segunda-feira, 8 de outubro de 2007

ENTENDENDO A INTERNET


Marcial Salaverry

Para entender a Internet, vamos considerá-la como sendo um daqueles convidados que chegam para um papinho de 5 minutos, e acabam se hospedando em nossa casa, ocupando o banheiro com a porta aberta, roncando alto e, convenhamos, realmente enche o saco, porque começa a tomar conta de nossa casa...

Mas, apesar do pesares, é uma pessoa muito simpática, que nos faz rir (às vezes), que acaba se tornando figura importante dentro de casa. Quando fica doente então, é um autentico Deus nos acuda (como vou viver sem ela ?). Eu estou pensando seriamente em criar um Convênio Internético, para tratamento de computadores. Que acham dessa idéia ? Vamos bolar a coisa. Afinal, acho que associados é o que não vai faltar.

Bem, analisemos a utilidade encontrada para essa, digamos, essa COISA.

Tem gente que só a quer como passatempo, pois tem um montão de joguinhos bacanas, e para quem tem paciencia, tem uma tal de paciencia, que acaba com a paciencia de quem não a tem, e resolve jogar um pouquinho.

Tem gente que a quer como companheira fiel, pois aceita tudo que você quer falar, e não discute, nem discorda, nem diz...nada. Por vezes cala-se completamente e sai fora do ar. E é aí que mora o problema.

Tem gente que a quer como amante, com o tal do sexo virtual (sou muito mais o método antigo...).

Tem gente que a quer como fonte de recursos, então vasculha todas as suas possibilidades para faturar algum. Até agora quem ganhou alguma coisinha com isso, foi um tal de Bill...não sei das quantas...Watergate ?

Tem gente que a quer como psicóloga. Então a usa para desabafos. Realmente, é uma das boas finalidades, pois sempre é bom desabafar, pois se a resposta do, digamos, receptor não agrada ao desabafante, basta deletar.

Tem gente que quer para reclamar, xingar, espernear. Aí, é ótima, pois basta descobrir-se o e-mail do objeto de nossas queixas, e tome pau. Como é à distancia, a reação fica complicada. Se bem que geralmente tais broncas se perdem no espaço, pois o destinatário ao ver que vai se chatear, limita-se a deletar, e ponto final.

Infelizmente, tem também aqueles que a desejam só para fazer o mal. E tome propagação de vírus, e tome hackers fazendo sandices, e tome clonagem de e-mails, e uma pá de coisas difíceis de digerir.

Bem, anda existe muita coisa para ser analisado sobre essa maquininha de fazer doidos, mas para não dar mais um motivo de reclamações, vou parando por aqui, pois todos estão carecas de conhecer os prós e os contras da coisa, mas eu tinha que falar alguma coisa.

Ainda sobre computador: Caso alguém não saiba, a grande diferença que existe entre HARDWARE e SOFTWARE: Soft, é a parte que você só xinga, e Hard, é a parte que você chuta.

Realmente, essa tal de Internet é, como diria famoso dirigente esportivo, "uma faca de dois legumes", pois se por um lado favorece nosso desenvolvimento tecnológico e nossos conhecimentos, por outro lado também favorece os instintos predadores de muitos idiotas que procuram especializar-se somente em espalhar o mal, seja através de vírus, seja através de brincadeiras daninhas, ou (pior ainda), procurando explorar a boa fé e os sentimentos de outras pessoas. Tem alguns que só procuram soltar "correntes de felicidade", prometendo benesses àqueles que espalharem. O lamentável em alguns desses casos, é que essas tais correntes, por vezes trazem mensagens lindíssimas que merecem ser espalhadas, mesmo sem as benesses prometidas. Então, para que abusar da boa fé? Se querem dizer algo de belo e aproveitável, passem aos amigos, que estes se encarregarão de espalhar, se realmente valer a pena.

Outro ponto negativo são algumas das "solicitações de ajuda". Infelizmente não se pode saber qual é a solicitação "séria", e qual a simples tentativa de "spam". Tem muitas pessoas que à simples visão de alguma solicitação de ajuda para alguém, já deleta o e-mail, pois não acredita mais em nada. Isto deveria ser encarado com mais seriedade.

Agora o outro "legume". Que coisa bacana é a Internet bem usada, nem vou falar das facilidades de comunicação, e otras cositas más. Só quero salientar que, na minha opinião, o melhor da Internet, é que as pessoas se animam mais a certos desabafos, a contar certas mágoas ou problemas que, pessoalmente, cara a cara, sempre fica mais difícil falar. Mas, via Internet, com as pessoas longe, podemos "soltar a franga", contar problemas que nos afligem. Sempre alguém tem alguma coisa de bom para ser dito. E só o fato de soltarmos o que estava preso lá dentro, já alivia o problema.

