segunda-feira, 24 de junho de 2013

Sga 6 rastros do Alzheimer antes que ele se revele


Especialistas conseguem mapear os principais fatores de risco para a demência

POR MINHA VIDA - ATUALIZADO EM 20/09/2012
O Mal de Alzheimer é uma doença silenciosa, que se revela aos poucos. Mas um estudo, publicado por pesquisadores do San Francisco VA Medical Center, nos Estados Unidos, conseguiu mapear os seis principais fatores de risco para a demência: sedentarismo, uso de álcool, depressão, tabagismo, diabetes, hipertensão na meia idade e obesidade.

Em comum, todas essas condições oferecem algum risco à saúde cérebro-vascular. "Fumo, obesidade, hipertensão e diabetes contribuem para o aumento de lesões no cérebro que levam à perda de cognição", afirma o psiquiatra Cássio Bottino, do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. As lesões, associadas às dificuldades de conexão entre os neurônios (efeito do aumento da proteína beta-amilóide), dão origem à maioria dos diagnósticos de Alzheimer atualmente. "A demência vascular, ou seja, os problemas que surgem devido ao mau funcionamento do coração já são elementos tão importantes quando o crescimento fora de controle da proteína na descoberta da doença", afirma o neurologista e geneticista David Schlesinger, do Hospital Albert Einstein. A seguir, especialistas discorrem sobre a relação entre esses fatores e dão dicas para você cuidar melhor da saúde e se proteger contra o Alzheimer.

sábado, 15 de junho de 2013

É neste mundo que você quer viver?


Autor: Hugo Lapa.

As indústrias farmacêuticas lucram com a doença. Quanto mais enfermidades, maior o lucro.

Os grandes bancos lucram com a dívida. Quanto mais pessoas endividadas e desesperadas pagando juros, maior o lucro.

As empresas de marketing lucram com a suscetibilidade. Quanto mais pessoas sugestionáveis e alienadas, maior o lucro.

As indústrias de cosméticos lucram com a insegurança e a baixa autoestima. Quanto mais pessoas inseguras e com baixa autoestima ansiando por beleza, maior o lucro.

As empresas de fast-food lucram com os transtornos alimentares e com a carência. Quanto mais pessoas suprem suas faltas e angústias com a comida, maior o lucro.

As indústrias da moda lucram com a solidão. Quanto mais pessoas desejando ajuste e aceitação, maior o lucro.

As empresas de bebida e cigarro lucram com a dependência química. Quanto mais pessoas viciadas e intoxicadas, maior o lucro.

É neste mundo que você quer viver?

O mundo precisa mudar... e você pode ajudar.

Não se deixe seduzir pelas promessas daqueles que só visam o lucro incondicional. 
Você não precisa de nada disso, você é perfeito do jeito que é. Você é luz em desenvolvimento na Terra. Liberte-se de suas carências e apegos e descubra a felicidade infinita que existe latente em você. Libertar-se não é uma questão de capacidade, mas de escolha.

domingo, 9 de junho de 2013

Corredores da vida

Yasmine Lemos

O dia da criança estava chegando, lá pelo inicio dos anos 80.
O regime militar já não tinha os gritos tão fortes, mas estavam na
espreita sempre, e a democracia em gestação natural, crescia pelos
cantos dos muros, pelas vontades contidas depois de tanto sofrimento e dor.
Era lógico que a nossa situação financeira era péssima, meu pai tentando
um emprego, depois de um longo periodo entre torturas e exílio político,
trabalhando em um jornal de esquerda, dinheiro minguado, contado.
Aluguel, comida, escola e ponto, tudo medido.
Eu e meu irmão mais velho apesar de pequenos, entendíamos
a situação, lembro claramente que tínhamos desejos como qualquer criança,
mas a boca não reclamava, não havia histérismos.
Nessa época morávamos em Recife, e já comecei a conhecer a saudade.
Longe da família, dos primos, do aconchego da casa da minha avó.
Uma tarde, minha mãe falou que tinha sobrado da feira algum dinheiro,
era pouco, mas eu e meu irmão poderíamos escolher um presente.
Minha memória de elefante me permite enxergar a cena: a loja de
departamento infantil lotada dos brinquedos mais lindos, bonecas,
carros etc. E nós dois andando pelos corredores sem ter o que fazer,
eu não tive coragem de escolher nada, com pena do meu pai. Preocupada com
a angústia da minha mãe. Crescemos embaixo das porradas da realidade,
sem necessidade de alarmes e dengos. Ficamos sem presentes,
outros anos vieram e melhores, mas tudo sem traumas maiores.
E a vida é assim: dá e toma, envolve e larga. Um tem sorte, outro não,
um nasce com “a cama” pronta, outro tem que batalhar até o prego para
fazer a cama. Nunca  me revoltei contra eles. Eu aceitava porque
era a realidade. Depois, nunca me imaginei sendo a menina protegida,
blindada, a que não pode trabalhar cedo porque tem que primeiro
estudar, coisas normais que a maioria dos pais desejam para seus filhos.
Sofrer cedo demais, nos faz ter uma lucidez absurda, uma forma de
enxergar a vida sem floreios: verdade ou mentira faça sua escolha.
Um preço muito alto,doloroso .
Eu sei que era a menina “velha” e sempre um medo de perder algo me
rondava o peito. Perder o carinho, perder a velha boneca Pêpa,
mudar de cidade. Hoje tenho meu filho que me ensina coisas com seus
oito anos e diferente de mim, nasceu no tempo das coisas modernas,
e rápidas . Criar filhos é um exercício difícil, árduo, por isso
não quero que ele perca a candura, que viva a infância como
ela tem que ser: colorida, lúdica, apesar de ser muitas vezes dura
com ele, digo a verdade nua e crua. Apesar de tudo, ainda sonho,
viajo em mundos que só eu sei chegar e ser o que quiser (uma infância 
esquecida que insiste em acontecer). Uma coisa eu tenho certeza e 
que me deixa feliz : ninguém  me tirou a ânsia de amar.YL

