quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

RELAÇÃO ENTRE PAIS E FILHOS NA ADOLESCÊNCIA

Iolanda Barros Valls




Conceito de puberdade: vem do latim puber = pêlos

É um processo biológico que se inicia entre nove e catorze anos, aproximadamente, e se caracteriza pelo surgimento de uma intensa atividade hormonal que desencadeia os chamados "caracteres sexuais secundários".

Conceito de adolescência: ad do latim - para, a.
olescer - crescer, condição para adolescer - adoecer.
Então o adolescente é o indivíduo que está apto a crescer.

Sofrimento moral com as transformações biológicas e mentais dessa fase de desenvolvimento.

Fenômeno psicológico e social que gera diferentes peculiaridades conforme o ambiente social, econômico e cultural em que o adolescente se desenvolve. Fase entre doze a dezoito anos.

Observa-se que nem todos os jovens em idade que corresponde ao período da adolescência podem vivenciá-la, podendo passar da infância diretamente à fase adulta, dependendo das necessidades econômicas, sociais e culturais a que pertencem.

Mesmo que as necessidades da adolescência sejam diferentes das da infância, há sempre a necessidade da dependência dos pais e de ser profundamente influenciado por eles. É nessa fase que o adolescente começa a perceber seus pais como pessoas, não mais como super-heróis, ou seja, os pais não podem tudo, eles também têm limitações, cometem falhas e aprendem com os filhos.

Costumo dizer que os pais não erram, mas tentam acertar (qual pai desejaria o mal a seu filho?) da mesma forma, os filhos fazem tentativas de acertar. Uns fazem mais tentativas e demoram mais tempo para aprender enquanto que outros aprendem em número menor de tentativas, evitando assim, maiores conflitos e sofrimentos.

Todos temos desejo de aceitação, de sucesso, de ser felizes. Então, todos queremos acertar. Nessas tentativas depara-se o adolescente com o limite, com os parâmetros ensinados pelos pais que eles, adolescentes, deverão seguir até que criem os seus próprios e assumam as suas conseqüências.

É uma fase de mudanças em que o adolescente vai percebendo seu crescimento acontecer e que há um mundo fora de seu lar que o absorve e o vai tornando familiar.
Aos poucos, vai abandonando o seu lar para viver o mundo exterior, aquele que futuramente terá de enfrentar.

Aí surgem questões de comparação e de queixa: os pais do fulano não proíbem a Internet, os pais de sicrano deixam trazer a (o) garota (o) para casa, na minha casa eu não tenho liberdade, nem privacidade, não tenho um quarto só para mim, meus pais gostam mais de meu outro irmão, não estão nem aí para o que eu falo, meus pais são caretas, carrascos, os pais do fulano é que são "beleza". Nem em todas as férias viajo, não compro roupas e tênis de grife, não tenho uma grande mesada. Os pais dos meus amigos não se importam com o quarto bagunçado, não se importam com quem eles saem e a que horas voltam. Não pegam no pé.

Crescem, neste momento, os conflitos entre pais e filhos. Crescem as dificuldades de aceitar a autoridade tanto dos pais quanto dos mestres e muitas vezes os resultados são: baixo rendimento escolar e problemas de relacionamento com os pais.

Os pais já não sabem mais o que falar para o filho e nem como chegar até ele. Este, por sua vez, vai se fechando em seu mundo interior e em seu quarto, com medo de enfrentar o adulto que vem surgindo de dentro dele, preferindo aninhar-se em sua criança interior - ficando calado ou monossilábico.

São tantas as modificações físicas e emocionais dessa fase que vários assuntos merecem atenção: dúvidas referentes à sexualidade ou à identidade sexual, dependência financeira, dificuldade de aprendizagem, a escolha profissional, o vestibular, as companhias, os programas, os horários, uso do cigarro, de bebidas alcoólicas, drogas, entre outras.

Nas modificações físicas surgem problemas relacionados com:

IMAGEM CORPORAL: como o jovem se percebe, como se aceita fisicamente e o quanto os pais são solidários as suas queixas.
Essas mudanças corporais são vividas como verdadeiros lutos por perdas da identidade do corpo e dos pais da infância, debilitando o ego.

Podem surgir alterações como:
Obesidade: como escudo ou frustração;
Anorexia: como ideal estético e a luta em não querer crescer;
Bulimia: emagrecer de forma rápida podendo satisfazer a compulsão pêlos alimentos;
Tatuagens - piercing - grafitagem- body modification.
Moda: roupas diferentes do usual, mas que não o diferencie da tribo ou turma.
Quantas vezes surgem discussões entre pais e filhos sobre o uso de roupas "rasgadas", números GG, cores, cabelos, etc.
Nas roupas unissex onde o adolescente vive o conflito relacionado com a dificuldade de aceitar a perda de sua bissexualidade infantil (antes de adquirir os seus caracteres sexuais secundários).
Uniformidade: busca de integração dentro de determinada identidade grupal, uma vez que está fragilizado nessa mudança da infância para a adolescência e o grupo representa uma identidade que o fortifica. Daí tão importante as modas, os costumes, as atitudes, as atividades desportivas e recreativas.
Dificuldade em trocar as roupas sujas: em outras palavras, seria a dificuldade de enfrentar as mudanças corporais e se desfazer das partes do corpo e da identidade infantil. São conflitos com o próprio corpo, ver-se nu, defrontar-se, visualmente com as mudanças corporais, despertando desejo e culpa em si mesmo.

COMPUTADOR, INTERNET E TELEVISÃO

Estes vilões já renderam muitas brigas entre vocês e seus pais, certamente. Horários de dormir, de acordar, de fazer da INTERNET, GAMES ou TELEVISÃO companheiros inseparáveis das madrugadas, o que deixa qualquer pai ou mãe preocupada com o sono, com os estudos, com a postura, com a qualidade da informação recebida e com as dificuldades de relacionamento frente a frente, uma vez que o virtual nem sempre corresponde ao real.

QUARTO (CASTELO)

Que pais não reclamam de ver o quarto com livros, pratos, copos, mochilas, meias sujas, tênis (perfumados), roupas espalhadas pelo chão ou emboladas dentro do armário?
Há pais (e são muitos) que se incomodam com essa bagunça, que exigem quarto arrumado e que não aceitam a idéia do: "este é meu espaço, o meu território!" e que vez por outra abrem gavetas, armários, vasculham bolsos, mochilas, enquanto os filhos se trancam em seus quartos, em seus monossílabos e em seus conflitos interiores.
São pais querendo se aproximar, conhecer o que os filhos não revelam e são filhos escondendo o que não querem revelar.
Ninguém ganha, todos perdem. O diálogo não acontece e aumenta o espaço vazio entre eles.

Outros conflitos poderão estar relacionados

Crises religiosas: adolescência é a fase de intenso misticismo ou de ateísmo absoluto, migrações para crenças contrárias as dos pais, gerando conflitos.

Podem surgir conflitos referentes às condições dos seus lares e das características familiares capazes de afetar o seu orgulho e prestígio: a aparência física de seus pais e irmãos, as condições dos móveis da casa, os hábitos e as maneiras dos pais e dos irmãos, o status econômico e social da família, as exigências que os filhos fazem dos pais a respeito de gastos superiores as suas condições por temerem perder os amigos.

