Apesar de viver num lugar maravilhoso e feliz, não foi suficiente para esbanjar saúde e escapar de doenças, isso porque fatores genéticos nos predispõem a certas situações. Acho que já falei do meu hipotiroidismo, que chegou de repente sem avisar. Num belo dia senti alguns desconfortos , visita ao médico , realizações de exames e a constatação do TSH alto e a entrada na rotina de tomar hormônios. Quem conhece as complicações do hipotiroidismo sabe que nosso corpo passa por transtornos sérios.
Passado algum tempo de tratamento comecei a emagrecer rápido quando deveria está engordando já que é isso que acontece na hipo ,passei a sentir dores nas articulações, boca dolorida, gastrite , sonolência e fraqueza. De volta a Endocrinologista não fiquei satisfeito com a conversa de que meu peso ainda estava dentro do IMC e que precisava melhorar minha alimentação. Em casa, a mesma coisa, tudo era porque eu não me alimentava direito e eu vivendo um drama.... o que mais estava acontecendo comigo? Vivi uma espécie de solidão, não porque minha família não me amasse, mas por uma avaliação errada.
Comecei a sentir dormência nos pés e nas pontas dos dedos das mãos, de volta a Endocrinologista fiz esta queixa, e ela então me mandou procurar um Neuro. Fiz isso rapidamente, estava sofrendo muito, já não tinha vontade de ficar no sitio, não fazia atividade nenhuma, nem regar as plantas eu podia, então chorei muito desanimado.Mas a minha ida ao Neuro foi uma benção! Saí de lá com 15 requisições de exames, a maioria extranhos para mim, fiz até o exame CEA. Com os resultados na mão voltei ao médico que abriu um sorriso e me disse:
João, seu problema está resolvido, você está com uma deficiência séria de VITAMINA B 12.
Fui encaminhado a um Hematologista que pediu mas exames e receitou a reposição de B12, me dizendo que talvez eu tenha que fazer reposição o resto da vida.Já na primeira semana a dormência das mãos desapareceram , mas adiante minha boca ficou normal, a gastrite desapareceu, as dores sumiram e engordei 6 kg, minha Auto-estima voltou e as forças também, já pego na enxada, facão e foice , já labuto no sitio como antes e dia 13 estarei embarcando para Sampa já com a programação para Holambra definida, vou curtir São Paulo,um lugar que gosto muito de visitar. Obrigado pela lembrança amiga NEUSA, fiz este depoimento com a intenção de colaborar pois dizem que o diagnóstico de deficiência de vitamina B 12 é ainda pequeno, médicos desatualizados fazem ou encaminham pacientes para opções erradas.
DEFICIENCIA DE VITAMINA B12 Dizem que o diagnóstico de deficiência de vitamina B 12 é ainda pequeno, médicos desatualizados fazem ou encaminham pacientes para opções erradas.
IMPORTANTE LER.
Dizem que o diagnóstico de deficiência de vitamina B 12 é ainda pequeno, médicos desatualizados fazem ou encaminham pacientes para opções erradas. Uma paciente disse na “Comunidade Vitamina B12”: “fui diagnosticada diversas vezes de forma errada, ate doença de Crohn falaram que eu tinha e tomei mta medicação!!!”
Enfim, nao é facil descobrir q a pessoa tem deficiencia de B12...nao tenho o fator intrinseco, por consequencia, tenho anemia perniciosa ou megaloblastica (é a mesma coisa). O meu sintoma na epoca era mta diarreia...entao, fiz varias colonoscopias e ninguem nunca me pedia uma endoscopia, tinha mal-estar, fraqueza, perda de peso, de apetite, sempre anemica....e tomava mto corticoide, melhorava e piorava, foram 2.5 anos da minha vida assim!!! Descobri em um hospital publico aqui de Brasilia (HUB) que nao tinha Crhon e q poderia ser outra coisa!!!!
Por isso, to aqui, pra dizer pras pessoas que nao desanimem....hj em dia a medicina ta mto complicada, varios medicos, varias opinioes e vc acaba ficando perdido!!! Se tivesse acreditado q tinha Crohn, como os medicos da rede particular me disseram, estaria tomando remedios ate hj, qdo a gte tem uma doenca mto rara, nao fique apenas como uma opiniao, corra atras!!!!
Hj reponho a B12 todo mes, ja repus de 15 em 15 dias pra formar uma reserva.....to super bem....tomava Citoneurim.
Minha B12 chegou a 98...mto baixa, sentia uma dor nas pernas insuportavel, que nao passava com nada....era o que mais me incomodava.....mas hj to super bem....e pra gte que tem def de B12 por problemas gastricos...nossa b12 nunca deve estar menor que 400!!!! ok???
Tudo, ou quase tudo, sobre a vitamina B12 (Cobalamina)
Eric Slywitch - Nutrólogo
O que você vai encontrar neste texto
Como vegetariano adoraria dizer que nesse tipo de opção alimentar não é necessária a preocupação com nenhum nutriente.
No entanto os estudos científicos sobre a adequação nutricional da dieta vegetariana nos mostram que a vitamina B12 é o único nutriente que talvez não consigamos uma perfeita adequação, no caso dos veganos.
Os vegetarianos encontram enormes dificuldades de orientações médico/nutricionais devido à desinformação de muitos profissionais com relação ao vegetarianismo.
Segundo a ADA (American Dietetic Association) e nutricionistas do Canadá em seu posicionamento sobre dietas vegetarianas de 2003 encontramos o seguinte parecer:
“Os profissionais da nutrição têm a responsabilidade de apoiar e encorajar os que demonstram interesse pelo consumo de uma dieta vegetariana.”
Textos da ADA de 1997 já afirmavam que a dieta vegetariana pode ser utilizada em todas as etapas da vida (incluindo a gestação e a infância). Cerca de 8 anos após ainda ouvimos absurdos sobre a dieta vegetariana. E o que é pior: por profissionais ligados à área de nutrição.
O objetivo desse material é o de esclarecer as inúmeras dúvidas que tenho ouvido a respeito da vitamina B12 no contexto da dieta vegetariana.
Espero que esse texto ajude a orientar você que é vegetariano, simpatizante ou que tem a intenção de se tornar vegetariano. Esse texto também pode ser útil aos profissionais de saúde que gostam de estudar e que têm contato com vegetarianos.
O nosso foco aqui é com relação à vitamina B12. Procurei montar um texto relativamente completo.
Entremos em acordo: vitamina B12 e cobalamina são sinônimos !!
Vamos conhecer essa vitamina hidrossolúvel (solúvel em água) de cor rosa ?
Histórico
Revisando a literatura médica, alguns pesquisadores demonstraram que em 1824 já existiam relatos de uma doença (anemia perniciosa), geralmente fatal em 1 a 3 anos após o seu diagnóstico.
A solução terapêutica surgiu apenas em 1926 quando George Minot e Willian Murphy demonstraram que a ingestão diária de uma dieta contendo bife de fígado levemente cozido levava a uma remissão da anemia após alguns meses.
A vitamina B12, ou Cobalamina, foi isolada pela primeira vez em 1948 simultaneamente nos Estados Unidos e na Inglaterra.
Em 1963 foram descobertas as primeiras funções metabólicas dessa vitamina.
Em 1979 as suas funções metabólicas foram elucidadas e a sua síntese concluída.
Desde o seu desenvolvimento histórico 2 prêmios Nobel foram recebidos devido a ela.
Para que serve essa vitamina ?
Resumidamente: para a formação do sangue, manutenção do sistema nervoso e funcionamento normal da vitamina B9 (ácido fólico).
Quanto precisamos dessa vitamina ?
As doses recomendadas podem apresentar pequenas variações conforme a fonte utilizada.
Segundo a Food and Nutrition Board, 1998, as recomendações são (valores em mcg/dia):
0 a 6 meses 0,4
6 a 12 meses 0,5
1 a 3 anos 0,9
4 a 8 anos 1,2
HOMENS
09 a 13 anos 1,8
15 a 18 anos 2,4
19 a 50 anos 2,4
Mais de 50 anos 2,4
MULHERES
09 a 13 anos 1,8
15 a 18 anos 2,4
19 a 50 anos 2,4
Gestação 2,6
Lactação 2,8
Como essa vitamina é formada ?
A única forma da cobalamina ser fabricada (sintetizada) é através de bactérias.
Portanto, são as bactérias quem produzem a vitamina B12.
Se são as bactérias que produzem a B12, por que ela pode ser encontrada nas carnes e no fígado ?
A presença de vitamina B12 nas carnes se deve ao fato de que os animais ingerem ou absorvem (quando produzidas pelas bactérias do seu trato gastrointestinal) a vitamina (produzida pelas bactérias !!).
A presença de vitamina B12 no leite e nos ovos se deve à passagem dela do animal para as suas secreções.