Além disso, notei outra coisa muito interessante. Tenho encontrado muitas pessoas com uma grande afinidade de idéias, que pensam de uma maneira semelhante, possibilitando diálogos interessantíssimos e isso, sem essa tal de Internet, não seria possível.

O mais certo seria que eu nunca, jamais, em tempo algum, teria conhecimento da existência de um número cada vez maior de doidos e doidas que pensam da mesma maneira. E não tenho dúvidas de que outras mais virão. Vocês não acham que é ótimo descobrir que você não está sozinho no mundo?

E com essas idéias, vamos aproveitar a Internet, para desejar a um montão de gente, UM LINDO DIA.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

COMO ALCANÇAR A FAMA (ou se cansar tentando...)


(Antonio Brás Constante)

Para se alcançar à fama hoje em dia (mesmo que por alguns minutos), podemos recorrer aos chamados “se vira nos trinta” que são exibidos por aí. Até um pretenso escritor (assim como eu), poderia tentar tornar seu nome conhecido. Bastaria entrar no palco e desafiar alguém da platéia a sugerir um tema qualquer, que seria transformado em um pequeno poema nos poucos segundos permitidos. Porém, tal idéia dificilmente passaria pela produção dos programas de televisão, que não teriam interesse em incitar as pessoas a buscarem prazer na literatura.

Outra alternativa seria tentar o BBB, onde geralmente escolhem gente jovem e com barriga de “tanquinho”. Como não disponho desses atributos físicos, poderia argumentar que todas as pessoas são jovens, indiferente de terem oito ou oitenta anos, pois a juventude repousa em nossas mentes, através de um estado de espírito que pode perdurar a vida inteira. Diria que apesar da beleza física agradar aos olhos, se não houver o chamado brilho interior, ela se deteriora, perdendo totalmente o encanto. Quanto à barriga tanquinho, me apresentaria como um homem moderno, que exibe uma barriga do tipo: “lavadora-de-roupas-extragrande” (muito superior a qualquer tanquinho). Ainda assim, acredito que estes argumentos não sensibilizariam os tais caça-talentos a procura de bombados.

Restaria ainda uma opção voltada para planos mais marginais. Por exemplo, se eu assassinasse de alguma forma a língua portuguesa, poderia ganhar espaço no programa “linha direta”. Cheguei a fazer uns testes discretos, como no caso do texto sobre caminhadas, onde ao invés de “suaram” escrevi “soaram”. Esperei pelo pior, mas apenas o Boni (amigo e leitor), me avisou do erro, referindo-se a ele como uma licença poética (?) vinda de minha parte. Também lembrei que no Brasil as pessoas se deparam com todo tipo de violência. Sendo assim, provavelmente não dariam qualquer importância aos erros de português que porventura depreciassem a imagem de um humilde aprendiz de escritor.

A ultima alternativa seria publicar a biografia não autorizada de alguém que estivesse disposto a proibi-la. Mas, para não ter que efetuar anos de pesquisa e correr riscos quanto a sua não proibição, escreveria uma biografia não autorizada de mim mesmo. Depois me processaria (sem utilizar serviços de advogados). Por fim lançaria uma cópia na internet e ficaria torcendo para que a opinião pública adorasse ou odiasse tal atitude, divulgando-a ou criticando-a em todos os veículos de comunicação existentes.

Enfim, muitos acham que para se conquistar à fama vale tudo. Porém, o que realmente importa é reconhecermos nossa própria vocação, utilizando-a como algo positivo em nossas vidas. Pois fama e sucesso podem ser alcançados através do dinheiro. Já o talento é algo que não se compra. Não é um mero enfeite de estante, é uma ferramenta que fica guardada dentro de nós, pronta para ser usada na busca da felicidade.

DAR SEM RECEBER, NÃO É UMA TROCA JUSTA


Ninguém sabe o ponto certo de se doar e quanto vale a pena. É verdade... Às vezes, não vale. A gente se dá sem querer nada em troca. Por quanto tempo conseguimos encher copos de água para o outro, enquanto morremos de sede? Não será essa atitude uma maneira de simplesmente alimentar o egoísmo do outro?

É cômodo apenas receber...