terça-feira, 28 de maio de 2013

desencanto

Desencantado dentro do meu próprio espaço !  inadimissível o rigor na exclusão  à custa de sugestões de quem não incoorporou o sentimento de respeito que a muito tempo foi regra e hoje é opção.
AO EXAME DO TEMPO NINGUÉM ESCAPARÁ !!!
E por que me incomoda essa situação ?  porque sou de outra "cepa" .
Tiveram tudo de nós e hoje abusam de nós com uma peversidade de quem toca fogo num morador de rua.
Não entrem numa igreja !!!  não procurem um terreiro ! não passem por um centro ! nenhum espírito de bem vai estar disponível ! porque pelo que diz um texto sagrado, antes de pedir benção, primeiro peça perdão pelos seus pecados.
DEUS É QUESTÃO DE MERECIMENTO
Quando se mostram humildes ao pedir , se arrependeriam se pudessem ver a fisionomia de Deus.
Não entrem numa igreja !!! se entrar que seja para resgatar a compreensão.
Assim foi que o aleijado não voltou a andar mas teve de volta suas moletas ! o cego não voltou a enxergar mas teve novamente seu cão guia ! o louco sorriu ! porque nada mais insuportável do que uma loucura com lágrimas.
Na hora da colheita não me procure porque estarei sempre semeando.
Quis ensinar a plantar o bem sem dúvidas, mas preferiram plantar do seu jeito e assim poderão ter uma colheita adversa.
Não se fala assim para menores, nem para jovens nem para quem já teve todo tempo de aprender.
Seus peitos é como se estivessem transparentes e lá atrás estão a injustiça e a falta de compreensão, e o pior uma maldade imperdoável.
Estou indo por um caminho com um companheiro, aquele mesmo de quem vocês tanto se serviram... não sorriam pra mim se não poderem sorrir pra ele igualmente. Não queiram só a mim, porque sozinho eu não sou !

Donos de pincéis que pintam tristezas nos outros, mas esperem só a tinta acabar, é que terá chegado a hora da suas colheitas.