Não é desleal, nem motivos para remorsos ou culpas pôr em dúvida os julgamentos de seus pais, suas idéias políticas, sociais, morais, religiosas.

Isto é dialogar, é aprender, é conhecer os pais, é deixar-se conhecer, é entender que os pais também são sensíveis às transformações do mundo moderno e que pela experiência de vida e pelo amor que eles tem por você, com certeza têm muito que ensinar. É atribuição dos pais ensinar aos filhos valores morais, sociais, religiosos, estabelecer regras dentro de casa e cobrar limites.

Você, adolescente, não terá medo de se tornar adulto e nem terá medo de um dia ser pai ou mãe para seus filhos adolescentes.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

religião e a criação dos Deuses

Para Charles Darwin, a origem da religião não era segredo. “Assim que os importantes traços cognitivos relacionados à imaginação, questionamentos e curiosidade juntam-se ao poder do raciocínio, o homem passa a desejar a conhecer as razões dos fenômenos que o cercam, especulando vagamente sobre sua própria existência…”, escreveu Darwin em “The Descent of Man”, na minha tradução livre.

No entanto, a “fé” sempre causou perplexidade a Darwin. Toda sociedade humana teve deuses. Sejam góticos, mitológicos ou maias, eles sempre estiveram presente. Em todas as culturas, os homens colocam esforços significativos na elaboração de catedrais, rituais. Sem nenhuma vantagem aparente na sobrevivência ou reprodução da população. Então, porquê e como a religião surgiu?

Não existe consenso entre os especialistas, mas novas ideias estão surgindo com a junção das disciplinas de arqueologia e estudos da mente. Esse campo emergente explora a hipótese de que a religião seria uma consequência natural da mente humana. Ou seja, os caminhos evolucionários que teriam criado nosso sofisticado cérebro, também teriam sido responsáveis pela crença no sobrenatural.

A afirmação é baseada em dados recentes que sugerem que os humanos teriam a tendência de procurar sinais de “agentes”, ou mentes como a nossa, no mundo natural. Em paralelo, arqueólogos buscam indícios de religião através da relação com outra atividade cognitiva humana: o comportamento simbólico levando a sociedades mais complexas. Esses dois campos tem se desenvolvido muito, mas a distância entre as evidências físicas arqueológicas e os modelos teóricos da neurociência ainda é enorme.

Através de objetos achados durante escavações arqueológicas, cientistas tentam unir o uso de símbolos com a emergência da espiritualidade humana. Cerca de 100 mil anos atrás, povos no sul da África, nas cavernas de Blombos, rabiscaram figuras geométricas em alguns objetos. Apesar de não ser possível associar esses registros com religião, é razoável pensar que o pensamento simbólico seria um pré-requisito para o comportamento espiritual.

Num período próximo, cerca de 95 mil anos atrás, encontrou-se esqueletos humanos em Qafzeh, Israel, sugerindo rituais de velório. Neandertais, há uns 65 mil anos atrás, também velavam seus mortos em algumas circunstâncias. Seriam essas as primeiras evidências de uma angústia metafísica?

Talvez tudo isso seja muito subjetivo para alguns, mas as pinturas dos caçadores da era do gelo são mais convincentes. Cerca de 30-35 mil anos atrás na Europa, temos o florescer do expressionismo simbólico, no período conhecido como a explosão do Paleolítico Superior.

Pinturas bem realísticas, retratando criaturas – meio-homem meio-animal – foram encontradas nas paredes das cavernas de Grotte Chauvet, na França. Também foram achadas pequenas esculturas em cavernas da Alemanha, incluindo uma “Vênus” e três “Homens-leão”, os primeiros seres quimeras.

A tal da Vênus ilustra bem a dificuldade em se conciliar as interpretações dos pesquisadores. Se por um lado, a mulher sem cabeça, com seios fartos e uma detalhada genitália é considerada como uma deusa da fertilidade, por outro lado, outros a consideram um típico exemplo de “paleo-porno”. Afinal, assim como a religião, a pornografia também sempre esteve presente em qualquer sociedade humana.

Ainda seguindo pistas arqueológicas, templos de 11 mil anos atrás foram achados em Gobekly Tepe, na Turquia. Ali, encontraram-se diversas esculturas de animais selvagem, indícios de velórios e de remoção do crânio. Mesmo assim, é difícil vincular esses achados com a adoração a deuses, a não ser que as culturas comecem a chamá-los por nomes específicos. Nesse caso, nos resta as culturas literárias da Mesopotâmia e Egito, cerca de 5 mil anos atrás. Nesses impérios, fica claro o poder e temor aos deuses nas escrituras.

Teriam sido doutrinados a crer ou já teriam nascidos crentes?

Segundo as novas ideias que estão emergindo de um modelo de religião cognitivo, humanos seriam tão especializados em compreender sinais e desejos de outros que se tornaram supersensíveis a “agentes” causadores. Essa sensibilidade seria uma consequência de uma hipertrofia cognitiva social, criando uma tendência em nosso cérebro de atribuir a um outro ser eventos estocásticos ou fenômenos naturais. Seríamos intuitivamente teístas por natureza.

Pesquisas recentes têm mostrado que crianças em idade pré-escolar preferem explicações teológicas a mecanísticas no que se refere a fenômenos naturais. Quando questionadas se as pedras seriam pontiagudas porque são constituídas por pequenas quantidades de matéria ou para proteção de animais que queiram sentar-se nelas, as crianças optam pela última explicação. Elas buscam uma qualidade animada para a pedra.

O valor de estudar isso em crianças é que elas podem distinguir melhor o que é inato do que é cultural. Mas é interessante notar que testes semelhantes, feitos em adolescentes sob pressão de responder rápido, resultaram em dados semelhantes. Pode ser que, sob pressão, nosso cérebro haja instintivamente, optando por explicações não científicas.

Essa disposição criacionista ecoa junto com uma outra tendência do cérebro humano: nosso supersensível detector de “agentes”, isto é, a capacidade de procurar por seres racionais mesmo em objetos inanimados. Num clássico experimento da década de 40, psicólogos notaram que pessoas assistindo animações de círculos, triângulos e quadrados tinham a inclinação de associar as formas geométricas a personagens, até mesmo criando narrativas em eventos aleatórios.

É o famoso barulho no meio da noite. Pensamos logo: quem está aí? É uma pergunta que surge quase instantaneamente. A tendência de procurarmos um agente pode ter sido programada em nosso cérebro pela evolução através de uma seleção natural que favoreceu falsos positivos. Afinal, um barulho no meio da noite pode muito bem ser um ladrão (ou um leão), nos colocando em estado de alerta.

Logicamente que isso está longe de ser uma explicação para a crença em deuses ou espíritos. Outra peça cognitiva que se encaixa perfeitamente nessa ideia vem da “teoria da mente” (conceito já discutido em colunas anteriores). A teoria da mente nada mais é do que a capacidade que temos de entender que um outro ser também tem uma mente, com intenções, desejos e crenças dela mesma.

Essa capacidade é desenvolvida com o tempo, sabe-se que só a adquirimos por completo depois dos 5 anos de idade, e nos auxilia a navegar nas complicadas relações sociais humanas. Enquanto o cérebro de um chimpanzé esta programado para lidar com relações pessoais num grupo de 50 indivíduos, o humano pode encarar até 150 pessoas.