Aliás, 50 a 90 % da vitamina ingerida pelos animais é estocada no fígado.
A cobalamina não pode ser encontrada em alimentos de origem vegetal ?
Vamos deixar isso bem claro: quem produz essa vitamina são as bactérias !!
Da mesma forma que frango e peixe não são vegetais (você vegetariano já ouviu muito esse tipo de “equívoco”, não ouviu ?), bactérias também não são vegetais.
Plantas não produzem vitamina B12 !!!
Portanto, se existir B12 em qualquer alimento de origem vegetal isso ocorreu por contaminação bacteriana.
OBS – Pode também ocorrer vitamina B12 por contaminação das carnes, mas o alto teor de cobalamina existente nelas se deve à sua presença na própria carne (ingestão e absorção do animal) e não por contaminação.
Curiosidade
Morcegos de fruta obtêm B12 pelo consumo inadvertido (o bicho é ceguinho !!) de insetos nas frutas.
Os principais microorganismos intestinais que produzem a B12 se chamam actinomices.
Não somos ruminantes. Não temos várias câmaras gástricas e nem a mesma abundância de flora desses animais nessas câmaras. Não somos capazes de adquirir a B12 da mesma forma que as vacas.
Portanto: nada feito !! Não confie na sua flora intestinal como suprimento de B12.
Vegetarianos ingerem menos B12 ?
Depende da quantidade de produtos animais ingeridos, da higienização dos alimentos e de quem estamos comparando.
Alguns estudos demonstraram que onívoros:
Homens comendo 2400 kcal e 70 g de proteína – ingeriam 5,2 mcg de B12 por dia
Mulheres comendo 1400 kcal e 53 g de proteína – ingeriram 5,6 mcg de B12 por dia
A ingestão de fígado contribuía para essas diferenças.
Ingestão com a dieta vegetariana: 0,25 a 0,5 mcg/dia – proveniente da atividade bacteriana no alimento, água e de derivados de leite ou ovos ingeridos.
Atenção !!
Dietas fornecendo 0,5 mcg/dia de B12 ou menos estão associadas com uma alta proporção de pessoas com níveis sanguíneos mais baixos dessa vitamina.
Não seja teimoso !!
Se você é vegetariano, principalmente se é vegano, não dê mole para a B12.
Inúmeros estudos demonstram que vegetarianos têm níveis sanguíneos mais baixos de B12.
A Índia é um país pobre onde as condições de higiene são precárias e grande parte da população come com a mão. Tudo a favor das bactérias e da B12.
Um estudo na Índia com 15.000 pessoas, quase todas vegetarianas demonstrou que 54 % tinham baixas concentrações sanguíneas de B12.
Portanto: não confie nas bactérias como fonte de cobalamina !
Se eu cozinhar o alimento perderei a B12 contida nele ?
A vitamina B12 é termoestável, ou seja, resiste à elevação de temperatura.
Pesquisas demonstram que ela se mantém estável a 100oC por longos períodos.
Portanto ela resiste ao cozimento !
No entanto, a cobalamina é destruída na presença de pH > 9, oxigênio, íons metálicos (Cu, Mo, Mn) e agentes redutores (ascorbato).
Com relação à destruição por oxigênio, devemos lembrar que no alimento ela está protegida, pois se encontra ligada aos nutrientes.
As fontes de vitamina B12 nos alimentos (segundo o Departamento de Agricultura dos EUA)
Flocos de cereais comprados prontos, enriquecidos, 28 g 0,6 a 6,0 mcg
Leite de vaca, ½ xícara (125 ml) 0,4 a 0,5 mcg
Ovo – 1 grande (50 g) 0,5 mcg
Fermento nutricional (Red Star Vegetarian Support Formula) em miniflocos, 1 colher de sopa (3 g) 1,5 mcg
Leite de soja ou outros leites vegetais enriquecidos, ½ xícara (125 ml) 0,4 a 1,6 mcg
“Carnes” vegetais enriquecidas, 28 g
0,5 a 1,2 mcg
** Curiosidade: fígado de vaca, 100 g
100 mcg
Já ouviu falar sobre os análogos da Vitamina B12 ?
Pois é, existem algumas substâncias ingeridas muito parecidas com a vitamina B12, mas que não têm a mesma função dela. São os chamados análogos da vitamina B12.
Os análogos da B12 podem ser produzidos por técnicas de preservação de alimentos, pelo cozimento e pela microflora intestinal (as bactérias intestinais).
Esses análogos podem interferir com a absorção da B12 verdadeira (atrapalha a sua ligação com uma substância chamada Fator Intrínseco) ou apresentar efeitos tóxicos se absorvidos.
Durante o processo digestivo o nosso organismo tem formas de isolar e remover esses compostos.
Alimentos não confiáveis como fonte de B12
Alimentos como algas marinhas e espirulina podem conter análogos da B12.
Nem as algas e nem os produtos fermentados de soja podem ser considerados fontes confiáveis de B12.
Gestação, Lactação e Infância
Gestação, lactação e vegetarianismo
As reservas de B12 são passadas para o feto nos últimos 2 meses de gestação.
Se a mãe tem baixas quantidades de B12 o bebê nascerá com um estoque baixo.
A deficiência pode ocorrer, principalmente se a mãe que o amamenta não usar suplementação de B12, já que a concentração de cobalamina no leite é equivalente à concentração no sangue da mãe.
Mas se há estoque de B12 nas pessoas, por que suplementar a gestante ?
A resposta é simples: estudos demonstram que a ingestão de B12 durante a gestação tem mais influência sobre a quantidade da vitamina que passa para o bebê do que a quantidade do estoque da mãe.
Mães vegetarianas (veganas) amamentando oferecem menos vitamina B12 para os seus bebês ?
Sim !!!
Mulheres com dieta mista (dieta que inclui carne) têm 0,04 mcg/100 ml de vitamina B12 no seu leite.
Mulheres veganas mostram um valor de 3 a 4 vezes menor.
Sintomas de deficiência de B12 no lactente
Geralmente o desenvolvimento da criança é normal até os 4 primeiros meses de vida.
As deficiências se tornam mais evidentes entre 6 e 14 meses de vida.
Os lactentes tornam-se irritáveis e letárgicos, recusam alimentos sólidos e são fracos.
Param de sorrir, não sustentam a cabeça e não se viram.
Torcem as mãos constantemente, ficam hipotônicos (pouco tônus muscular).
Os olhos não fixam e nem acompanham os objetos. Podem estar em coma.
Pode ocorrer pigmentação anormal do dorso das mãos e em torno das unhas.
Ocorre atraso no desenvolvimento, anemia, fígado e baço aumentados.
A concentração sanguínea de B12 é baixa.
** A resposta ao tratamento com B12 é excelente, desde que diagnosticada a tempo.
Crianças vegetarianas
As crianças veganas devem receber uma fonte segura de B12 (suplementação e/ou alimentos fortificados).
O metabolismo da Vitamina B12
Para compreender melhor a cobalamina precisamos entender o seu metabolismo. Vamos lá ?
Sempre que vamos estudar bioquímica ou fisiologia precisamos primeiro conhecer as regras do assunto. Eis as regras:
Só para relembrar a anatomia, a ordem dos compartimentos na digestão é (em negrito estão os pontos principais para entender a vitamina B12):
boca (tem enzimas digestivas e pH alcalino)
esôfago (serve apenas como passagem para o alimento). Mede 25 cm.
estômago (armazena e digere os alimentos, principalmente protéicos. Tem pH ácido). Mede 25 cm. Produz uma substância chamada fator intrínseco (guarde bem essa informação sobre o fator intrínseco. Ela será necessária para a leitura do resto do texto !!!)
Intestino delgado. É dividido em 3 porções:
- duodeno (tem cerca de 25 cm, recebe as secreções digestivas do pâncreas e da vesícula biliar e alcaliniza o conteúdo gástrico proveniente do estômago)
- Jejuno – mede 2 a 3 metros – função de absorção, principalmente.
- Íleo – mede 3 a 4 metros – função de absorção, principalmente.
- Intestino grosso (Tem cerca de 1,5 m, alta concentração de bactérias e função de absorção de líquidos e outras substâncias)
quando ingerimos um alimento com B12 precisamos torná-la disponível. Aí entra o processo digestivo. Não existe B12 livre nos alimentos.
É absolutamente necessário haver a produção de uma substância chamada Fator intrínseco. Quem produz o fator intrínseco é o estômago.
A vitamina B12 não consegue ser absorvida sozinha. Para ser absorvida ela precisa estar ligada ao Fator intrínseco. Portanto: se não há Fator intrínseco não há absorção de B12.
O Fator intrínseco só consegue se ligar à B12 em pH alcalino.
A absorção da B12 (ligada ao Fator intrínseco) ocorre no íleo terminal.
Vamos ver então como tudo ocorre.