(Débora Böttcher)

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

REFLEXÕES


Autora: Sara Maria Binatti dos Anjos

Sou uma pessoa comum. Fui criada com princípios morais comuns.

Quando criança, ladrões tinham a aparência de ladrões e nossa única preocupação em relação à segurança era a de que os "lanterninhas" dos cinemas nos expulsassem devido às batidas com os pés no chão quando uma determinada música era tocada no início dos filmes, nas matinês de domingo.

Mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades presumidas, dignas de respeito e consideração. Quanto mais próximos, e/ou mais velhos, mais afeto. Inimaginável responder deseducadamente a policiais, mestres, idosos, autoridades. Confiávamos nos adultos porque todos eram pais/mães de todas as crianças da rua, do bairro, da cidade. Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos, de filmes de terror.

Ouvindo hoje o jornal da noite, deu-me uma tristeza infinita por tudo que perdemos. Por tudo o que meu filho precisa temer. Pelo medo no olhar de crianças, jovens, velhos e adultos. Matar os pais, os avós, violentar crianças, sequestrar jovens, roubar, enganar, passar a perna, tudo virou banalidades de notícias policiais, esquecidas após o primeiro intervalo comercial.

Agentes de trânsito multando infratores são exploradores, funcionários de indústrias de multas. Policiais em blitz são abuso de autoridade.

Regalias em presídios são matéria votada em reuniões. Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos. Não levar vantagem é ser otário. Pagar dívidas em dia é bancar o bobo, anistia para os caloteiros de plantão. Ladrões de terno e gravata, assassinos com cara de anjo, pedófilos de cabelos brancos.

O que aconteceu conosco? Professores surrados em salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas portas e janelas. Crianças morrendo de fome, gente com fome de morte.

Que valores são esses? Carros que valem mais que abraço, filhos querendo-os como brindes por passar de ano. Celulares nas mochilas dos que recém largaram as fraldas. TV, DVD, telefone, video game, o que vai querer em troca desse amasso, meu filho? Mais vale um Armani do que um diploma. Mais vale um telão do que um papo. Mais vale um baseado do que um sorvete. Mais valem dois vinténs do que um gosto.

Que lares são esses? Bom dia, boa noite, até mais. Jovens ausentes, pais ausentes, droga presente e o presente uma droga.

O que é aquilo? Uma árvore, uma galinha, uma estrela. Quando foi que tudo sumiu ou virou ridículo?

Quando foi que senti amor pela última vez? Quando foi que esqueci o nome do meu vizinho? Quando foi que olhei nos olhos de quem me pede roupa, comida, calçado sem sentir medo? Quando foi que fechei a janela do meu carro? Quando foi que me fechei?

Quero de volta a minha dignidade, a minha paz e o lugar onde o bem e o mal são contrários, onde o mocinho luta com o bandido e o único medo é de quem infringe, de quem rouba e mata. Quero de volta a lei e a ordem. Quero liberdade com segurança. Quero tirar as grades da minha janela para tocar as flores. Quero sentar na calçada, e minha porta aberta nas noites de verão. Quero a honestidade como motivo de orgulho. Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olho no olho. Quero a vergonha, a solidariedade e a certeza do futuro. Quero a esperança, a alegria.

Eu quero ser gente e não peça de um jogo manipulado por TV a cabo.

Eu quero a notícia boa, a descoberta da vacina, a plantação do arroz. Eu quero ver os colonos na terra, as crianças no colégio, os jovens divertindo-se, os velhinhos contando histórias.

Eu quero um emprego decente, um salário condizente, uma oportunidade a mais. Uma casa para todos, comida na mesa, saúde a mil.

Quero livros e cachorros e sapatos e água limpa. Não quero listas de animais em extinção. Não quero clone de gente, quero cópia das letras de música.

Eu quero voltar a ser feliz! Quero dizer basta a esta inversão de valores e ideais.

Quero mandar calar a boca quem diz "a nível de", "neste país", "enquanto pessoa", "eles tem que", "é preciso que".

Quero xingar quem joga lixo na rua, quem fura a fila, quem rouba um lápis, quem ultrapassa a faixa, quem não usa cinto, quem não paga a conta, quem não dignifica meu voto. Quero rir de quem acha que precisa de silicone, lipoaspiração, implante, dieta, cirurgia plástica, conta no banco, carro importado, laptop, bolsa XYZ, calça ZYX para se sentir inserido no contexto ou ser "normal".

Abaixo a ditadura do "tem que", as receitas de bolo para viver melhor, as técnicas para pensar, falar, sentir! Abaixo o especialista, o sabe-tudo rodeado de microfones e câmeras!