Mas se já suspeitamos que um agente é o responsável por um evento misterioso, estamos a um passo pequeno para começarmos a imaginar que esse agente tem uma mente que funciona de forma semelhante à nossa. Oras, é lógico que o ladrão tropeçou no meio da noite procurando algo pra roubar. Elevando-se esse conceito a uma dimensão mais sofisticada, chegamos a uma rica representação do que deve ser a mente de um Deus. Passamos a atribuir desejos, paixões, ódio e vingança a um “agente-Deus”, da mesma forma que as sentimos.

Além disso, devemos estar também programados para não aceitar a morte da mente. Experimentos com crianças, mostrando um boneco de rato sendo engolido por um boneco de jacaré, mostrou que elas entendem a morte carnal, isto é, compreendem que o rato não precisa mais se alimentar, por exemplo. Mas falham em identificar a morte da mente.

Continuam a achar que o rato pode ter fome ou que estaria preocupado com seu irmão, indicando a persistência do estado psicológico, mas não físico. A separação da mente e corpo é comum em muitas religiões, retratada na vida após a morte ou reencarnação, sugerindo que talvez seja um fator humano universal na sua essência.

Nosso cérebro social pode explicar porque crianças são atraídas por animais falantes e fadas voadoras, mas religião é muito mais que isso. Derivar crenças a partir da arquitetura cognitiva da mente é, sem duvidas, necessário, mas não suficiente.

A velha alternativa continua valendo: a religião promove um comportamento cooperativo entre indivíduos desconhecidos e assim cria grupos estáveis capazes de adaptação em circunstâncias mais desafiadoras, como o frio intenso ou escassez de alimento. A religião melhoraria a sobrevivência e reprodução de seus membros.

Em suporte dessa ideia, vale lembrar que os homens são mais propensos a um comportamento altruísta e solidário se sabem que estão sendo vigiados. Dessa forma, a presença onipotente de um Deus supernatural e preocupado com a moralidade serve de estímulo ao comportamento altruísta, especialmente em grupos grandes ou quando o anonimato é possível. Mas existem poucas evidências científicas de que esse é realmente o caso. Faltam estudos investigando se os indivíduos realmente seguem todos os princípios da religião a que pertencem.

Acompanho essa discussão há um tempo e acredito que os objetos arqueológicos respondem apenas a um pedaço das questões e os modelos cognitivos ainda estão muito baseados em especulações. Mesmo assim, a forma como diferentes disciplinas têm convergido para a resolução desse problema sugere um aumento no interesse sobre o assunto.

Espero ver uma transformação nos próximos dez anos, com novas evidências e mais dados apontando para o porquê e como as religiões de fato surgiram e dominam sociedades humanas.

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Se Dilma Rousseff tives­se escapado daquele arrastão policial, seu destino provavelmente seria outro. Eram tempos estranhos. Dilma foi presa numa operação que mandou para os porões da repressão uma leva de militantes da Vanguarda Armada Revolucionária (VAR), grupo político que ela integrava. Durante 22 dias, foi moída a pancadas e choques elétricos por torturadores do Exército. Ficou quase três anos na prisão. É possível imaginar que, se não tivesse sido capturada pelas três equipes de agentes que a cercaram no centro de São Paulo no dia 16 de janeiro de 1970, Dilma teria seguido sua militância na VAR. Dois anos depois, então, ela poderia ser uma das pessoas escondidas na casa de número 8.695 da avenida Suburbana, no bairro de Quintino, no Rio de Janeiro. Tratava-se de um “aparelho” da VAR, como se chamavam os endereços clandestinos. Dilma talvez estivesse ali no lugar de Lígia Maria Salgado Nóbrega.

Lígia nasceu em 1947, como Dilma. Levava uma típica vida de classe média em São Paulo, semelhante a que Dilma tinha em Belo Horizonte. Em 1964, Lígia iniciou o curso de normalista no Colégio Fernão Dias Paes, no bairro de Pinheiros, enquanto Dilma entrava no Colégio Central, na capital mineira. Ambas começaram a se interessar por política nessa época. Em 1967, Lígia ingressou na Faculdade de Pedagogia, da USP. Dilma, na Faculdade de Economia, da UFMG. A exemplo de Dilma, Lígia era frequentadora assídua do centro acadêmico. Míope, pendurava no rosto miúdo óculos grossos, parecidos com os que Dilma usava. Ela era baixinha, tinha os cabelos castanhos curtos, repartidos ao meio. Antigos colegas se lembram de sua voz firme nas assembleias, quase uma surpresa para o jeito quieto que cultivava. No final de 1969, Lígia se vinculou a uma célula da VAR em São Paulo. Dilma fez o mesmo em Minas. No ano seguinte, as duas já eram militantes perseguidas pela polícia. Ao contrário de Dilma, Lígia conseguiu safar-se das quedas sofridas pela VAR em 1970 e se escondeu no Rio. Manteve-se na clandestinidade até aquele 29 de março de 1972, quando policiais do Dops varejaram o aparelho de Quintino. Houve tiroteio no local e um militante conseguiu fugir. Os outros três que estavam na casa foram presos: Lígia com um tiro no braço, Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo com um tiro na perna e Antônio Marcos Pinto de Oliveira sem ferimentos aparentes. No dia seguinte, o corpo de Lígia deu entrada no IML, vindo do Dops carioca. Tinha escoriações e manchas escuras pelas costas e a marca inequívoca da execução: um tiro na cabeça. Lígia ia fazer 25 anos e estava grávida de dois meses. A família do carioca Antônio Marcos recebeu seu corpo num caixão fechado. Ex-seminarista e poeta, ele havia morrido, segundo a autópsia, por “feridas transfixantes de tórax e abdome”, que lhe perfuraram vários órgãos internos. O corpo de Maria Regina, 34 anos, filha de um pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, formada em filosofia, também chegou ao IML no dia 30. Assim como Lígia, ela levara um tiro na cabeça. Hoje, Lígia Salgado Nóbrega é o nome de uma praça comunitária em Cidade Ademar, no subúrbio paulistano.

A vida sempre andou por um triz para os jovens da geração de 68 que enfrentaram o regime militar. A diferença da sorte de Dilma e Lígia é que, entre a prisão de uma e o assassinato da outra, a ditadura tinha mudado. Em 1968, o Exército havia aprendido a torturar, sempre justificando a ignomínia com o combate ao perigo terrorista. No ano seguinte, com a prática da tortura já disseminada, passaram a ser registradas algumas mortes em dependências oficiais. A maioria era de vítimas dos tenebrosos “acidentes de trabalho” dos torturadores. Em 1971, apenas um ano após a prisão de Dilma, passou a ser raro sair vivo dos porões da ditadura. A máquina da repressão tinha sido orientada para o extermínio, a eliminação total dos adversários. Os militares, então, operavam centrais como a Casa da Morte, em Petrópolis, no Rio, de onde ninguém escapou com vida. Em 1971 a repressão matou 50 pessoas, superando os 29 assassinatos do ano anterior. Entre dezembro de 1972 e outubro de 1973, houve 43 mortes.