nutrientes dos alimentos

Saiba como preservar os nutrientes dos alimentos


Saiba como preservar os nutrientes dos alimentos
Para se ter uma vida saudável, é importante o consumo de alimentos variados, já que deles retiramos os nutrientes necessários para um bom funcionamento do organismo. No entanto, a integridade e a quantidade destes elementos nutritivos podem estar comprometidas, não permitindo um nível de absorção desejável no intestino.
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A perda de nutrientes dos alimentos tem início já nos campos de produção e continua na longa jornada até as nossas casas. Dependendo da forma como utilizamos estes alimentos, tanto no pré-preparo como no preparo, pode estar se acentuando ainda mais esta perda. Por exemplo, verduras e legumes podem perder até 50% de suas vitaminas (complexo B e vitamina C) quando picados e cozidos. Isto porque alguns desses nutrientes se dissolvem na água, a qual geralmente não é reaproveitada, ou são inativados pelo calor empregado durante o cozimento. Para tanto, existem algumas dicas e técnicas para preservá-los, como a quantidade de água utilizada para o cozimento, o modo de preparo (vapor, imersão, frituras, grelhados e assados), a forma de congelamento e de descongelamento, os cortes, o tempo para o consumo, entre outros. Estes cuidados servem não somente para a preservação dos nutrientes, como também para garantir um melhor aproveitamento dos alimentos, melhorar seu sabor e favorecer sua apresentação.
Seleção e compra dos alimentos
A seleção é um dos fatores que mais influem na preparação final. Uma boa aparência dos alimentos assegura uma boa oferta de nutrientes.
Frutas e vegetais "machucados", batidos ou com picadas de insetos; carnes esverdeadas com textura e odor não característicos são indícios de que estão impróprios para o consumo.
Assim, é importante que no momento da compra se observe a aparência, cor, textura e odor. No caso dos industrializados, recomenda-se não comprar produtos com embalagens abertas e latas amassadas ou estufadas.
Dicas de pré-preparo
O pré-preparo compreende todos os processos realizados anteriormente ao consumo ou à cocção dos alimentos, sendo estes: a limpeza, a lavagem e os cortes. Um bom exemplo da perda dos nutrientes nesta etapa é o hábito de descascar e picar batata, cenoura e beterraba antes de cozinhá-las.
Isto porque a casca funciona como uma barreira de proteção e, além disso, quanto menos picados forem os alimentos, menor a exposição e, portanto, menores são as perdas.
É importante também ter uma maior preocupação com que o que é consumido cru, como frutas e algumas verduras, lavado-as e higienizado-as bem, pois não passarão por mais nenhum processo capaz de eliminar possíveis contaminantes, como por exemplo os microorganismos.
Dicas para um melhor preparo
Para obter uma alimentação mais nutritiva, valem as seguintes dicas:
  • Cozinhe os alimentos com pouca água e em curto tempo. Se possível optar pelo cozimento a vapor
  • Os legumes, tubérculos devem ser cozidos com casca
  • Não despreze a água do cozimento. Você pode reutiliza-la em sopas, ou até mesmo na preparação do arroz ou no cozimentos de massas
  • Corte os vegetais imediatamente antes de usá-los e em pedaços maiores
  • Rasgue as folhas, como as de alface, ao invés de cortá-las com faca
  • Inclua vegetais e frutas cruas na dieta
  • Beba sucos naturais de frutas logo após seu preparo, para que seja evitado o início de reações que possam destruir os nutrientes devido ao contato com o ar
  • Ao fritar ou grelhar carnes, comece com o fogo alto. Isso leva a formação de uma crosta que retém os sucos nutritivos em seu interior
  • Descongele a comida na geladeira, retirando-a do congelador com certa antecedência
  • Prepare somente a quantidade de comida a ser consumida, evitando sobras.
  • Por:
    Roberta Stella
    Nutricionista formada pela Universidade de São Paulo (USP)

    Quanto se perde de nutrientes em um alimento cozido?

    Depende do alimento e da forma como é preparado. Tudo que é mergulhado em água fervente geralmente perde boa parte do valor nutritivo. As maiores perdas ocorrem em legumes e verduras, pois esses vegetais já contêm em si bastante água e acabam privados, em média, de 50% de suas vitaminas e sais minerais. Frutas, pelo mesmo motivo, também perdem altas doses de nutrientes quando cozidas. "Por isso, o ideal é cozinhar no vapor. Com a panela aberta, perde-se de 40 a 60% da vitamina C dos vegetais. Já no vapor, a perda é de apenas 10 a 30%. No caso do cálcio, a diferença é ainda maior: até 45% se vai com a panela aberta, enquanto, no vapor, vão-se no máximo 5%", afirma a nutricionista Silvana Magalhães Salgado, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). "Outra boa opção é cozinhar no microondas, mas usando pouca água. Já a fritura é um processo mais rápido, que faz a perda ser menor.
    Mas é claro que não se deve abusar, porque o excesso de gordura não é nada saudável", diz outra nutricionista, Milene Philipi de Oliveira, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Assar os alimentos também é preferível, mas não por muito tempo. "Carnes têm pouca perda nutritiva, mas quando ficam esturricadas, sofrem alterações químicas e podem conter gás carbônico. É a mesma coisa que comer um pedaço de carvão. Por isso, asse ao ponto, para ter uma carne suficientemente cozida, livre de microorganismos", afirma Milene.
    Cozinha espertaCinco dicas especiais para preservar sais minerais e vitaminas da sua refeição
    1 - Não descasque alimentos como batata ou cenoura antes de cozinhar. A casca serve como uma proteção que ajuda a reter os nutrientes
    2 - Evite usar muita água e deixar o alimento no fogo por muito tempo. Prefira cozer no vapor ou no microondas com pouca água
    3 - Corte os vegetais imediatamente antes de usá-los e em pedaços grandes. Pedaços pequenos implicam contato maior, multiplicando a perda de nutrientes
    4 - Ao fritar carnes, comece com fogo bem alto e só então diminua. O contato com o calor intenso forma uma camada que bloqueia a perda de nutrientes
    5 - Não desperdice a água em que se cozinharam vegetais. Reaproveite-a em sopas ou no preparo de massas ou arroz