Abaixo o "ter", viva o "ser"!

E viva o retorno da verdadeira vida, simples como uma gota de chuva, limpa como um céu de abril, leve como a brisa da manhã!

E definitivamente comum, como eu.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Pobre Povo sem Heróis


Em o seu livro O Herói de Mil Faces, Joseph Campbell nos mostra que todos os mitos, contos de fadas e histórias folclóricas falam do herói, da eterna busca do homem por sua essência, em uma tentativa de se superar e se dar como exemplo aos seus iguais, tendo, naturalmente, por outro lado, o ser humano, comum mortal, a necessidade de se alimentar da fantasia da possibilidade de um dia se tornar também um herói.

Os homens, de um modo geral, têm ainda hoje uma necessidade de acreditar em forças mágicas, para poder explicar o que acontece em seu particular, na sua vida comezinha. Nesse sentido, os contos de fadas contemplam esta busca por serem responsáveis por responderem sugestivamente às questões internas da natureza humana, dando dimensão de extraordinário ao que é simples, pois a ânsia de se sentir amparado é fato histórico – do inconsciente coletivo-que sempre gera expectativa de apoio e proteção em momentos difíceis.

Ainda em nosso tempo, persiste a imagem da fada-madrinha como elemento mágico e de transcendência a condições melhores. Essa busca da madrinha (madrinha, etimologicamente, vem do latim matrina, diminutivo afetivo de mater, mãe), pode ser sintetizado por uma força, uma prece, uma religião, um indicativo qualquer de saída de uma situação difícil, com a força do “sobrenatural”. Vamos ver a força deste valor inconsciente simbolizado até em expressões como ser apadrinhado de alguém para conseguir algum benefício.

Lygia Nunes, em A Casa da Madrinha, representa, com muita propriedade, que a única solução para a pobreza é o sonho, sobretudo a fé nesse sonho, pois aí se espelha a possibilidade de se sair de uma situação de dor, onde tudo conspira contra, para uma realização onírica, para mitigar a dor de se viver sem esperança.

Ansiamos por um herói que venha renovar o mundo, ainda que seja o nosso mundo doméstico, podendo ser aquele político que se faz de igual, dizendo que “sente orgulho da mãe ter sido analfabeta”, claro que não é de se envergonhar, mas nenhum governante pode se dizer orgulhoso com analfabetismo de quem quer que seja, mesmo o da mãe, como recentemente aqui na Bahia o presidente Lula disse, desqualificando a educação e fazendo demagogia sobre as limitações dos que o ouviam.

É lamentável que o nosso povo sinta a necessidade de projetar os seus sonhos sobre pregações falaciosas de religiosos que buscam apenas o poder temporal de uma grande assembléia, valendo aí tudo para mostrar que ali, naquele culto, a força fará o desaparecimento de todas as suas dores, em processo alienador do que deveria ser incentivador para a luta, para a transformação pela educação e trabalho.

É lamentável que políticos se calquem na figura de projeção desta gente infeliz, fazendo-se o salvador de seus martírios, através de processos assistencialistas, fomentadores indiretos da compra de votos, mediante custeio da miséria com vales de tudo, até de esperança.

É lamentável que um povo vibre com um brasileiro que foi ao espaço, tendo pegado uma carona que valeu dez milhões de dólares, para nada fazer, enquanto por aqui a miséria continua crescendo.

É lamentável ainda continuar vendo esta gente querendo brilhar no sambódromo, desabafar nos estádios de futebol e chorar em seus casebres a miséria em que vive.

Texto elaborado por Prof. José Medrado. Diplomado em Letras Vernáculas pela Universidade Católica de Salvador, onde também cursou Filosofia. Professor da Escola de Magistratura Trabalhista, em Salvador - BA. Membro da Academia Brasileira de Ciências Mentais. Coordenador Geral do CEVIBA (Centro de Atendimento às Vítimas de Violência na Bahia). Idealizador e fundador da Cidade da Luz, em Salvador, Bahia.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