Para uma parcela dos jovens da época, portanto, não é exagero falar em sobreviventes. Em 1988, quando se comemoravam os 20 anos de 68, Vladimir Palmeira, um dos ícones das manifestações estudantis que deram cara ao período, se lastimava: “A minha geração é a um só tempo gloriosa e angustiada: fomos presos, torturados, mortos, exilados e não conseguimos chegar a lugar nenhum.” Palmeira estava, então, participando da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, que, apesar da idade, era um típico produto da geração de 1977, a que apressou o fim de ditadura militar. “Veja só, hoje apoio um sujeito da minha idade, mas que em 1968 era um reacionário”, constatava.

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A DILMA QUE MORREU
As vidas de Lígia Nóbrega (foto) e Dilma se cruzaram.
Mas a ditadura determinou um destino diferente para as duas


O destino perdedor que afligia Palmeira estará superado quando Dilma subir a rampa do Palácio do Planalto para sua posse, no dia 1º de janeiro: 1968, enfim, terá terminado. “A minha geração é vencedora”, comemora agora o ex-ministro José Dirceu. “Chegou ao lugar que merece”, disse ele à ISTOÉ. Ainda um influente dirigente do PT, José Dirceu segue sem condições políticas de assumir cargos públicos. Outras figuras centrais de 68, no entanto, chegam ao poder ao lado de Dilma cotadas até para ocupar ministérios. O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, amigo íntimo da presidente eleita, é um deles. Pimentel foi um ativo militante da VAR, o mesmo grupo de Dilma e Lígia. Também pertenceram às organizações armadas o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins (Movimento Revolucionário 8 de Outubro, MR-8), o assessor da presidência Marco Aurélio Garcia (Partido Operário Comunista, POC), o ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc ( VAR) e mais uma penca de secretários e assessores do atual governo.Todos são entusiastas dos velhos tempos. Marco Aurélio Garcia, que era conhecido como Mag nos grupos clandestinos, já disse que os anos 60 foram “um momento luminoso do século passado.” No livro “1968, O Ano que Não Terminou”, do jornalista Zuenir Ventura, Franklin Martins recordou: “Não nos preocupava tanto se íamos ou não vencer. Estávamos preocupados em lutar.” Martins comandava colunas de estudantes nas passeatas de 68 e, no ano seguinte, participou do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick. Hoje ele se considera mais reformista, embora diga que ainda guarda um tanto do espírito da época: “A justiça social continua sendo o que me movimenta na política.”

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Planeta Terra em transe

Antonio Luiz M. C. Costa 29 de julho de 2010 às 15:43h

Multiplicam-se os sinais de recaída dos países ricos na crise e da incapacidade de seus governos de encontrar soluções

O debate sobre um segundo tempo da crise econômica dos paí-ses ricos ou, para os mais otimistas, uma “recuperação em W”, esquentou nas últimas semanas, com trocas de farpas entre economistas keynesianos e neoliberais e entre ambos e seus governos. A maioria dos banqueiros está decididamente com a ortodoxia neoliberal, mas seu pensamento já não é tão único.

A Casa Branca e vários governos europeus equilibram-se sobre o muro e a opinião dos investidores, a julgar pelas cotações de ações e títulos, é flutuante. Um dia ouve-se dizer que as bolsas caíram por “falta de confiança do mercado” na determinação dos governos de pagarem suas- dívidas, conforme alega a ortodoxia, no outro a explicação é que caíram por causa da expectativa de que as medidas de austeridade retardem a recuperação do crescimento econômico, conforme advertem os keynesianos. O Fed ora aflige-se com o crescimento da dívida dos EUA, ora com o risco de deflação. O presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, bate boca com Paul Krugman sobre a possibilidade de saí-da do euro, desmentido que sinaliza que o risco é levado muito a sério.

Os juros exigidos dos títulos de dívida da Irlanda pelos investidores não mostram maior disposição do “mercado” de recompensá-la por seu pioneirismo nas “medidas de austeridade” europeias. Enquanto isso, caem os juros dos títulos de longo prazo do Tesouro dos EUA, apesar de a Casa Branca não cogitar de grandes cortes de gastos a curto prazo.

Da verve de Krugman, Prêmio Nobel de Economia e o mais popular dos paladinos do keynesianismo, surgiram as “fadinhas da confiança”. Entidades análogas a Papai Noel que seria preciso supor para justificar a lenda urbana corrente entre os “economistas de água doce” (os de Chicago, junto aos Grandes Lagos – os da Costa Leste são menos ortodoxos), segundo a qual acabariam por ser premiados os governos dispostos a fazer sofrer trabalhadores e pensionistas para agradar seus credores, na maior parte grandes bancos e fundos por eles administrados. Que, diga-se de passagem, só foram salvos, por ora, de uma quebradeira sem precedentes desde 1929 porque os mesmos governos se endividaram para resgatá-los.

Em sua coluna no New York Times, Krugman coleciona evidências de que a economia da autoflagelação (ou melhor, da flagelação das massas pela elite financeira) não compensa. A Islândia pôs banqueiros na cadeia, recusou-se a pagar a dívida de seus bancos em plebiscito e elegeu um governo de centro-esquerda no lugar dos fãs de Ludwig von Mises e Friedrich Hayek. Pois teve uma retração menor e mostra sinais de recuperação antes da Irlanda, para não falar da Estônia e Letônia – que cortaram decididamente gastos públicos e salários e sustentaram a cotação de suas moedas ante o euro para garantir que seus credores não perderiam um centavo. Os bálticos só têm como prêmio de consolação os elogios da revista The Economist, que publicou um mapa imaginário no qual os põe no lugar das Ilhas Britânicas, ao lado da Irlanda, enquanto relega o Reino Unido, endividado pelo socorro ao sistema financeiro, à vizinhança de Portugal e Espanha.

No mundo real, não se vê nenhuma preocupação do mercado com a solvência do Reino Unido: seu prêmio de risco é um dos mais baixos (57º na lista dos 69 principais devedores) enquanto a Letônia (em 8º) tem o terceiro maior risco entre os europeus (depois da Grécia e Ucrânia, 4º e 5º, respectivamente). Portugal, Lituânia, Islândia, Irlanda e Espanha são vizinhos nessa escala (13º, 15º, 16º, 19º e 20º, respectivamente), mesmo se tentam políticas diferentes.

A pressão generalizada pela ortodoxia não se justifica por qualquer evidência empírica, mas também não se deveria tentar explicá-la como crença em fadinhas, apego aos livros sagrados do neoliberalismo ou resultado de pulsões sadomasoquistas. A pressão visa aproveitar a crise para encolher ao máximo o Estado de Bem-Estar Social e as garantias trabalhistas e concentrar o máximo de renda no setor privado, numa reedição dos ganhos das bolsas estadunidenses e britânicas dos anos 80 e 90 após Margaret Thatcher e Ronald Reagan – sem perceber que, após décadas de concentração de renda e flexibilização do trabalho, a tentativa de reeditar o mesmo ciclo pode ser social e politicamente catastrófica.

Nos EUA, 58% de todo o crescimento real de renda gerado entre 1976 a 2007 foi embolsado pelo 1% de famílias mais ricas. Na base da pirâmide, houve estagnação e queda dos salários reais, agravada a partir de 2008 pela crise e pelo desemprego. Na Zona do Euro, o aumento da desigualdade nos últimos anos também foi marcante: em 2000, os 20% mais ricos ganhavam 4,4 vezes mais que os 20% mais pobres; em 2004, 4,8 vezes. Na Europa como um todo, cresce a percepção popular nos seus países mais prósperos de que a União Europeia é um pretexto para minar direitos sociais e trabalhistas – e naqueles que mais claramente haviam se beneficiado da integração, os países menos ricos da periferia europeia, o sonho subitamente acabou.

