examinaram por 11 anos os hábitos de culinária e a saúde de 41.000 adultos de 29 a 69 anos, que não tinham nenhuma doença cardíaca no início do estudo. Os participantes foram questionados sobre a sua dieta e a maneira que preparam seus alimentos – se fritos, assados, grelhados etc.
De acordo com a quantidade de consumo de frituras, os voluntários foram divididos em quatro grupos. No período do estudo, 1.134 mortes e 606 eventos associados a doenças cardíacas foram observados.
Comparando esses números entre os membros dos grupos, percebeu-se que o número de mortes e doenças cardíacas entre eles foi similar entre os diferentes grupos. Isso levou os pesquisadores a concluírem que o consumo de frituras não foi o responsável pelos males do coração.
Os pesquisadores salientam, no entanto, que os resultados provavelmente não seriam os mesmos em países que utilizam óleos de fritura sólidos e reutilizados, como acontece nos países do ocidente. Isso porque, quando um alimento é frito nesses tipos de óleo, ele absorve a gordura do líquido, o que aumenta as suas calorias. Além disso, mesmo que o óleo de girassol e o azeite de oliva tragam benefícios ao coração, precisam de moderação no consumo.
Azeite de oliva extra virgem: rico em ômega 9, gordura monoinsaturada. Fonte de compostos fenólicos com alta atividade antioxidante. Coadjuvante na redução do colesterol. Bom para o coração. Sugestão de consumo: 2 colheres de sopa/dia.
Óleo de canola: planta pertencente à família do repolho e da couve de bruxelas. Tem grande quantidade de gorduras insaturadas, é livre de colesterol e gordura trans e tem menos gordura saturada que qualquer óleo comestível comumente utilizado. Auxilia na redução do risco de doenças coronarianas, com a diminuição do colesterol total e do LDL colesterol. Equilibrado em ômega 6 e 3, é fonte de vitamina E. Indicado para cozimento, para fazer molhos e sobremesas, pois apresenta alto ponto de fumaça.
Óleo de coco: o ácido láurico, de ação antibacteriana, compõe aproximadamente 50% da gordura do coco. Este óleo é fonte, também, de ácido caprílico, que estudos sugerem ter papel antifúngico e imunoestimulante. Tem ação antioxidante. O óleo de coco é fonte de triglicerídeos de cadeia média (TCM). Após absorção intestinal, os TCM são transportados para o fígado, onde são queimados, aumentando a termogênese após a refeição. Daí sua ação termogênica, coadjuvante nos processos de emagrecimento. Estudos apontam que o óleo de coco, como parte de uma dieta equilibrada, diminui o desejo de comer doces e alimentos gordurosos. Sugere-se o consumo de 3 a 4 colheres de sopa/dia.
Óleo de gergelim: fonte de ômegas 3, 6, 9 e vitamina E, antioxidante que protege as células da ação dos radicais livres. Usado em saladas, pratos frios e massas.
Óleo de girassol: fonte importante de ômega 6 e de vitamina E. Utilizado a frio, diretamente sobre os alimentos e em molhos para saladas ou ainda em cozimento rápido em baixas temperaturas.
Óleo de linhaça: fonte de ômegas 3 e 6 na proporção ideal. Estudos mostram sua ação na redução de triacilglicerol e colesterol e também na inibição de fatores inflamatórios. Pode ser misturado na proporção de 2 de azeite para 1 de óleo de linhaça e usado para temperar saladas.
Óleo de macadâmia: fonte de ômegas 7 e 9. Estudos mostram que seu consumo auxilia na redução das taxas de colesterol total e LDL. Usado em diversas preparações, saladas e refogados. Recomenda-se o consumo de 1 a 2 colheres de sopa/dia.
Óleo de soja: fonte de ômegas 6 e 3. Devemos preferir os prensados a frio. Usado largamente na culinária.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Princípio de Pareto

Princípio de Pareto
segunda-feira 29 de Maio de 2006 por Aldo Novak
Vinte por cento daquilo que você faz, produzem 80% dos resultados.