Escreverei FI no lugar de Fator intrínseco, ok ?
Ao ingerirmos um alimento com B12, precisamos deixar essa B12 disponível para ser ligada ao FI.
Começa a digestão. O estômago é o principal órgão responsável pela liberação da B12 do alimento.
Ok: B12 liberada do alimento no estômago. Vamos unir o FI com a B12. Essa ligação ocorre no intestino (pH alcalino).
Agora temos a vitamina B12 ligada com o FI.
No final do intestino (nos últimos 60 cm do íleo terminal) esse complexo (FI + B12) é absorvido.
Essa absorção também depende de cálcio, pH alcalino (maior que 6) e componentes da bile (composto liberado pela vesícula biliar).
O que ocorre depois que a vitamina B12 é absorvida ?
Ela é transportada para diversas células.
Ocorrem diversas reações muito complexas.
Dessas reações, o que é interessante saber é que quando há pouca vitamina B12 o nível sanguíneo de 2 compostos ficam elevados.
Esses compostos são o Ácido Metilmalônico e a Homocisteína.
Por que saber isso ?
Porque podemos dosar essas substâncias no sangue. Se encontrarmos os seus valores elevados é possível que haja falta de B12.
O que precisamos saber sobre a absorção dessa vitamina ?
Importante: há um limite de absorção para a quantidade de B12 ingerida em uma única refeição.
A explicação se deve ao fato de que os transportadores do FI + B12 ficam cheios (saturados) e não conseguem absorver mais do que a oferta.
Quanto podemos absorver em uma única refeição ?
Resposta: 1 a 1, 5 mcg.
A capacidade de absorção volta ao normal após 4 a 6 h da primeira dose.
Assim, podemos absorver de 1 a 1,5 mcg a cada 4 a 6 horas.
Portanto, se forem feitas 3 refeições com boa quantidade de B12 podemos absorver 4,5 mcg por dia.
O que ocorre depois que a vitamina B12 é absorvida ?
Ela é transportada para diversas células. Ocorrem diversas reações muito complexas.
Dessas reações, o que é interessante saber é que quando há pouca vitamina B12 o nível sanguíneo de 2 compostos ficam elevados.
Esses compostos são o Ácido Metilmalônico e a Homocisteína.
Por que saber isso ?
Porque podemos dosar essas substâncias no sangue. Se encontrarmos os seus valores elevados é possível que haja falta de B12.
O armazenamento e consumo da B12
Quanto um adulto pode armazenar de Vitamina B12 ?
Cerca de 3 a 5 mg.
Aproximadamente 50 a 90 % está armazenada no fígado.
Se o estômago for completamente retirado (gastrectomia total) ocorrerá falta do FI. Quanto tempo irá demorar para surgir anemia por deficiência de B12 ?
O tempo depende do estoque de B12 que a pessoa tem antes da cirurgia.
Alguns autores demonstraram que isso geralmente demora de 4 a 7 anos.
Por que demora esse tempo todo ?
O que ocorre é que o organismo tem meios de reaproveitar a vitamina.
O nosso próprio organismo elimina uma pequena quantidade de B12. Ela é lançada no intestino pela vesícula biliar e sai pelas fezes.
Ao invés de eliminá-la pelas fezes o nosso organismo consegue colocá-la de volta no organismo. Esse ciclo é chamado de ciclo êntero-hepático (ciclo que leva a vitamina do êntero (intestino) para o hepático (fígado)).
Esse ciclo reaproveita 1 mcg/dia de B12, o que corresponde a cerca de 2/3 da vitamina que é excretada por essa via.
Somando os fatos:
Nosso estoque de B12 – 3 a 5 mg.
Reaproveitamos 1 mcg/d de B12 (ciclo êntero-hepático)
Se não ingerirmos nada de B12 (ou não tivermos mais o FI) os nossos estoques serão suficientes para 2500 dias ou mais.
A deficiência de vitamina B12
Os sinais e sintomas da deficiência de B12
Muitas pessoas que têm anemia megaloblástica (anemia com células grandes, que pode ser devido à falta de B12) referem poucas queixas, mas praticamente todas referem melhora após reposição de B12.
Estudo com 95 pacientes com anemia megaloblástica nutricional (todos vegetarianos indianos) foram vistos ao longo de 14 anos. Havia 52 homens e 43 mulheres. Idade dos estudados: 13 a 80 anos. As queixas eram:
Cansaço (33%)
Respiração curta (25%)
Perda de apetite (23%)
Perda de peso (22%)
Dores generalizadas (19%) – geralmente decorrente de deficiência associada de cálcio e vitamina D
Vômito (19%)
Parestesia – alteração de sensibilidade (11%): sensação de formigamento simétrica nos dedos das mãos e pés é um dos sintomas mais comuns.
Alteração da pigmentação da pele (8%)
Boca dolorida (7%)
Diarréia (6%)
Cefaléia – dor de cabeça (5%)
Infertilidade (5%)
Em 6% apenas a deficiência foi vista no hemograma (célula grande – megaloblástica).
Outras manifestações descritas:
Rigidez muscular e fraqueza
Dificuldade de micção com hesitação, jato urinário fraco ou mesmo retenção urinária.
Constipação e hipotensão (decorrente de alteração do sistema nervoso)
Irritabilidade, perturbação de memória, depressão leve e até alucinações
Perda de sensação vibratória.
Músculos definhados
O exame físico pode demonstrar:
Palidez
Língua lisa, careca
Olhos amarelados (em 13% dos pacientes)
Pode haver reflexos exagerados ou paralisia flácida
Nos casos de anemia grave os pacientes podem ter insuficiência cardíaca: sopro cardíaco, veias do pescoço distendidas, tornozelo inchado e aumento do tamanho do coração.
Entendendo as anemias
Parece que muita gente confunde os tipos de anemia. Vamos esclarecer !
Anemia ferropriva – como o próprio nome diz é por privação, por falta de ferro. A célula fica pequena.
Anemia megaloblástica – é a anemia com célula grande. Como veremos mais adiante, isso pode ocorrer por falta de B12 e/ou B9 (ácido fólico).
Anemia perniciosa – a vitamina relacionada é a B12, mas nesse caso existe necessariamente relação com o FI. A célula também ficará grande (megaloblástica), mas a etiologia (relacionada ao FI) é bem definida e por isso recebe o nome de anemia perniciosa.
Outras anemias: talassemia, falciforme, sideroblástica. Apresentam outras etiologias (não são decorrentes da privação alimentar).
Como pode ocorrer a deficiência por B12 ?
Existem algumas formas de ocorrer deficiência de B12. Vejamos as mais comuns :
Por deficiência alimentar
Isso só pode ocorrer se não houver ingestão de alimentos de origem animal (carnes, ovos e lácteos); portanto nos veganos.
Distúrbios da absorção de B12
Má absorção da cobalamina alimentar
Ocorre em pessoas com pouca secreção de ácido no estômago (lembra-se de que a B12 precisa ser separada do alimento e isso ocorre principalmente no estômago ?).
Essa situação é mais comum em idosos (podem apresentar hipocloridria – pouco ácido no estômago). Pode ocorrer também em pacientes que tiveram o estômago retirado em cirurgias (tumores, por exemplo).
Insuficiência pancreática
Altera a secreção do pâncreas e dificulta a ligação da B12 com o FI.
Esse tipo de alteração pode ser decorrente do alcoolismo.
Alteração no funcionamento do FI (Fator Intrínseco)
Alguns indivíduos podem ter alterações no sistema imunológico fazendo com que as suas células de defesa destruam outras células benéficas do próprio organismo. Isso se chama alteração auto-imune com produção de auto-anticorpos.
Pois bem, isso pode ocorrer com o FI. O organismo cria anticorpos que destroem ou atrapalham a absorção do FI.
Sem FI disponível não conseguimos absorver a B12.
Esse tipo de anemia se chama anemia perniciosa.
Infestação de bactérias no intestino delgado
A contaminação de bactérias do intestino grosso no intestino delgado chama-se “Síndrome do intestino delgado contaminado”.
Doenças que cursam com má absorção alimentar
Aqui são incluídas diversas condições ou doenças que podem causar má absorção (não apenas de B12). Exemplos: sensibilidade ao glúten, lesão por radiação (radioterapia para pacientes com câncer em região abdominal).
O que ocorre na deficiência de vitamina B12 ?
As principais manifestações são duas: a anemia megaloblástica e a neuropatia (doença dos nervos). Já vimos os diversos sinais e sintomas acima.
Outras associações que ocorrem na deficiência: ateroma (acúmulo de placas de gordura nos vasos sanguíneos), defeito de formação do tubo neural (alteração que faz com que crianças nasçam com sérias alterações na coluna vertebral e paralisia das pernas irreversível), esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado).
Vamos ver tudo isso passo a passo ?