Em Washington, os vetores das pressões da ortodoxia incluem o Tea Party, o Partido Republicano e as grandes empresas industriais e financeiras. A atuação dessas na propaganda política não tem mais limite, visto que o Supremo decidiu que pessoas jurídicas também têm completa “liberdade de expressão”. A Câmara de Comércio dos EUA, o maior dos lobbies empresariais, abriu fogo contra os déficits, as novas regulamentações (da saúde e do setor financeiro) e o “crescimento do governo”.

Uma parcela crescente da opinião pública se deixa convencer de que a política “socialista” de Obama inibe o investimento e a recuperação. Obviamente, a falta de investimento deve-se à presença de capacidade ociosa na maioria dos setores, consequência da recessão, mas o discurso pragmático, centrista e racional do presidente, enfraquecido pelos resultados pouco convincentes da política externa, tem dificuldades em se fazer compreender ante o apelo emocional do populismo de direita.
Na Europa, a principal alavanca das pressões é a Alemanha: ao fazer cortes de gastos públicos sem necessidade real e controlar o Banco Central Europeu, o país impõe ao continente uma austeridade artificial.

Contraproducente em relação aos interesses da própria indústria alemã, que tem os vizinhos europeus como seus principais clientes, mas que faz sentido em relação aos interesses percebidos do setor financeiro. Só a ameaça da França de pular fora da canoa do euro pôs um limite à truculência de Angela Merkel, disposta a deixar a Grécia quebrar para evitar a derrota governista numa eleição local. Os eleitores alemães sentem menos a crise. Ali, onde o aumento do desemprego foi relativamente pequeno e parece ter sido controlado, a percepção é que os outros países devem se arranjar como puderem. Não percebem o quanto essa política é desastrosa para gregos, portugueses e espanhóis, cuja economia está em queda livre, e o quanto sua prosperidade depende do resto do continente. Os mesmos analistas que se dizem preocupados com governos que não agem para reduzir o déficit entrarão amanhã em pânico com as manifestações e os conflitos sociais que tais cortes causarão.

Dos EUA ao Japão, passando pela Europa, as forças de centro e centro-esquerda, estejam ou não no poder, falham em apresentar discursos e propostas coerentes ante a crise. Receiam ser marginalizadas como “radicais” se apostarem em planos ousados e posições firmes. Em busca de um consenso impossível, repetem o discurso da direita em tom mais sereno e executar de maneira tímida e hesitante, as mesmas medidas que a direita exige com entusiasmo, principalmente a mais populista, que não tem vergonha de explorar preconceitos nacionais e raciais. Nos EUA, as principais vítimas são os hispânicos, transformados pelos republicanos, a partir do Arizona, em bodes expiatórios dos problemas nacionais. Na Europa, os muçulmanos: na França, a polêmica artificial em torno do “véu integral” usado por apenas duas mil mulheres no país serve de cortina de fumaça para desviar atenções do adiamento da aposentadoria e do escândalo L’Oréal.

Onde se mostram confusos e hesitantes, a direita populista, ao estilo de Sarah Palin e Glenn Beck ou de Silvio Berlusconi, aparenta clareza e entusiasmo e pode crescer, na medida em que consegue convencer um número suficiente de eleitores de que têm algo a ganhar ao tirar a rede de proteção aos menos favorecidos e expulsar imigrantes e minorias. Mas suas políticas não ajudarão a sair da crise e poderão agravá-la a médio prazo. O resultado mais geral é o impasse: na Alemanha, na França, no Reino Unido e nos EUA, veem-se governos enfraquecidos, dependentes de uma base parlamentar cada vez mais frágil.

Krugman gosta de fazer a comparação entre os EUA de hoje e o estagnado Japão pós-bolha dos anos 90, e também do atual cenário mundial com o dos anos 30 – e o debate atual como uma reedição, sem avanços, do que se deu entre Lord Keynes e Hayek na mesma ocasião. O cenário também recorda, sob muitos aspectos, a América Latina dos anos 80 e 90.

Em todos os casos, a perspectiva econômica é de uma década perdida. Moratórias das dívidas de alguns países, falências de alguns grandes grupos financeiros e empresariais e dez ou mais anos de estagnação, acompanhada de forte queda de ações e títulos à medida que os investidores tomem consciência disso: a previdência privada não será mais atraente que a social. O desemprego permanecerá relativamente alto e as contas públicas precárias: sem crescimento, será difícil reduzir o endividamento.

A diferença entre eles está na resposta política. Nos anos 30, predominou o fascismo, exceto nos países de tradições democráticas mais sólidas. O Japão permanece no marasmo: a troca do Partido Liberal-Democrático pelo Partido Democrático não trouxe mudanças reais. Na América Latina, foi, na maioria dos casos, uma virada à esquerda com o crescimento de novas lideranças e movimentos populares. Qual o caminho a ser seguido pelos países ricos? Possivelmente serão divergentes e será muito difícil manter a unidade da Zona do Euro, ainda que nenhum dirigente ouse discutir o assunto abertamente. Mesmo que a moeda única sobreviva, o continente não conseguirá aplicar uma política econômica coerente ou ter um papel construtivo na recuperação global. Os movimentos separatistas em alta na Catalunha, no País Basco, na Irlanda do Norte, no norte da Itália e em Flandres mostram que está em questão não só o futuro da União Europeia, como o de seus próprios integrantes como nações.

O Ocidente, como um todo, tende a encolher em termos relativos, mas as políticas ortodoxas farão o recuo ser maior e mais rápido do que seria inevitável. Não estamos mais nos anos 30, quando a hegemonia da Europa e dos EUA era tal que sua crise deixava o mundo sem opção. Hoje, as nações independentes da Ásia e do Sul têm um peso muito maior. Sua demanda tem permitido que muitos dos países exportadores de petróleo e commodities da África, Ásia Central e América Latina prosperem.

Mas esses não estão isentos de problemas. As dificuldades das empresas exportadoras e o crescimento das greves e dos movimentos trabalhistas na China e no Sudeste Asiático sinalizam que, também lá, o “milagre” está chegando ao fim. Mais cedo ou mais tarde, o ritmo de crescimento vai ter de diminuir e a prioridade passará a ser redividir o bolo.

No melhor dos mundos, isso aconteceria de maneira coordenada, com o crescimento do mercado interno da China e, depois, de outros países periféricos substituindo gradualmente o dos Estados Unidos e da Europa. Em uma era de estagnação e conflito interno dos desenvolvidos, cenários catastróficos não estarão fora de questão. Um governo radicalmente conservador nos EUA, perspectiva muito plausível para 2012, pode se sentir estimulado à guerra para reativar a economia e tentar reverter seu declínio.