PARA UMA REFLEXÃO ANTES DO PRÓXIMO BBB

Autor: Anisio Lana -


O grande poeta do amor, Gibran Khalil Gibran, Líbano, já dizia: ” AI DA NAÇÃO QUE SÓ LEVANTA A VOZ NOS FUNERAIS, E SÓ SE VANGLORIA DE SEUS MONUMENTOS EM RUINAS, E SÓ SE REBELA QUANDO SEU PESCOÇO ESTÁ ENTRE A ESPADA E O CEPO."
Essa seria a definição para o Brasil perfeita. Somos muitos brasileiros, porém não podemos dizer que amamos esse país. Não temos vozes para fazer esse manifesto. Porém temos para ligar para um Big Brother Capitalista - BBC - e acompanhar a rotina dos “heróis” nacionais do momento. Por esses “heróis”para defender um deles, no caso o preferido, pegamos o telefone e fazemos uma corrente de 55 milhões, nesse caso de votos.
Somos realmente um povo humano, isso ninguém pode discutir. A prova é que vamos dar a alguém que nunca iremos conhecer nada mais e nada menos do que um milhão de reais, e sem ganhar um centavo. Vamos gastar alguns reais para fazer esse ato lindo, deixar alguém rico, que povo solidário meu Deus!
Realmente merecemos a visita do papa, pois somos tão “humanos”, que temos que dizer a Ratzinger que Cristo nasceu aqui e não em Belém como toda humanidade pensa.
Quando o Big Brother Capitalista terminar, os problemas desse país vão continuar no mesmo lugar: de um lado os políticos, do outro o povo; traficantes nas favelas; jovens nas ruas fumando maconha.
E quando um outro João Hélio for brutalmente assassinado, covardemente esquartejado, vamos largar o controle da tv, sair da frente da telona, pois o BBC (Big Brother Capitalista) acabou, e “lutar” para que alguém mude algo.
Até a próxima edição do programa voltamos a viver no Iraque. Quando ele começar voltamos ao paraíso imaginario dos EUA. O legal de tudo é que o mesmo apresentador do BBC - o salve, salve, será o mesmo a trazer para nossas casas, as desigualdades desse país.
Os políticos são o reflexo do povo apenas. A única diferença é que eles usam terno e gravata. Até o proxímo Big Brother Capitalista e a próxima criança morta.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

UMA BREVE DECEPÇÃO, POIS TUDO PASSA!

Era um menino do interior, isolado num povoado às margens de uma linha férrea. Além do vai e vem dos trens chiavam as rodas dos carros de bois e batucavam o chão de cascalho como se fossem tambores as patas dos cavalos que se iam num tripé ritmado. Viveu-se dois periódos ali, o da iluminação gerada por motor e a outra a “fifó.” Foi nesta última que abri livros e virei páginas procurando... Procurando aprender, a conhecer e a sonhar. Em algumas épocas do ano os filhos dos ricos apareciam, futuros médicos, engenheiros,advogados e professores. E eu? Sonhava!...Nas páginas das revistas O Cruzeiro, Manchete eu devorava com meus olhos o mundo diferente que chegava ali. Além dos livros escolares estudava nos almanaques que os laboratórios farmaceuticos distribuiam. Um dia, no trem das quatro eu parti, deixei para trás o meu mundo, de fato. Fui aonde foi possível, e quando me dei conta que os portões da fábrica quando se fechavam comigo dentro, deixava la fora os meus sonhos, a minha vontade de aprender, me conformei em ser simplesmente autodidata, já era um vício essa busca de querer saber. Cheguei até aqui, se maravilhado com a oferta de conhecimento oferecido pela Internet, decepcionado com o seu mal aproveitamento. Num tempo em que existe quase uma universidade em cada esquina, você pode se assustar se ao clicar em alguma “comunidade” e se dirigir para o “fórum” se deparar com um absurdo. Quanta gente vazia por opção. Certa vez li numa revista um comentário do Ensaísta canadense, Alberto Manguel: “Além do analfabeto que não teve chance de aprender a ler, existe outro tipo de iletrado- o que cultiva a ignorância desejada. É a atitude de quem não dá importância à cultura mesmo sendo escolarizado”

A televisão aberta brasileira (A TV Cultura é uma exceção) é uma tristeza, sobre ela não faço comentários, incluo aqui palavras de quem sabe mais.

João Almeida

NOSSA TELEVISÃO ABERTA

É uma tristeza o conteúdo das programações da televisão brasileira. Obedecendo o mercado substitui a reflexão pelo espetáculo, o paladar pela gula, a vibração pela histeria, o gosto pela moda, o ser pelo possuir. Produziu em todas as camada da sociedade desejos tão inatingíveis quanto inadequados. Nas mais modestas barrancas de algum rio brasileiro, o pescador humilde, quando volta ao barraco com televisão, contempla iates, vinhos, comidas e Mercedes como se esses fossem os objetos do cotidiano. São os objetos do desejo, o elemento mais metafísico da globalização. Não podemos ser farisaicos nem indiferentes diante da baixa qualidade de programação que se tenta impor como exigência inexorável da sobrevivência dos meios de comunicação de massa. . Televisão, pública ou comercial, é concessão do Estado, para, segundo a Constituição, promover os valores da família e da sociedade.