Anemia megaloblástica
Mega é grande. Blasto é célula.
Portanto: anemia de célula grande.
A regra:
A vitamina B12 e B9 (ácido fólico) são necessárias para a duplicação do DNA.
Toda célula, antes de se dividir, cresce. O DNA precisa se duplicar para depois ser dividido.
Quando falta B12, além dela própria em falta, não é possível entrar B9 na célula.
Assim a célula cresce (o blasto fica mega) e não consegue se dividir.
Neuropatia (doença dos nervos) associada com deficiência de B12
O nosso sistema nervoso pode ser comparado com um sistema elétrico onde os nervos são os cabos por onde a eletricidade passa.
Ao redor dos nossos nervos existe uma “capa de gordura” (bainha de mielina) que é fundamental para a passagem do estímulo nervoso e proteção do nervo.
Na falta de B12 ocorre defeito nessa “capa de gordura” (desmielinização), levando a alterações de sensibilidade.
Ateroma (placas de gorduras)
A falta de B12 é um fator de risco para doenças cardíacas (infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral).
Quando há falta de B12 ocorre aumento de uma substância chamada homocisteína, que é fator de risco independente (não precisa se associar a nenhum outro fator de risco) para doenças cardíacas.
Na falta de B12 ocorre maior formação de placas de gordura em vários vasos sanguíneos. Isso causa maiores chances de ter um infarto ou um “derrame” cerebral.
Defeitos do Tubo Neural
Já vimos que essa vitamina é fundamental para a divisão das células e para a integridade dos nervos.
Isso é crucial no desenvolvimento intra-uterino.
Na falta de B12 e B9 (ácido fólico) o risco dessa má formação é muito grande.
A criança pode nascer com perda total de sensibilidade e movimentação das pernas, retenção urinária, alterações na estrutura da coluna vertebral ... Tudo isso é irreversível já ao nascer !!
Gestantes vegans :
Atenção !!! Suplementação é indiscutível !!
Esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado)
A falta de B12 causa alterações metabólicas que evoluem com acúmulo de gordura no fígado.
Esse tipo de alteração é comum em etilistas de longa data.
O diagnótico da deficiência de B12
Como saber se estou com deficiência de B12 ?
Fique atento aos sinais e sintomas da deficiência vitamínica.
Porém isso apenas não é suficiente.
O diagnóstico de deficiência de B12 não pode ser feito baseado apenas nos sinais e sintomas de um indivíduo.
É obrigatório a constatação com exames laboratoriais !!
Muitos estudos demonstraram que cerca da metade dos indivíduos que têm a vitamina B12 em níveis baixos no sangue não apresentam sintomas consideráveis.
Acompanhamento médico é fundamental.
Quais são os exames laboratoriais que podemos utilizar ?
Alguns exames podem auxiliar no diagnóstico.
Hemograma:
Pode demonstrar a anemia (hemoglobina e hematócrito reduzidos) e o tamanho da célula (a parte do hemograma que mostra o tamanho é o VCM – volume corpuscular médio).
Se a anemia se torna mais grave ocorre diminuição das células de defesa (neutropenia) e das plaquetas (trombocitopenia).
Atenção !!! Pessoas com baixa concentração de B12 no sangue podem mostrar células de tamanho normal. Portanto: hemograma normal não significa B12 normal no sangue !!
No entanto, é raro encontrar deficiência clínica importante de B12 sem alteração no hemograma.
Lembra daquele estudo comentado anteriormente da Índia com 15.000 pessoas, quase todas vegetarianas que demonstrou que 54 % tinham baixas concentrações sanguíneas de B12 ? Esse estudo demonstrou que apenas 10 pacientes por ano eram vistos no hospital local com anemia megaloblástica.
Reticulócitos:
São as células vermelhas jovens. Na deficiência de B12 os seus níveis sanguíneos ficam reduzidos (para o grau da anemia).
Dosagem de B12 no sangue:
É o método padrão para diagnosticar deficiência de B12 (definida quando o valor está abaixo de 150 pg/ml). No entanto já foi observado deficiência em pessoas com níveis normais de B12 no exame (valores de 200 a 300 pg/ml).
** Estudo realizado em Londres demonstrou que os níveis sanguíneos de 1.000 amostras consecutivas de indianos (predominantemente vegetarianos) eram em média de 198 pcg/ml. Os níveis encontrados em caucasianos com dietas mistas eram em média de 334 pcg/ml.
** As concentrações sanguíneas de B12 foram baixas em 54 % dos 15.000 indianos (predominantemente vegetarianos) estudados.
Ácido Metilmalônico:
Na deficiência de B12 ocorre aumento do ácido metilmalônico (esse aumento não ocorre na deficiênciia de B9). Esse aumento pode ser detectado no sangue e na urina.
Antibióticos podem reduzir e a doença renal pode aumentar o nível sanguíneo desse ácido. Valores normais: 0,1 a 0,4 micromol/l. Na deficiência de B12: 50 a 100 micromol/l.
Homocisteína:
Se eleva na deficiência de B12 (e também na de B9 e B6). Algumas doenças como hipotireoidismo e doença de Down podem alterar o nível desse composto.
Teste de supressão com desoxiuridina :
Utiliza-se as células da medula óssea. O teste é de relativa dificuldade técnica na execução. Atualmente está restrito à área de pesquisa. Consegue diferenciar a causa (falta de B9 ou B12).
Holotrascobalamina II:
É a proteína que transporta a B12 no sangue. Não é realizado no Brasil. Apenas 1 laboratório em São Paulo faz a coleta desse exame e o envia ao exterior. Como você pode imaginar, é extremamente caro.
Dosagem sanguínea de anticorpo anticélula parietal e de anticorpo bloqueador do fator intrínseco:
Serve para diagnosticar a anemia perniciosa. O anticorpo bloqueador do FI é mais específico (praticamente não existem indivíduos sem anemia perniciosa com exame positivo).
Dosagem de folato (vitamina B9) no sangue:
Pode ser usado na dúvida da etiologia da anemia (B 12 ou B9).
Atenção !! Todo exame laboratorial deve ser corretamente interpretado com a associação do quadro clínico e dos outros exames laboratoriais.
Como você viu acima pode ser um pouco complicado o diagnóstico por apenas um exame ou pelo quadro clínico.
Apenas um médico com experiência na área pode avaliar com precisão esses exames e associá-los com as alterações clínicas.
Os idosos podem ter valores diferentes
Estudos com idosos que tinham neuropatia (doença dos nervos) demonstram que eles podem ter hemograma normal e concentração sanguínea de B12 normal.
No entanto, a concentração de ácido metilmalônico estava elevada e se reduzia após a oferta de B12.
Isso sugere que idosos devem ser muito bem avaliados, pois podem estar com deficiência mesmo com alguns exames dentro dos valores normais.
Como fazer o diagnóstico de deficiência de B12 ?
O diagnóstico depende de 2 condições:
estabelecer a deficiência de B12 em uma pessoa cuja alimentação é desprovida da vitamina;
excluir a deficiência de B12 decorrente de má absorção (anemia perniciosa, crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado, ressecção intestinal...)
Resumindo: precisamos saber quanto o indivíduo está ingerindo e quanto está absorvendo.
Para se ter uma idéia da importância de saber exatamente sobre a ocorrência ou não dessas 2 condições, vejamos o resultado de um estudo realizado com indianos vegetarianos com deficiência de B12:
95 tinham deficiência nutricional de B12, ou seja, não ingeriam quantidade suficiente;
20 tinham anemia perniciosa (não absorviam adequadamente);
4 tinham anemia megaloblástica associada com falta de vitamina B9 (ácido fólico). Dois desses indivíduos devido ao uso de álcool em excesso e 2 em gestantes.
Assim, oferecer vitamina B12 por via oral será eficiente apenas nos indivíduos que têm carência alimentar sem distúrbio de absorção.
OBS – a dieta vegetariana é rica em vitamina B9 (ácido fólico). Isso pode mascarar a deficiência de B12, que muitas vezes só é diagnosticada quando surgem alterações no sistema nervoso. A deficiência de B9 causa manifestações muito parecidas com as da deficiência de B12, exceto pela neuropatia (não ocorre na falta de B9).
Por tanto, no caso de vegetarianos é sempre recomendado dosar a homocisteína sanguínea (sérica), o ácido metilmalônico e a holotranscobalamina II.
OBS- como já vimos anteriormente, a dosagem da holotranscobalamina II não é factível em nosso meio.
Medicações que afetam a absorção da vitamina B12
As seguintes drogas reduzem a absorção da B12: colchicina, neomicina e anticoncepcionais (usados por via oral).
O álcool também reduz a sua absorção.
Tratando a deficiênica de B12
O tratamento da deficiência de B12
Como vimos anteriormente todos os pacientes com deficiência de B12 que não tem deficiência alimentar têm má absorção.