Fidel Castro, que voltou à ativa depois de três anos de convalescença, reuniu-se com os economistas do cubano Centro de Investigações da Economia Mundial, em 14 de julho, para discutir o risco de ataque dos EUA ao Irã (que inicialmente previu para junho) e pedir-lhes a se dedicarem quatro horas por dia, nos dez dias seguintes, a elaborar um “ensaio de ficção científica” sobre as opções da América Latina em caso de guerra nuclear. Sua preocupação talvez seja prematura, mas está longe de ser demência senil. •
Antonio Luiz M. C. Costa

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Uma Proposta de Felicidade

A Alegria de Crer…

Janeiro 17, 2009
Uma Proposta de Felicidade

Publicado em Andreia às 05:55 por odesafio9ano



O que é para cada um de nos a Felicidade???

Um dia, enquanto os outros descansavam, o Homem e a Felicidade decidiram jogar às escondidas. Mas eram tão inseparáveis que não tardavam a encontrar-se imediatamente. Cada vez, era mais difícil encontrar um lugar diferente onde esconder-se. Acontece que, quando tocou a vez de ser a Felicidade a esconder-se, a Mentira, que passeava por ali disfarçada de Verdade, aconselhou-a a que se escondesse dentro do Homem, porque esse seria o último lugar onde lhe ocorreria procurar. A Felicidade assim fez. Aproveitando um descuido do homem, introduziu-se no seu coração.

Quando o Homem se pôs a procurá-la, não havia maneira de a poder encontrar. O tempo passava e começou a crescer nele o medo de que tivesse acontecido algo à Felicidade. O certo é que não podia viver sem ela. A Felicidade gritava desde o coração do Homem, para lhe dizer onde estava, mas o Homem estava tão preocupado em buscá-la por fora que não prestava atenção ao seu interior. E quando isso acontece, as portas do coração fecham-se, deixando nele encerradas todas as suas riquezas. Então a Mentira, disfarçada de Verdade, aproximou-se do Homem para lhe dizer que tinha visto a Felicidade a caminhar pelo caminho que levava ao Reino da Obscuridade. O homem, sem duvidar, correu para esse reino. Mas quanto mais avançava naquela direcção, algo muito forte dentro dele lhe dizia que esse não era o caminho certo. Deteve-se um momento, na sua frenética correria, e logo começou a escutar os gritos desesperados da Felicidade, que o chamava desde a profundidade do seu coração.

A partir de então, decidiram tornar-se inseparáveis e não se perderam de vista, para que a Mentira não os voltasse a enganar. E assim, a Felicidade ficou para sempre a residir no mais profundo do coração humano.

felicidade

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Se a felicidade mora dentro do coração do homem, porque ë tao dificil ser feliz?

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5 Comentários »

1.

José Sá disse,

Fevereiro 5, 2009 às 06:39

Porque os homens não querem perder tempo, e perdem tudo. Andam atrás da felicidade esquecendo-se do essencial.
Responder
2.

odesafio9ano disse,

Fevereiro 5, 2009 às 06:43

HOJE É TEMPO DE SER FELIZ!

A vida é fruto da decisão de cada momento.
Talvez seja por isso,
que a idéia de plantio seja
tão reveladora sobre a arte de viver.

Viver é plantar. É atitude de constante semeadura,
de deixar cair na terra de nossa existencia
as mais diversas formas de sementes.

Cada escolha, por menor que seja,
é uma forma de semente que lançamos
sobre o canteiro que somos. Um dia,
tudo o que agora silenciosamente plantamos,
ou deixamos plantar em nós,
será plantação que poderá ser vista de longe…

Para cada dia, o seu empenho.
A sabedoria bíblica nos confirma isso,
quando nos diz que

“debaixo do céu há um tempo para cada coisa!”

Hoje, neste tempo que é seu,

o futuro está sendo plantado.
As escolhas que você procura,
os amigos que você cultiva, as leituras que você faz,
os valores que você abraça,
os amores que você ama,
tudo será determinante para a colheita futura.

Felicidade talvez seja isso:
alegria de recolher da terra que somos,
frutos que sejam agradáveis aos olhos!

Infelicidade, talvez seja o contrário.

O que não podemos perder de vista é
que a vida não é real fora do cultivo.
Sempre é tempo de lançar sementes…
Sempre é tempo de recolher frutos.
Tudo ao mesmo tempo. Sementes de ontem,
frutos de hoje,
Sementes de hoje,
frutos de amanhã!

Por isso, não perca de vista o que você
anda escolhendo para deixar cair na sua terra.
Cuidado com os semeadores que não lhe amam.
Eles têm o poder de estragar
o resultado de muitas coisas.
Cuidado com os semeadores que você não conhece.
Há muita maldade escondida em sorrisos sedutores…

Cuidado com aqueles que deixam cair
qualquer coisa sobre você, afinal,
você merece muito mais que qualquer coisa.

Cuidado com os amores passageiros…
eles costumam deixar marcas
dolorosas que não passam…

Cuidado com os invasores do seu corpo…
eles não costumam voltar para ajudar
a consertar a desordem…

Cuidado com os olhares de quem não sabe lhe amar…
eles costumam lhe fazer esquecer
que você vale à pena…

Cuidado com as palavras mentirosas
que esparramam por aí…
elas costumam estragar o nosso
referencial da verdade…

Cuidado com as vozes que insistem
em lhe recordar os seus defeitos…
elas costumam prejudicar
a sua visão sobre si mesmo.

Não tenha medo de se olhar no espelho.
É nessa cara safada que você tem,
que Deus resolveu expressar mais uma vez,
o amor que Ele tem pelo mundo.

Não desanime de você, ainda que a colheita
de hoje não seja muito feliz.

Não coloque um ponto final nas suas esperanças.
Ainda há muito o que fazer,
ainda há muito o que plantar,
e o que amar nessa vida.

Ao invés de ficar parado no que você fez de errado,
olhe para frente,
e veja o que ainda pode ser feito…

A vida ainda não terminou.
E já dizia o poeta
“que os sonhos não envelhecem…”

Vai em frente.
Sorriso no rosto e firmeza nas decisões.

Deus resolveu reformar o mundo,
e escolheu o seu coração para iniciar a reforma.

Isso prova que Ele ainda acredita em você.
E se Ele ainda acredita,
quem sou eu pra duvidar… (?)

Padre Fábio de Melo
Responder
3.

Andreia Costa disse,

Fevereiro 6, 2009 às 05:46

Ser Feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e período de crise.

Ser Feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornam um autor da própria história…É atraves desses desertos fora de si, mas ser capaz de encontar um oásis no recôndito da sua Alma!.

Agradecer a Deus a cada manhã peço milagre da vida…

É saber falar de si mesmo…
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter coragem e segurança para receber uma critica, mesmo que injusta…
A Felicidade,é tudo isto e muito mais. è preciso que as pessoas sabem viver e utilizar esse sentimento:
Felicidade!

Andreia Catarina Ferreira da Costa
Responder
4.

Mario Francisco Moreira disse,

Fevereiro 9, 2009 às 07:22

A felicidade não se resume a um mero acto de sermos felizes, mas também a um acto altruísta de a estender aos outros. Pequenos actos no nosso dia-a-dia como, visitar os doentes ou dar apoio a um amigo em momentos difíceis, são também, importantes formas de felicidade, pois o ser humano não é feliz apenas realizando-se a si próprio, mas também servindo os que lhes são próximos e pelos quais tem estima. Por vezes um homem não é feliz mesmo, tendo tudo (casa, trabalho, carro, etc.), pois falta-lhe algo que o complete, e esse algo é estender o seu bem-estar e qualidade de vida aos que lhe são próximos, e assim, tornar melhor o mundo á sua volta. Por vezes, o homem não é feliz pois busca uma felicidade que não existe, uma felicidade que não olha a meios para atingir os fins, uma felicidade que para ser atingida sacrifica os outros, uma felicidade sem escrúpulos e com segundas intenções, uma felicidade que magoa e causa desigualdade.