    quinta-feira, 18 de abril de 2013

    UM TRIBUNAL OPINÁTICO


    UM TRIBUNAL OPINÁTICO

    Wanderley Guilherme dos Santos

    Nem só a política, mas toda atividade humana deve respeitar normas de conduta compatíveis com a crescente civilidade da convivência social. Dentistas, sapateiros e todas as demais ocupações próprias ao ser humano devem respeitá-las. Inclusive os praticantes da ambiciosa tarefa, algo extraordinária, de julgar seus semelhantes, apontá-los à execração e priva-los de liberdade. Fazer da ética uma exigência exclusiva ou especial da ação política contraria o código de valores que se consolida a partir do Renascimento, atravessa o Iluminismo do século XVIII, aquele de Jean Jacques Rousseau e de Cesare Beccaria, e se inscreve no espírito das leis correntes. Direitos e deveres fundamentais, hoje, excluem privilégios ou isenções a indivíduos ou grupos. Milênios distantes da concepção, por exemplo, que permitia a um cidadão ateniense (excluídos, pois, metecos, mulheres e escravos) executar diretamente qualquer condenado que encontrasse pelo caminho. Igualmente abandonadas as diversas noções de graphé, em particular a de graphé paranomon, que submetia a severíssimas penas, inclusive a de ostracismo ou de morte, juízes ou promotores públicos cujas propostas ou deliberações se revelassem contrárias às leis da cidade ou ameaçassem a segurança de seus cidadãos. Legislar e julgar equivalia a aceitar compromissos perigosos. Ao contrário do progresso moderno, sabe-se, em que não há punição para falhas de sentença ou fracassos políticos e só as vítimas padecem suas conseqüências. Pois não existem erros inócuos em matérias públicas.



    Sentenças polêmicas não faltam na Ação Penal 470. Processo multifacético, compreende ilícitos eleitorais, crimes de colarinho branco, apropriações indébitas, desvios de recursos em conexões as mais variadas e, algumas vezes, independentes uns dos outros. O prazer de punir, associado a estereótipos sobre o que devia ser a vida política, têm impedido juízes do Supremo captarem implicações essenciais do processo. Se a existência de um caixa 2 quase que obriga ao cometimento de mais de um ilícito, vários outros decorrem de oportunidades clandestinas e não são conseqüências necessárias do processo original. Buscar a causa eficiente do início do processo seria indispensável a uma avaliação produtiva, não apenas punitiva, de um aspecto generalizado na competição político-eleitoral brasileira. Financiamento de companheiros do mesmo partido ou de partidos aliados, com recursos de origem lícita ou ilícita, não constitui mero problema a ser escamoteado pela referência à legislação que permitiria tais ajustes dentro de normas legais. O irrealismo da lei diante das condições efetivas da competição, condições impostas pelo legislador e pela justiça eleitoral, fica inocentado quando se atribui exclusivamente à má fé do infrator a responsabilidade pela infração. Lembra a surpresa de John Stuart Mill, candidato derrotado a uma cadeira na Câmara dos Comuns, conforme consta de referências biográficas: Antigamente era preciso possuir uma fortuna para alguém poder eleger-se (período do voto censitário severo), hoje é necessário gastar-se uma. Estávamos em meados do século XIX, com o eleitorado inglês correspondendo a não mais do que 6% da população.
     

    A legislação eleitoral brasileira é falha, contraria em última análise algumas leis fundamentais do país e ameaça a segurança jurídica dos cidadãos. Para ocultar essa condição antecedente os juízes parecem prontos a determinar o ostracismo daqueles réus cuja visibilidade seja suficiente para ofuscar a ocultação. Nesse afã, comentários togados a fatos eleitorais e políticos revelam assustadora imperícia na atribuição de sentido a esses fatos, tomados como indiscutíveis evidências de gravíssimos crimes. O risco de que a sentença final seja informada por essas interpretações canhestras, em acréscimo às adequadas provas jurídicas, é uma ameaça à sociedade política brasileira, não somente aos eventuais sentenciados de agora.