Também vimos que mesmo pacientes veganos com baixa ingestão de B12 podem ter anemia perniciosa, o que significa que o problema está também na absorção da B12.
Isso precisa ser diagnosticado !!!
Regra do tratamento:
Quem consegue absorver B12 pode ser tratado com B12 por via oral. Não há problemas se optarmos em repor a vitamina de forma injetável.
Quem tem problema de absorção de B12 deve receber a vitamina injetável (intramuscular). Oferecer a cobalamina via oral não é conveniente.
A injeção (tratamento quando há deficiência):
Utilizar a cianocobalamina (forma mais estável, produzida por fermentação bacteriana) ou a hidroxicobalamina intramuscular.
Dose: 1.000 mcg por dia por 1 semana; seguido por dose de 1 mcg em dias alternados até a normalização da hemoglobina e do hematócrito (correção da anemia).
Se existe manifestação neurológica: manter 5.000 mcg a cada 2 semanas nos primeiros 6 meses.
Na anemia perniciosa o uso intramuscular da vitamina deve ser por toda a vida. Dose: 1.000 mcg por mês no primeiro ano, seguido de 5.000 mcg por ano. (Fonte: Atualização Terapêutica, 2003).
Monitorização laboratorial: a cada 6 ou 12 meses.
OBS- Biodisponibilidade da B12 quando aplicada de forma endovenosa ou intramuscular: 16 a 28 %.
No tratamento por via oral (apenas quando a causa da deficiência é devida à privação alimentar de B12) foi demonstrado que o uso de 5 mcg uma vez ao dia conseguiu normalizar os níveis sanguíneo da vitamina.
O tratamento da anemia por falta de B12 com cobalamina por via oral não é recomendado na literatura médica, talvez pelo fato de que a maior causa de anemia por deficiência de B12 não seja devido à deficiência alimentar.
OBS- A B12 é absorvida ligada ao FI, mas existe uma outra forma de absorção chamada difusão passiva. Nesse caso, altas doses de B12 passariam do intestino para o sangue por si só (sem o FI). A absorção passiva ocorre com 1% da vitamina ingerida.
O uso de altas doses para conseguir aproveitar a B12 dessa forma não é recomendado.
Quando menos de 5 mcg de B12 cristalina é ingerida de uma só vez, cerca de 60% é absorvida.
Quando se usa uma dose de 5000 mcg, cerca de 1% é absorvida.
Não há relato de toxicidade pelo uso excessivo de B12.
O que é um teste terapêutico ?
Muitas vezes não temos recursos diagnósticos (dosagem de B12, homocisteína, ácido metilmalônico ...) para diferenciar a causa (falta de B12 ou B9) da anemia megaloblástica.
Nesses casos podemos “testar”um tratamento, desde que a deficiência não esteja em grau avançado.
Inicialmente aplica-se uma dose única de 1.250 mcg de B12 intramuscular. Após 5 a 8 dias repete-se a dosagem da hemoglobina, hematócrito e reticulócitos. Se a deficiência era devido à falta de B12 ocorrerá aumento importante do número de reticulócitos (reticulocitose) e às vezes discreta melhora da anemia.
Não havendo resposta ao uso da B12 utiliza-se o ácido fólico (B9).
Não havendo resposta a nenhum dos dois é necessário uma investigação especializada com um hematologista.
A resposta após o tratamento com B12.
Havendo deficiência real de B12 os indivíduos referem uma notável sensação de bem estar dentro de 1 a 2 dias após uma injeção de cobalamina. Também relatam um aumento dramático do apetite.
Neste ponto, atenção !! O aumento do apetite após a suplementação de B12 ocorre em quem tem deficiência de B12 !!
Daqui provavelmente surgiu o mito de utilizar vitaminas do complexo B para aumentar o apetite. Se o indivíduo não tem deficiência não ocorrerá aumento do apetite !!
Ainda avaliando a resposta ao tratamento, ocorrerá uma maior produção de células vermelhas. Isso será evidenciado pela elevação das suas células jovens (reticulócitos), que atingem o seu máximo em 5 a 7 dias após o início do tratamento.
A manutenção da vitamina B12
Recomendação da ADA, 2003 para indivíduos vegetarianos:
“É essencial que todos os vegetarianos tomem um suplemento, usem alimentos enriquecidos ou consumam laticínios ou ovos para atingir a ingestão recomendada de vitamina B12.”
Quanto devo ingerir de suplementos ou alimentos fortificados ?
Resposta : devemos ingerir a quantidade de B12 recomendada por dia (veja o tópico: quanto precisamos dessa vitamina por dia ?), ou seja, cerca de 2,4 mcg para adultos.
Dificilmente você vai encontrar um suplemento com baixa quantidade de B12. O uso de cerca de 5 mcg/dia conseguiu normalizar os níveis sanguíneos dessa vitamina em pessoas com deficiência em alguns estudos. Portanto, para manutenção, talvez não seja necessário utilizar mais do que essa dosagem.
Não há problemas se a ingestão for maior, já que não existem relatos de toxicidade com o uso de altas doses dessa vitamina.
A recomendação utilizada pela IVU (orientação revisada por Stephen Walsh) é absolutamente coerente :
Ingerir alimentos enriquecidos 2 ou 3 vezes por dia para obter pelo menos 3 mcg de B12, ou
Tomar um suplemento de B12 diariamente que forneça pelo menos 10 mcg de B12, ou
Tomar um suplemento semanal de B12 que forneça pelo menos 2.000 mcg.
A ingestão de alimentos fortificados com B12 para veganos seria uma opção. No Brasil essa abordagem nutricional não é muito utilizada pelos fabricantes de alimentos. Diversos produtos da Nestlé são fortificados com B12 no Brasil.
Importante: 10 a 30% dos indivíduos (com qualquer tipo de dieta, inclusive com carne) com mais de 50 anos têm dificuldade de extrair a B12 dos alimentos. A Food and Nutrition Board recomenda que todos os indivíduos acima dessa idade, vegetarianos ou não, utilizem suplemento de B12 ou alimentos enriquecidos.
Indivíduos que utilizam a vitamina B12 também devem realizar exames laboratoriais periodicamente. Essa precaução é valida na medida que não é apenas a deficiência de ingestão que causa a deficiência da vitamina. Lembre-se que outros problemas decorrentes de distúrbio de absorção podem ocorrer em qualquer pessoa.
Indivíduos veganos (adultos, não gestantes nem em lactação) que optem em não utilizar suplementação devem necessariamente ser acompanhados por um médico ou nutricionista com prática na interpretação dos exames laboratoriais para que seja feita intervenção nutricional caso necessário. Mas lembre-se o recomendado é fazer uso da suplementação !!
O mesmo se pode dizer aos que utilizam a suplementação oral esporadicamente.
Gestantes e mães amamentando: sem discussão !!! Suplemento e/ou uso de fontes confiáveis (alimentos enriquecidos) de B12 !!!! Dosagem laboratorial também !!!
Crianças também devem ingerir fontes confiáveis da vitamina.
Sou vegano e, ocasionalmente, ingiro derivados de leite. Preciso suplementar a B12 ?
Sim !!!
O consumo ocasional de leite, queijos e ovos não supre as necessidades de cobalamina.
Ovo-lacto-vegetarianos podem conseguir quantidades adequadas se utilizarem os derivados animais regularmente.
Alguns vegetarianos dizem que se você não utiliza alimentos refinados (açúcar branco, arroz branco, farinhas brancas) nem aditivos químicos ou medicações como antibióticos, a sua flora pode produzir a B12 que você precisa. Somado a isso, o uso de produtos fermentados (como o missô), forneceriam a dose de B12 que você precisa.
Não se deixe levar por essa
falta de conhecimento !!!!
Pelos inúmeros motivos descritos anteriormente nem a sua flora e nem qualquer alimento de origem vegetal (nem algas e nem fermentados !!!) são capazes de suprir adequadamente a vitamina B12.
A ciência está à nossa disposição para termos mais segurança no desenvolvimento e na manutenção da nossa saúde.
Seja coerente.
Autor: Dr Eric Slywitch
É importante que todos saibam da necessidade dessa vitamina para o nosso organismo.
os médicos acham que voce tem um monte doenças , sendo que apenas com exame sangue se descobre a deficiência de B12.
mais me incomodava.....mas hj to super bem....e pra gte que tem def de B12 por problemas gastricos...nossa b12 nunca deve estar menor que 400!!!! ok???
Gte, qquer duvida, podem me escrever....é um assunto super desconhecido....poucos medicos sabem algo sobre isso!!!
No que eu puder ajudar.....é so me mandarem scrap!!!