Isto não é uma felicidade, isto é egoísmo e ganância, na medida em que o homem só se preocupa consigo e esquece os seus semelhantes, desrespeitando-os, humilhando-os e servindo-se deles para atingira sua própria felicidade.

Mário Francisco da Silva Azevedo Moreira
9º ano de catequese Sequeiro.
Responder
5.

Carla (Catequista 3º Ano) disse,

Fevereiro 11, 2009 às 19:23

A felicidade vem ao nosso encontro, não é preciso procurá-la….O que é precisamos de procurar é: VIVER…E este viver não é ter tudo, é tentar SER tudo: um ser humano trabalhador, empreendedor, que não se contenta com a mediocridade; um ser humano justo, humilde, à disposição do outro, cheio de amor para dar; um ser humano de valores, que não embandeira a fé quando tudo corre bem, e a renega quando alguma coisa de mal lhe acontece.
Se soubermos VIVER assim, vamos de certeza ao encontro da Felicidade!!
Responder
Oi, é com muita sinceridade que escrevo.

Sou evangélico e luto com todas as forças para provar que a igreja católica não é a igreja de Jesus. Debatendo com um amigo ele me deu este site para pesquisar as perguntas que fazia para ele.

Entrei e vi que você, com todo o respeito já havia dado algumas respostas sobre o que eu achava de vocês, e li uma coisa que foi escrito no site, que era para não termos ódio no coração quando se tratar da igreja católica.

Pois muito bem, li mais e mais artigos seu e tenho que admitir o seu conhecimento, e uma coisa engraçada me aconteceu, não entendi o que vocês queria dizer com ódio no coração, mas comecei a ver a igreja católica com outros olhos e comecei a questionar a minha religião.

O pastor de minha igreja se desentendeu com ela e saiu para fundar outra e nos chamou para segui-lo, ele declarou que essa religião evangélica (prefiro não mencionar qual) era errada e a dele que ia ser a correta. Daí eu vi que ele começou a tratar a igreja que eu seguia como a igreja católica.

Tive uma noite de cão pois estava decepcionado com aquela atitude e comecei a pesquisar no seu site. Hoje não tenho ódio no coração e acredito que Maria morreu virgem como já foi provado no seu site, eu não sou cego e nem burro como a maioria.

Hoje quero não só te chamar de amigo, mas também de irmão, mas tenho uma outra dúvida.

MARIA REALMENTE SUBIU PARA O CÉU?

O QUE É DÓGUIMA DE FÉ?

Pergunto com toda a sinceridade do meu coração sem querer fazer intrigas do fato.

Hoje não me considero um evangélico, mas sim um protestante perdido, fui excluído de minha igreja por duvidar de sua integridade e me sinto envergonhado de tantas injustiças com a mãe de Jesus.

Não quero julgar mais e sim acreditar que Maria é a mãe da igreja Católica e que a Igreja Católica é a verdadeira.

Obs: meu próximo desejo e receber o corpo de Cristo na comunhão.

Com muita admiração a seus cuidados com a fé

Seu futuro irmão

Cristiano.

Nossa Senhora Aparecida e os Evangélicos

Nossa Senhora Aparecida e os Evangélicos

Félix Maier

Todo ano, por ocasião da festa de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, há vozes que se levantam contra o evento religioso, a exemplo de ateus, positivistas e, principalmente, evangélicos. Na última década, a oposição à figura da mãe de Cristo não tem se atido a palavras, mas também a ações violentas, típicas da intolerância religiosa vista há pouco tempo entre os talibãs, quando estes subjugaram o Afeganistão à lei corânica.

Em 12 de outubro de 1995, vimos, estarrecidos, o pastor Sérgio von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, chutar uma estátua de N. Sra. Aparecida em um programa de TV. O pastor aloprado recebeu 2 anos de condenação, que foi transformado em pena alternativa, e foi transferido para uma igreja da Universal na África, para esfriar a cabeça oca. O mascate da fé eletrônica deveria ter ficado pelo menos uns 20 anos no xilindró, porque aquele ato insano poderia ter provocado uma reação sem limites dos católicos de todo o Brasil. Ainda bem (será mesmo?) que os católicos dão a outra face a tapa, quando levam um soco na cara. Se um ato semelhante tivesse sido cometido contra a religião islâmica, por certo todas as igrejas de Edir Macedo teriam sido incendiadas. E ele próprio explodido por algum homem-bomba.

Um pouco antes do triste episódio, já havia uma “guerra santa” entre a TV Globo e a Igreja Universal. A Globo exibia a minissérie Decadência, com Edson Celulari no papel de Edir Macedo. A Universal rebatia os tiros na sua própria TV, a Record, no programa “25ª Hora”, além da panfletagem anti-Globo em seu jornal Folha Universal, então com uma tiragem média de 700.000 exemplares. Recentemente, por ocasião da inauguração da Record News, Edir Macedo destilou todo seu veneno acumulado por quase duas décadas contra a Rede Globo, na presença do presidente Lula e outros convidados ilustres.

Anos atrás, o advogado evangélico Eurípedes José de Farias entrou na Justiça contra Nossa Senhora Aparecida. Seu alvo é a lei 6.802, de 1980, que consagrou a Santa como padroeira do Brasil e declarou o dia 12 de outubro feriado nacional em sua homenagem. “Os evangélicos também são brasileiros e para nós isso é idolatria” – afirma o zangado causídico, que espera receber R$ 1,2 milhão por cada ação movida por ele contra a Padroeira, ao mesmo tempo em que escreve o livro “Nossa Senhora e a batalha nos tribunais”. Mais grana em jogo. “Templo é dinheiro” – diria o casal de líderes da Igreja Renascer presos nos EUA este ano, por contrabando de dólares.

Se Jesus Cristo fosse escolhido padroeiro do Brasil, certamente os evangélicos acolheriam a medida sem contestação alguma. A propósito, o então senador Paulo Octavio, hoje vice-governador do Distrito Federal, já propôs que Cristo Rei seja declarado padroeiro do Brasil. Obviamente, a idéia é destituir N. Sa. Aparecida do posto de Padroeira, nada mais. Mas, aí os positivistas e marxistas também poderiam se sentir discriminados. E todos os adeptos das outras religiões, como os budistas e os muçulmanos. Sendo os católicos maioria no Brasil, não é nenhuma aberração que Nossa Senhora seja a Padroeira. Quando todos os brasileiros forem ateus, Karl Marx será um ótimo nome para padroeiro. E poderá ser retirada da Constituição a palavra “em nome de Deus”. E também retirados os crucifixos das paredes do Parlamento e do Supremo Tribunal Federal.

Engraçados, esses protestantes, que tanto acusam os católicos, de que adoram estátuas, quando na verdade sabem muito bem que apenas veneram a Mãe do Salvador, assim como se guarda com carinho uma fotografia da mãe, da avó ou da esposa, para afagar de vez em quando, seja num álbum caprichosamente montado em casa, seja a foto guardada em uma simples carteira de dinheiro.