Temos uma das melhores TVs do mundo, dizem os que a fazem. Temos a pior, rebate a fatia mais crítica da sociedade. Para comprovar a sua tese, cada segmento aponta aqui e ali os exemplos que mais lhes convêm. O fato é que existem coisas boas e ruins na TV. Não se pode ser maniqueísta em relação a um veículo tão amplo, que funciona 24 horas por dia. Não se pode ser, no entanto, muito condescendente com a televisão que entra na casa de mais de 90% da população, tornando-se a única janela para o mundo para brasileiros de lugares longínquos e isolados. Não se pode esquecer também que a TV é uma concessão pública que, na Constituição, tem a missão de valorizar a língua portuguesa, as manifestações regionais, promover a cidadania e não ferir os valores éticos da família. Esses deveres – amplos e vagos – não foram regulamentados até hoje, portanto não há como fazer a fiscalização e punir quem não respeitar o artigo 221 da Carta Magna. Houve tentativas, cíclicas. De tempos em tempos – especialmente quando algum programa passa demais dos limites – o poder constituído manifesta-se com alguma ação que se revela inócua pouco depois, porque prevalece a idéia de que o mercado (audiência) é o regulador do setor. Ou seja, quem escolhe a programação é o telespectador, então é ele que elege o que deve permanecer no ar por meio do controle remoto.

Existe baixaria em outras partes do mundo, nos países ricos ou nos países pobres. Mas no Brasil o problema é sério porque a influência da TV é avassaladora. E isso acontece não por seu mérito ou competência, mas porque ela está sozinha. Faltam escolas de qualidade para todo o mundo, bibliotecas, centros culturais, vida comunitária. A TV é para milhões e milhões de brasileiros a principal fonte de informação e cultura. Sendo um veículo de comunicação de massas, ninguém está pedindo que ela se transforme em baluarte da erudição exibindo, em horário nobre, debates calorosos sobre Kant ou Nietzsche, mas num país no qual tem poder de rolo compressor, tem de assumir responsabilidades. Porém o inverso tem sido a regra. Os que fazem TV padecem da falta de pudor, ou competência, quando se socorrem aos temas sensacionalistas e fúteis para compor seus programas – agem como traficantes etéreos, que atraem as pessoas pelo que elas têm de menos nobre. A palavra obsceno vem da expressão latina obscenu, que significa fora de cena – o que não deve ser mostrado. A TV no Brasil é predominantemente obscena, pois, em vez de sublinhar virtudes, perpetua o que precisa ser vencido

Hoje as emissoras são obrigadas a informar ao público a classificação etária de cada programa. Isso é remédio paliativo, quase placebo. Criar um programa no qual faltam ética, originalidade e bom gosto e depois etiquetá-lo desaconselhando-o para certas faixas etárias soa até a cinismo. Testes de paternidade, desentendimentos familiares, invasão da intimidade de artistas, gente comendo insetos, voyeurismo, suspeitos de crimes sendo mostrados como criminosos, éguas pocotós e daí para baixo são os chuviscos e fantasmas que nenhuma antena consegue eliminar. Por trás de tudo isso, nas entrelinhas, permeiam as lições de que a vida não vale a pena, a malandragem compensa, as pessoas não merecem confiança e o mundo é repleto de futilidades. É evidente que não podemos transformar a televisão no bode expiatório de nossas mazelas culturais. Alienação, vulgaridade e preconceitos não nascem nela. Têm origem do lado de fora, no mundo palpável. A TV sem compromisso ético suga tudo isso e o devolve à sociedade que é encarada apenas como números que sobem e descem na escala de audiência. Esse é verdadeiramente um movimento de coprofagia cultural, em circuito que só é possível porque há uma sociedade indefesa e maltratada numa das pontas, sociedade que padece pela usurpação da identidade cultural, pelo desprezo maquinado à história, e pelo aniquilamento de espaços e instituições públicas. A TV ajudou, e muito, nesse processo, mas isso foi iniciado bem antes que a primeira válvula eletrônica fosse inventada. A TV não será nossa remidora, mas é necessário cobrar sua responsabilidade. É preciso exigir a mudança de postura dos que fazem TV e fortalecer a sociedade para o consumo crítico dos produtos televisivos.