Ja sofri demais....e espero que ninguem passe pelo que passei!
fabiü
A deficiência de vitamina B12
Os sinais e sintomas da deficiência de B12
Muitas pessoas que têm anemia megaloblástica (anemia com células grandes, que pode ser devido à falta de B12 ) referem poucas queixas, mas praticamente todas referem melhora após reposição de B12.
Estudo com 95 pacientes com anemia megaloblástica nutricional (todos vegetarianos indianos) foram vistos ao longo de 14 anos. Havia 52 homens e 43 mulheres. Idade dos estudados: 13 a 80 anos. As queixas eram:
● Cansaço (33%)
● Respiração curta (25%)
● Perda de apetite (23%)
● Perda de peso (22%)
● Dores generalizadas (19%) – geralmente decorrente de deficiência associada de cálcio e vitamina D
● Vômito (19%)
● Parestesia – alteração de sensibilidade (11%): sensação de formigamento simétrica nos dedos das mãos e pés é um dos sintomas mais comuns.
● Alteração da pigmentação da pele (8%)
● Boca dolorida (7%)
● Diarréia (6%)
● Cefaléia – dor de cabeça (5%)
● Infertilidade (5%)
● Em 6% apenas a deficiência foi vista no hemograma
(célula grande – megaloblástica).
Outras manifestações descritas:
● Rigidez muscular e fraqueza
● Dificuldade de micção com hesitação, jato urinário fraco ou mesmo retenção urinária.
● Constipação e hipotensão (decorrente de alteração do sistema nervoso)
● Irritabilidade, perturbação de memória, depressão leve e até alucinações
● Perda de sensação vibratória.
● Músculos definhados
O exame físico pode demonstrar:
● Palidez
● Língua lisa, careca
● Olhos amarelados (em 13% dos pacientes)
● Pode haver reflexos exagerados ou paralisia flácida
● Nos casos de anemia grave os pacientes podem ter insuficiência cardíaca: sopro cardíaco, veias do pescoço distendidas, tornozelo inchado e aumento do tamanho do coração.
Mrs. Sutherland
Eu...
Sim... eu tenho deficiência, mas infelizmente só foram perceber quando eu estava sem enxergar, sem andar (pois perdi massa muscular total), com dores, hipersensibilidade nas mãos e nos pés e psicose/depressão.
Fiquei um mês e meio no hospital tomando injeção - citoneurim 5000 (dói muito mesmo) todos os dias, quando sai do hospital a dosagem passou a ser semanal e hoje tomo apenas uma vez por mês.
Eu nunca imaginei que a falta de uma vitamina pudesse causar tudo isso. Hoje, ainda faço fisioterapia para aumentar a firmeza no caminhar e tomo suplementos vitamínicos, seis comprimidos por dia e uma injeção por mês.
É importante que todos saibam da necessidade dessa vitamina para o nosso organismo.
Thiago
Eu também tive esse sério problema .
Meu nível de B12 chegou 178
Eu tive vários dos sintomas citados , o pior e falta de preparo dos médicos que acham que voce tem um monte doenças , sendo que apenas com exame sangue se descobre a deficiência de B12.
Eu também tive muitos problema musculares fiquei quase paralisado . Hoje 2 anos depois estou bem melhor.
31/07/09
elio
..minha B12 chegou a 150 e não tive nenhum sintoma desses, aliás, desconhecia totalmente a existência dessa vitamina até 3 anos atrás e já não como carne a mais de 20..
Jos
Eu também!
comecei com muitas dores nas pernas, mais o que mais me incomodou foi minha lingua e garganta, tive ardencia na lingua e garganta! fiz exame e a minha estava 150
comecei a tomar a rubra nova de 15.000, uma por semana durante um mês, não melhorou muito não voltei no medico e fiz outo exame de sangue, a b-12 estava bem alta 1.180,00, só que meus sintomas ainda não passaram, e tenho um amortecimento no rosto que me incomoda demais , falei muito com varios médicos e não descubro o porque, um deles me disse que vai demorar para eu melhorar, devido eu ter ficado muito tempo com ela baixa.
♥♥ Aninha
Olás
Olás!
Descobri a poucos dias que estou com baixa de vitamina B12.. (199)...
Estou a 4 meses sentindo coisas muito ruins, entre elas: tonturas, sensações de estranheza (parece que vc está assistindo a um filme ao inves de estar vivendo os momentos), enjoos, sensação de saciedade (nao ter fome, nem vontade de comer), sonolencia, cansaço, sensação de desconforto na região do estomago e pancreas, tive tbm uma especie de aperto no peito... enfim, foram vários mal-estares.... Até que uma neurologista me pediu o exame da B12 e deu 199... e ela diagnosticou como sendo este o meu problema.
Amanha devo iniciar o tratamento das injeções (1 por dia por 1 semana, depois semanais e depois mensais)....
Não sei se este é o diagnóstico certo pro meu caso, mas pelo que tenho pesquisado na internet sobre a deficiencia de B12 está fechando muito com meu caso (sintomas, causas, etc...)
Ainda bem que descobrimos a tempo, antes que as coisas piorassem...
Depois conto como foi a injeção... Doi, é?? affff....
ੴנσ0ѕι€
Eu era enorme dai fiz gastroplastia emagreci 21 kilos em 5 meses dai fiquei com falta de b12 to malzzzzzzz fiquei ate internada, esses idiotas souberam que era só depois de muitos remédios e nada de melhora meu pé ficou cada vez pior devido a vt b12 e nem sabiam, me jogaram pra varios medicos ate eu descobri que e a vit. aff era muita dor muita meus dedos formigavam demais não aguentava por os pés no chão hj esta melhorando meus dedos estão bem melhores, mas estou ainda com falta da vit. pq meu intestino não absorve devido a gastroplastia, e só comer bem e tomar vitamina o resto da vida!!O problema disso acabou resultando na falta de vitamina, em uma neuropatia hj tenho que tomar remedio tegretol rsrs... Só depois que minha vitamina estiver bem ai posso tirar o tegretol...Cada uma viu, mas eu já sabia dos riscos da redução de estomago e estou emagrecendo e estou feliz!!
Jos
Profª Ludmila
Nossa eu estou com sintomas parecidos, há + ou - 1 ano comecei com sintomas de dores nas pernas, sensibilidade nos pés, e tive uma ferida na lingua, fui em varios médicos, fiz exame a b12 deu 150, tomei algumas injeções, mais ainda não estou bem, agora meu corpo inteiro tem formigamento , tipo= queimação, semana q vem vou
ao neurologista, esta ficando muito dificil.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Nocebo
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Na sua aplicação original, nocebo tem significado muito específico na áreas de saúde como medicina, farmacologia e psicofarmacologia, além de contribuir muito nas pesquisas em nosologia e etiologia das doenças. O termo é utilizado para designar reações (ou respostas) danosas, prejudiciais, desagradáveis ou indesejadas em um indivíduo como resultado da aplicação de uma droga inerte, onde estas reações não foram geradas por ação química ou física da mesma, mas pela crença e expectativa pessimistas do indivíduo de que a droga poderia causar efeitos indesejados. Nestes casos, não há nenhuma droga "real" envolvida, mas os efeitos adversos psíquicos (incluindo alterações comportamentais, afetivas e emocionais) e físicos são reais. Um exemplo "clássico" do efeito nocebo seria o da pessoa morrendo de medo após ser picada por uma cobra não venenosa.
Índice [esconder]
1 O Termo Nocebo
2 O efeito nocebo
3 A resposta nocebo
4 Por que uma resposta nocebo?
5 Ambigüidade do uso médico
6 Ambigüidade do uso antropológico
7 Veja Também
8 Notas
9 Referências
10 Ligações externas
[editar]O Termo Nocebo
O termo nocebo (‘’fazer mal’’, em latim [1]) foi escolhido por Walter Kennedy, em 1961, a fim de nomear a contraparte de uma das mais recentes aplicações do termo placebo (‘’agradar’’ em latim); é sabido que o placebo é uma droga que produz conseqüências desejáveis, benéficas, agradáveis, como resultado direto das crenças e esperanças do paciente.
Hoje, do mesmo jeito que o termo placebo é geralmente usado errado em trabalhos a fim de explicitar uma ‘’droga ativa’’, que produz um efeito desejado, previsível e intencional após uma experiência agradável ou desejável (por exemplo, analgesia), o termo nocebo também o é, sendo também previsível e intencional, porém com efeitos indesejados ou desagradáveis (por exemplo náuseas). Houston pode ter sido o primeiro a ter falado da aplicação deliberada de um procedimento médico “placebo” prejudicial, distinto do normal, outros procedimentos “placebos” inofensivos, procedimentos que um médico pode aplicar e cuja "utilidadeestava em relação direta com a fé que o médico tinha e a fé de que ele era capaz de inspirar em seus pacientes". Houston (1938, p.1418) escreveu:
... e enquanto a eficácia do procedimento placebo é sabida pelo médico, o procedimento placebo por si só já não é inofensivo, mas prejudicial, e por vezes, muito perigoso. Parece peculiarmente contraditório falar do placebo doloroso e perigoso, mas os homens são de tal modo peculiares que sentem a necessidade de medidas extremas, urgentes e muitas vezes amedrontadoras. Pacientes nervosos, em particular, sentem que uma determinada posição e alívio são concedidos a seus males, quando medidas terapêuticas extremas são utilizadas."