Ora, todos os cristãos – inclusive os evangélicos - sabem muito bem que sem Nossa Senhora não haveria Jesus Cristo. Por que, então, toda essa ignorância e intolerância contra Maria? Até o Corão, livro sagrado do islamismo, que se originou a partir do judaísmo e do cristianismo, tem um capítulo, de número 19, especialmente dedicado a Nossa Senhora, denominado Maryam (Maria), que em árabe quer dizer “devota”. E o nome de Maryam, a Mãe de Nosso Salvador e Mãe de todos os cristãos, é citado 33 vezes no livro sagrado do islã. Por que pessoas que se dizem cristãs não conseguem ter veneração por uma mulher tão singular, tão “cheia de graça”, cujo corpo imaculado nem sequer os muçulmanos colocam em dúvida? “O anjo disse: Assim seja, pois o Senhor disse: Isto é fácil para mim” (Maryam, 19:17).

A intolerância dos talibãs evangélicos só tem crescido nos últimos anos. Na cidade de Valparaíso, GO, cidade do entorno do DF, ocorreu uma jihad tapuia. A inauguração de uma estátua de São Francisco de Assis numa praça da cidade gerou reclamações de evangélicos, que exigiram a imediata retirada da escultura do santo que é, por sinal, o padroeiro da cidade. Segundo a revista Time, São Francisco é o maior santo do segundo milênio.

No Rio de Janeiro, o Morro Santa Marta foi rebatizado pelos evangélicos como sendo o “Morro Dona Marta”. Só não mudou o barulho dos foguetes e da fuzilaria dos traficantes, que continuam atuando como dantes, no terreiro dos xavantes. Nem mesmo Caco Barcelos em seu livro Abusado – o dono do Morro Dona Marta (Record, 2003) sabe onde pisa, pois uma foto interna do livro se refere à “Favela Santa Marta”. Se prosseguir o intento talibã, logo os “bíblias” estarão modificando os nomes dos Estados, das cidades e das instituições nacionais. Que tal Estado de Dona Catarina, Cidade de Dom Paulo, Casa da Dona Misericórdia, Hospital Dona Helena? A propósito, durante o governo Antony Garotinho, uma força de elite policial era composta quase que exclusivamente por evangélicos. O mesmo ocorreu em uma unidade do Exército no Nordeste, quando militares evangélicos eram os preferidos na transferência para lá.

Nem mesmo minha tranqüila Joaçaba, SC, que recentemente apareceu no mapa do Brasil por conta da briga de dois ganhadores da Megasena, escapou da intolerância evangélica. Primeiro, foi negado pela Câmara dos Vereadores que se colocasse o nome de Frei Edgar numa praça em frente à catedral que o frade em questão havia construído, além de ter levantado o Hospital Santa Terezinha e o Colégio Crito Rei. Enfim, um benfeitor de toda a cidade. Depois, em uma mesa redonda, evangélicos se posicionaram contra a construção de uma estátua a Frei Bruno, que será a 4ª maior do mundo, depois de uma estátua gigante que será construída na Índia, da Estátua da Liberdade e do Cristo Redentor. Pergunto: qual o direito de os evangélicos serem contra a construção da estátua em que não irão despender sequer um centavo? E se os joaçabenses construíssem uma estátua gigante de Buda no mesmo local, qual o problema? A estultice evangélica não consegue ver que tal monumento só traz benefício para a cidade, pelo acréscimo de turistas do Brasil e do mundo inteiro que acorrerão ao local.

Durante cerimônia de casamento de um meu irmão, também em Joaçaba, realizada numa Igreja Presbiteriana, o pastor passou a atacar a Igreja Católica, chamou o Papa de anticristo e referiu-se aos padres como “morcegos”, talvez devido à roupa preta que uns poucos sacerdotes ainda usam. Esqueceu-se o infeliz pastor que ele era na verdade o “urubu-rei”, já que, durante as rezas e os escárnios, estava metido num traje tão ou mais preto quanto o dos seus desafetos.

Sérgio von Helder continua fazendo escola. No dia 25 de outubro de 2004, José Rocha do Nascimento, da mesma igreja do pastor talibã, invadiu a Catedral Militar Rainha da Paz, em Brasília, durante a reza do terço, ergueu a imagem de Nossa Senhora e a jogou no chão, onde se espatifou em quatro pedaços. Levado para a 3ª Delegacia de Polícia, no Cruzeiro, disse que aquele tinha sido “o dia mais feliz de minha vida”. E acrescentou: “Deus está contente por eu ter feito isso. Ele não gosta da idolatria” (Correio Braziliense, 7/11/2004, pg. 28).

Felizmente, episódio bem diferente se observa na Vila Naval Almirante Visconde de Inhaúma – Área Alfa, perto de Valparaíso, GO. Na Capela Sagrado Coração de Jesus e Maria, ocorrem cultos, tanto de católicos, quanto de evangélicos. A única exigência dos evangélicos é que as estátuas dos santos sejam retiradas antes do culto. Um ecumenismo que deveria ser a regra neste País, não a exceção.

Nestes anos todos, eu, que sou católico, nunca ouvi nenhum padre falar mal de outra religião. O mesmo não ocorre com os evangélicos. Em duas ocasiões, eu fui assistir a um culto da Assembléia de Deus, no Rio de Janeiro, a convite de meu cunhado. Lá, ouvi críticas de pastores contra os católicos, repetindo a lenga-lenga de que nós adoramos estátuas, quando apenas as veneramos. Numa daquelas ocasiões, um dos pastores pediu para todos os presentes orarem pela conversão de João Paulo II...

Estátuas do candomblé são destruídas nas margens do Lago Paranoá, em Brasília. Quem são os autores? Pelo que é dito por pastores evangélicos nas TVs brasileiras, esbravejando contra “macumbeiros”, é fácil a polícia achar uma pista. Não prende ninguém porque não quer.

Numa democracia, as leis são sempre decididas pela maioria. Isso não significa que a maioria tem o direito de impor, p. ex., sua religião sobre os outros. Nesse sentido, o melhor exemplo vem dos Estados Unidos, onde existe efetivamente a separação entre o Estado e a religião, ainda que em sua moeda se leia In God we trust. Questão cultural. Se o marxismo um dia vier a se estabelecer naquele país, por decisão da maioria, a moeda bem que poderia ter a legenda In Marx we trust. Seria apenas uma questão de coerência. Bobagem é o que se verifica na França, quando estudantes islâmicas são proibidas de usarem véus nas escolas, e cristãos de pendurarem um crucifixo no pescoço, ao mesmo tempo em que se pode vestir uma camisa com o rosto do serial killer Che Guevara, “el chancho” (o porco) ou de um cantor pop especializado em consumir drogas pesadas.

Se a maioria do povo brasileiro tem origem cristã, não há nenhum motivo para que todos os símbolos religiosos, cristãos ou não, sejam simplesmente apagados da vida nacional. Nossa Senhora é a padroeira do Brasil porque a maioria do povo é católica. Nada mais justo dentro de um Estado democrático, por mais que os marxistas, os positivistas e os talibãs evangélicos esperneiem.


Fonte: http://www.webartigos.com/articles/2386/1/Nossa-Senhora-Aparecida-E-Os-Evangelicos/pagina1.html#ixzz13YNvrMf7