Vilfredo Pareto, economista italiano que descobriu que 80% das
riquezas tendem a ficar nas mãos de 20% da população. Você tem coisas
demais, para fazer, e pouco tempo para elas? Será que você não está
precisando usar o Princípio de Pareto na sua vida?

Coloque suas fichas no essencial. Esqueça o trivial. O resto, o
Universo faz para você. Durante o mais recente carnaval, tive a chance
de estar com um grupo de 34 pessoas, viajando pela Bolívia e Peru,
visitando templos e construções Aymaras e Incas. No caminho para Machu
Picchu, passamos pelo lago navegável mais alto do mundo, o Titicaca, e
um dos viajantes veio conversar comigo sobre os problemas que tinha
para controlar sua vida.

E o que esse viajante disse é o que praticamente todas as pessoas que
vivem em grandes cidades repetem: "tenho coisas demais para fazer na
vida, mas quase nenhum tempo".

Conversei com ele por quase duas horas, mas uma das dicas eu entrego
agora para você, na forma de um antigo axioma, chamado Principio de
Pareto. Qualquer empreendedor conhece o princípio, embora poucos o
apliquem. O Principio de Pareto afirma que "apenas 20% daquilo que
você faz é responsável por 80% dos seus resultados".

Essa frase parece apenas um pensamento vago. Não é. Para onde você
olhar, notará que este princípio funciona de modo inequívoco. Claro
que há uma pequena variação estatística (que flutua entre 14 até 24%),
mas na média ponderada, a estatística é clara: 20% de qualquer coisa
provocam 80% dos resultados dessa coisa, seja o que for.

Em outras palavras, 20% dos alunos de uma sala de aula, são
responsáveis por 80% da bagunça e do caos, enfrentado pelos
professores. Controle os 20% e você controlará a sala de aula. Vinte
por cento dos clientes de uma empresa são responsáveis por 80% das
compras repetidas. Invista nesses 20% e eles trarão ainda mais lucros
para sua empresa. Vinte por cento dos criminosos são responsáveis por
80% dos crimes registrados. Se a polícia tomar de assalto estes 20%, a
criminalidade cairá 80%.

Parece fantasia? Não é. Em sua vida pessoal o mesmo acontece. Vinte
por cento daquilo que você diz para as pessoas são responsáveis por
80% das reações que provoca nelas. Portanto, todo cuidado é pouco
quando você conversa com alguém que seja importante para você: Se você
disser apenas 2 palavras ásperas, em 10... terá um problema de
relacionamento para cuidar. Vinte por cento daquilo que você escolhe
para comer é responsável por 80% dos problemas de saúde que surgirão
mais tarde, em sua vida. Troque os 20% que podem gerar essas doenças e
você obterá 80% de chance de não desenvolver tais problemas.

Enfim, apenas 20% por cento de tudo o que você lê em um texto (como
este) já contém o mais importante a ser dito. Os outros 80% são apenas
palavras de ligação, introdução, fechamento e repetição didática.

Na sua vida, isso é muito importante. Deixe-me repetir: MUITO
importante. Note que de tudo aquilo que você fizer essa semana, apenas
20% são coisas essenciais. As outras 80% serão apenas secundárias. Por
isso, a chave é escolher, ou decidir, quais são os 20% essenciais, e
jogar todas as suas fichas ali.

Você quer dar um salto em sua vida? Então, pare de assistir 80%
daquilo que você assiste na TV, e escolha os 20% que são essenciais
para você. Olhe para sua agenda e faça o melhor que puder com os 20%
essenciais, em seu dia, deixando os 80% triviais para fazer quando, e
se, sobrar tempo. Pare de se preocupar com aquilo que está nos 80%.
Concentre seus dias aos 20% essenciais.

Lembre-se do que dizia Pareto: "apenas 20% daquilo que você faz é
responsável por 80% dos seus resultados". Você jamais poderá fazer
tudo, mas ao menos fará o que é essencial para sua vida, seu sucesso e
sua felicidade.

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