Houston falou de três categorias diferentes significantemente de placebo (pp.1417-1418):
a droga que o médico sabe ser inerte, mas que o paciente acredita ser potente.
a droga que sabe-se ser potente tanto por médico quanto pelo paciente, mas que, em trabalhos posteriores provou ser totalmente inerte.
a droga que acredita-se ser potente por ambos, mas atualmente é considerada perigosa e prejudicial.
O termo “resposta nocebo” significava originalmente uma injúria gerada por uma crença não intencional como resposta a um procedimento inerte.
Mas existe uma prática corrente de rotular drogas que apresentam respostas desagradáveis como “drogas nocebo”, significando que o termo “resposta nocebo” pode estar sendo usado para rotular um efeito intencional, gerado completamente por fármacos e extremamente previsível que foi gerado graças a administração de uma droga ativa (Nocebo). Antropólogos usam o termo “ritual Nocebo” para descrever um procedimento, tratamento ou ritual que é realizado (ou a administração de um medicamento ou alguma erva) com intenção maliciosa, com contraste com o procedimento, tratamento ou ritual placebo que é realizado com intuitos benéficos.
[editar]O efeito nocebo
Devido ao significado original de “nocebo”, especialmente no que se refere à resposta do sujeito a uma droga inerte. O termo efeito nocebo pode realmente só se referir às conseqüências da aplicação de uma “droga nocebo” produtora de mal-estar (entretanto, o conceito de uma “droga produtora de mal-estar” ou “droga nocebo” é um conceito muito maior do que o de “resposta nocebo” ou “reação nocebo”).
[editar]A resposta nocebo
No sentido mais estrito, uma “resposta nocebo” é onde os sintomas do paciente são piorados pela administração de um tratamento inerte, simulado [2] ou imitado, em um tratamento simulador, chamado de placebo.
De acordo com a sabedoria farmacológica corrente e o corrente entendimento de causa e efeito, um placebo contém nenhum agente (químico ou não) que poderia possivelmente causar qualquer piora observável nos sintomas dos pacientes. Além do mais, qualquer mudança da piora pode ser devida a algum fator interno do paciente.
A piora dos sintomas do paciente é uma conseqüência direta da sua exposição ao placebo, mas os sintomas não foram gerados quimicamente pelo placebo. Devido a esta geração de sintomas implicar em um complexo de atividades “internas do paciente”, nós não podemos nunca dizer os termos “efeitos nocebo”, que são relacionados ao tratamento, onde o correto seria dizer “resposta nocebo”, relacionada ao paciente.
Embora alguns atribuem respostas nocebo (ou placebo) à credibilidade do paciente, não há evidências de uma resposta nocebo/placebo individual que se manifesta em um tratamento irá ser a mesma em outro tratamento, ou seja, não existe traço ou propensão de resposta nocebo/placebo fixas.
McGlashan, Evans & Orne (1969, p.319) não encontraram evidencias do que eles chamaram de “personalidade placebo”. Também, em um estudo bem delineado, Lasagna, Mosteller, von Felsinger & Beecher (1954), descobriram que não existe um jeito de que qualquer pesquisador possa determinar, por teste ou entrevista, quais pacientes irão manifestas uma reação placebo e quais não.
Experimentos tem demonstrado que não existe relação entre uma suscetibilidade hipnótica mensurada individual e a manifestação de respostas placebo/nocebo.[3]
[editar]Por que uma resposta nocebo?
O termo “resposta nocebo” foi cunhado em 1961 por Walter Kennedy (hoje em dia ele usa o termo “reação nocebo”). Ele observou que outro significado, completamente diferente e sem relaçao, além de mais distante do termo placebo estava se tornando comum na literatura técnica e ao invés de uma resposta agradável, o paciente apresentava uma resposta simulada contrária.
Kennedy escolheu o termo em latim nocebo (“fazer mal”) devido a ser o oposto da palavra placebo (“agradar”), e usava-a a fim de descrever a contrapartida da resposta placebo: sabidamente, uma resposta desagradável na aplicação de algum tratamento simulado. Kennedy enfatizou muito que este uso específico do termo nocebo não se referia a “ação [[iatrogenia|iatrogênica[[ das drogas”: [4] em outras palavras, de acordo com Kennedy, não havia nada parecido com o “efeito nocebo”, somente existiria uma resposta nocebo”. Ele insistiu que uma “reação nocebo” era ligada ao paciente, e foi enfático no uso do termo “reação nocebo” especialmente quando se queria falar sobre alguma “qualidade inerente ao paciente mais do que ao medicamento”.[4]
Mais significante ainda, Kennedy também atestou que embora “ as reações nocebo ocorrem (nunca devem ser confundidas) como efeitos farmacêuticos verdadeiros, assim como o zumbido gerado pelo quinino. [4]
Esta evidencia forte, clara e muito persuasiva de Kennedy foi a fim de deixar mais preciso seu discurso, afastando a idéia de que nocebo seria uma “resposta negativa com a administração de alguma droga”; e sim afirmando que era a contraparte da “resposta placebo”, que seria gerada pelas expectativas positivas do paciente.
E finalmente, e de maneira definitiva, Kennedy não estava falando sobre uma droga ativa com respostas negativas previsíveis farmacologicamente, o que seria um efeito adverso, ou efeito colateral.
[editar]Ambigüidade do uso médico
Em um artigo importante e recente,[5] Stewart-Williams e Podd argumentam que o uso dos termos contrastantes “placebo” e nocebo” a fim de rotular agentes inertes que produzem alterações agradáveis, com melhora da saúde ou desagradáveis com piora da mesma é extremamente contraprodutivo.
Por exemplo, o mesmo medicamento pode gerar analgesia e hiperalgesia, o primeiro seria um placebo e o segundo, um nocebo.
Um segundo problema é que o mesmo efeito, como a imunossupressão pode ser muito desejável em um paciente com doença autoimune, mas muito indesejável para muitos pacientes. Daí, para os primeiros o efeito seria um placebo, e para os outros, nocebo.
Um terceiro problema é que o profissional que prescreve não sabe se o paciente em questão considera os efeitos que eles experimentará como desejáveis ou indesejáveis até um certo tempo de administração das drogas.
Um quarto problema é que, em casos como este, os mesmos fenômenos são gerados em todos os pacientes, e estão sendo gerados pela mesma droga, que está agindo em todos os pacientes precisamente pelo mesmo mecanismo. Ainda, justamente por causa deste fenômeno em questão ter sido considerado subjetivamente para um grupo, mas não para outro, os fenômenos agora tem sido rotulados de duas maneiras exclusivas (placebo ou nocebo) e isso nos dá a falsa impressão de que a droga em questão produz dois fenômenos completamente diferentes.
[editar]Ambigüidade do uso antropológico
Algumas pessoas mantém a crença em coisas malignas (por exemplo, a morte vodu em muitas culturas) e benignas (curas milagrosas).
Uma morte auto-infringida (devido a vodu, maldição ou olho gordo,[6] etc.) é uma forma extrema de uma síndrome específica de determinadas culturas ou doenças sociogênicas, que produz uma forma particular de distúrbio psicossomático ou psicofisiológico, o que resulta em uma morte psicogênica.
Existem muitos níveis de mortes psicogênicas auto-infringidas. Por exemplo, a morte de Ananias, como escrito em Atos 5:1-6;
Rubel (1964) falou de síndromes “ligadas à cultura”, onde alguns membros de um grupo em particular clamam para que tenham algum tipo de diagnóstico, medidas preventivas e até mesmo cura de algumas doenças (p.268).
É importante distinguir estas mortes auto-infringidas de outras auto-impostas, como:
as mortes auto-infringidas no suicídio, eutanásia voluntária, ou a recusa de tratamento que tenha por intuito estender a vida;
a morte auto-infringida “heróica”, do soldado que se joga em cima de uma granada a fim de salvar seus companheiros, ou o Capitão explorador do Ártico Lawrence Oates; ou
a morte auto-infringida religiosa, a auto-imolação ou a morte voluntária dos monges (“morte religiosa voluntária”) de pessoas mais idosas, cujos religiosos as permitem morrer voluntariamente, em paz e vagarosamente por inanição.