    Ouve-se que migrações partidárias seriam robusto indicador de compra de votos. Fora a substituição da expressão “ajuda financeira a aliados” pela expressão “pagamentos para compra de votos” – que é justamente o que se pretende provar, não uma premissa válida de argumento – a singularização de um movimento em particular é desautorizada pela freqüência e generalização do fenômeno. Migrações partidárias ocorrem em dois momentos da política brasileira: depois de eleições majoritárias, parlamentares e partidos desejando se aproximar do poder – vide modificações nas bancadas partidárias depois da posse de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, e, claro, também depois da posse de Luiz Inácio Lula da Silva; antes das eleições, com parlamentares buscando abrigo em legendas que lhes ofereçam melhores perspectivas de vitória – caso paradigmático, aqui, o de Marina Silva, transferindo-se do PT para o PV em busca de uma candidatura à Presidência. E isso ocorre a cada dois anos, claro, com eleições em níveis diferentes, mas submetidas aos mesmos condicionantes. Não constitui, em si, prova de crime algum. Monumental migração tendo em vista futuras eleições ocorreu em 2011, depois da moralizadora lei de fidelidade partidária, com a criação do PSD, por Gilberto Kassab, hoje detendo 48 deputados federais, a quarta maior bancada da Câmara, nenhum deles eleitos por essa legenda. Quem comprou os votos dos parlamentares do PSD?
     

    Ouve-se que acordos políticos envolvendo ajuda financeira, dentro das inócuas leis, estariam bem, mas a votação dos partidos ajudados em alinhamento com o partido ajudante seria imoral, degradante, corrompido. Em que se manifestaria o apoio do partido ajudado, caro magistrado? Em inauguração de retratos nas sedes dos partidos subsidiados? O acordo político pode consistir em mais do que ajuda financeira, e é notória a distribuição de postos governamentais a partidos aliados em contraponto ao apoio parlamentar. Se é para discriminar qual o tipo de “moeda” aceitável nos acordos, tudo bem, tese respeitável, mas que deve ser discutida francamente. Para mim, trata-se de um juízo de exceção aceitar acordo envolvendo cargos governamentais e, discricionariamente, incriminá-lo, interpretando as votações como “atos de ofício” a provarem o “pagamento” do voto comprado.



    São abundantes as ilustrações das distrações de análise dos magistrados do Supremo. Mas, terrível, sobretudo, é a inovação epistemológica proposta pela intervenção suavemente facciosa do ministro Ayres Brito. Defende ele que a pergunta a que os indiciados devem responder cabalmente não é a direta e simples: o senhor tinha conhecimento de que se tratava de dinheiro ilícito? (ou acusação semelhante, sempre envolvendo o essencial aspecto cognitivo), mas esta outra: era possível o senhor não saber do ilícito? Pois bem, trata-se de ardil lógico perverso, praticamente impossível de ser respondido inocentemente. No artigo V de Pensées, “A justiça e a razão dos efeitos”, Pascal se refere a uma ignorância sábia de si mesmo. Ignorância socrática à parte, a expressão de Pascal é falaciosa, posto que só os limites do conhecimento nos é dado ter consciência e sabedoria, mas é impossível conhecer a extensão do que ignoramos, exceto se soubéssemos o conteúdo do que ainda não conhecemos – o que é, obviamente, contraditório. Analogamente, a inovação epistemológica de Ayres Brito só admite duas respostas: não sei – o que, na interpretação subentendida significaria que, de fato, não existiriam condições possíveis de ignorância da matéria – uma confisssão, portanto; ou expondo as circunstâncias de todas as circunstâncias em que não poderia ter conhecido todo o conteúdo das ações alegadamente criminosas – e só descrevendo os limites da extensão de sua ignorância a comprovaria – outra forma de confissão. O ministro Ayres Britto está sugerindo a substituição da defesa com base nos limites do conhecimento pela obrigação do réu comprovar a extensão de sua ignorância. Falácia perversa.
     



    Alguns comentários togados têm margeado a volúpia tirânica. Não tão distantes de Hobbes, que considerava a reunião de duas pessoas como evidência de conspiração criminosa, sem atender à razão do encontro, base suficiente para pesada condenação, inclusive à morte, apartes variados têm contribuído para a degradação da atividade política, discursos bem intencionados não obstante. Especulo como reagiriam ao saber que os eleitores atenienses eram pagos para votar, a partir do final do século V. Chamava-se ekklesiastikon, tal pagamento, e tenho a evolução do valor dessa “compra”, se alguém ficar curioso.