Certos antropólogos, como Robert Hahn e Arthur Kleinman estenderam a distinção de nocebo/placebo a fim de permitir que esta distinção seja feita entre rituais, como curas religiosas, como as que são realizadas a fim de curar ou trazer algum benefício (placebo) e outros mais, das com o intuito de matar, trazer alguma injúria ou malefício (nocebo)
Como conclusão, estes dois antropólogos falam, em vários contextos, sobre nocebo e placebo o seguinte:
estes procedimentos podem estar relacionados a respostas nocebo ou placebo (desagradáveis ou agradáveis)
existem tipos de pacientes que podem ter respostas nocebo ou placebo
as respostas estão relacionadas diretamente ao profissional que administra o tratamento, e seu intuito;
intimamente relacionadas às crenças do próprio administrador.
Este tema pode ser ainda mais complexo terminologicamente; para Hahn e Kleinman, pode existir respostas paradoxais nocebo com rituais placebo(por exemplo o teste TGN1412 [1] [2]), bem como respostas paradoxais placebo de rituais nocebo.
Com a experiência de tratar extensivamente neoplasias (incluindo mais de 1000 casos de melanoma, no Sydney Hospital, Milton (1973) atestou sobre o impacto de se falar um prognóstico, e quantos de seus pacientes, após recebê-lo, simplesmente deixaram de encarar a doença e morreram prematuramente: “...há um pequeno grupo de pacientes onde a notícia de perigo de morte é tão terrível que eles simplesmente não conseguem se ajustar, e morrer de maneira rápida, antes mesmo da malignidade da lesão ter desenvolvido causas para a morte. Este problema de morte auto-infringida é, de alguma forma, análogo à morte produzida por bruxaria em povos primitivos
Na sua aplicação original, nocebo tem significado muito específico na áreas de saúde como medicina, farmacologia e psicofarmacologia, além de contribuir muito nas pesquisas em nosologia e etiologia das doenças. O termo é utilizado para designar reações (ou respostas) danosas, prejudiciais, desagradáveis ou indesejadas em um indivíduo como resultado da aplicação de uma droga inerte, onde estas reações não foram geradas por ação química ou física da mesma, mas pela crença e expectativa pessimistas do indivíduo de que a droga poderia causar efeitos indesejados. Nestes casos, não há nenhuma droga "real" envolvida, mas os efeitos adversos psíquicos (incluindo alterações comportamentais, afetivas e emocionais) e físicos são reais. Um exemplo "clássico" do efeito nocebo seria o da pessoa morrendo de medo após ser picada por uma cobra não venenosa.
Índice [esconder]
1 O Termo Nocebo
2 O efeito nocebo
3 A resposta nocebo
4 Por que uma resposta nocebo?
5 Ambigüidade do uso médico
6 Ambigüidade do uso antropológico
7 Veja Também
8 Notas
9 Referências
10 Ligações externas
[editar]O Termo Nocebo
O termo nocebo (‘’fazer mal’’, em latim [1]) foi escolhido por Walter Kennedy, em 1961, a fim de nomear a contraparte de uma das mais recentes aplicações do termo placebo (‘’agradar’’ em latim); é sabido que o placebo é uma droga que produz conseqüências desejáveis, benéficas, agradáveis, como resultado direto das crenças e esperanças do paciente.
Hoje, do mesmo jeito que o termo placebo é geralmente usado errado em trabalhos a fim de explicitar uma ‘’droga ativa’’, que produz um efeito desejado, previsível e intencional após uma experiência agradável ou desejável (por exemplo, analgesia), o termo nocebo também o é, sendo também previsível e intencional, porém com efeitos indesejados ou desagradáveis (por exemplo náuseas). Houston pode ter sido o primeiro a ter falado da aplicação deliberada de um procedimento médico “placebo” prejudicial, distinto do normal, outros procedimentos “placebos” inofensivos, procedimentos que um médico pode aplicar e cuja "utilidadeestava em relação direta com a fé que o médico tinha e a fé de que ele era capaz de inspirar em seus pacientes". Houston (1938, p.1418) escreveu:
... e enquanto a eficácia do procedimento placebo é sabida pelo médico, o procedimento placebo por si só já não é inofensivo, mas prejudicial, e por vezes, muito perigoso. Parece peculiarmente contraditório falar do placebo doloroso e perigoso, mas os homens são de tal modo peculiares que sentem a necessidade de medidas extremas, urgentes e muitas vezes amedrontadoras. Pacientes nervosos, em particular, sentem que uma determinada posição e alívio são concedidos a seus males, quando medidas terapêuticas extremas são utilizadas."
Houston falou de três categorias diferentes significantemente de placebo (pp.1417-1418):
a droga que o médico sabe ser inerte, mas que o paciente acredita ser potente.
a droga que sabe-se ser potente tanto por médico quanto pelo paciente, mas que, em trabalhos posteriores provou ser totalmente inerte.
a droga que acredita-se ser potente por ambos, mas atualmente é considerada perigosa e prejudicial.
O termo “resposta nocebo” significava originalmente uma injúria gerada por uma crença não intencional como resposta a um procedimento inerte.
Mas existe uma prática corrente de rotular drogas que apresentam respostas desagradáveis como “drogas nocebo”, significando que o termo “resposta nocebo” pode estar sendo usado para rotular um efeito intencional, gerado completamente por fármacos e extremamente previsível que foi gerado graças a administração de uma droga ativa (Nocebo). Antropólogos usam o termo “ritual Nocebo” para descrever um procedimento, tratamento ou ritual que é realizado (ou a administração de um medicamento ou alguma erva) com intenção maliciosa, com contraste com o procedimento, tratamento ou ritual placebo que é realizado com intuitos benéficos.
[editar]O efeito nocebo
Devido ao significado original de “nocebo”, especialmente no que se refere à resposta do sujeito a uma droga inerte. O termo efeito nocebo pode realmente só se referir às conseqüências da aplicação de uma “droga nocebo” produtora de mal-estar (entretanto, o conceito de uma “droga produtora de mal-estar” ou “droga nocebo” é um conceito muito maior do que o de “resposta nocebo” ou “reação nocebo”).
[editar]A resposta nocebo
No sentido mais estrito, uma “resposta nocebo” é onde os sintomas do paciente são piorados pela administração de um tratamento inerte, simulado [2] ou imitado, em um tratamento simulador, chamado de placebo.
De acordo com a sabedoria farmacológica corrente e o corrente entendimento de causa e efeito, um placebo contém nenhum agente (químico ou não) que poderia possivelmente causar qualquer piora observável nos sintomas dos pacientes. Além do mais, qualquer mudança da piora pode ser devida a algum fator interno do paciente.
A piora dos sintomas do paciente é uma conseqüência direta da sua exposição ao placebo, mas os sintomas não foram gerados quimicamente pelo placebo. Devido a esta geração de sintomas implicar em um complexo de atividades “internas do paciente”, nós não podemos nunca dizer os termos “efeitos nocebo”, que são relacionados ao tratamento, onde o correto seria dizer “resposta nocebo”, relacionada ao paciente.
Embora alguns atribuem respostas nocebo (ou placebo) à credibilidade do paciente, não há evidências de uma resposta nocebo/placebo individual que se manifesta em um tratamento irá ser a mesma em outro tratamento, ou seja, não existe traço ou propensão de resposta nocebo/placebo fixas.
McGlashan, Evans & Orne (1969, p.319) não encontraram evidencias do que eles chamaram de “personalidade placebo”. Também, em um estudo bem delineado, Lasagna, Mosteller, von Felsinger & Beecher (1954), descobriram que não existe um jeito de que qualquer pesquisador possa determinar, por teste ou entrevista, quais pacientes irão manifestas uma reação placebo e quais não.
Experimentos tem demonstrado que não existe relação entre uma suscetibilidade hipnótica mensurada individual e a manifestação de respostas placebo/nocebo.[3]
[editar]Por que uma resposta nocebo?
O termo “resposta nocebo” foi cunhado em 1961 por Walter Kennedy (hoje em dia ele usa o termo “reação nocebo”). Ele observou que outro significado, completamente diferente e sem relaçao, além de mais distante do termo placebo estava se tornando comum na literatura técnica e ao invés de uma resposta agradável, o paciente apresentava uma resposta simulada contrária.
Kennedy escolheu o termo em latim nocebo (“fazer mal”) devido a ser o oposto da palavra placebo (“agradar”), e usava-a a fim de descrever a contrapartida da resposta placebo: sabidamente, uma resposta desagradável na aplicação de algum tratamento simulado. Kennedy enfatizou muito que este uso específico do termo nocebo não se referia a “ação [[iatrogenia|iatrogênica[[ das drogas”: [4] em outras palavras, de acordo com Kennedy, não havia nada parecido com o “efeito nocebo”, somente existiria uma resposta nocebo”. Ele insistiu que uma “reação nocebo” era ligada ao paciente, e foi enfático no uso do termo “reação nocebo” especialmente quando se queria falar sobre alguma “qualidade inerente ao paciente mais do que ao medicamento”.[4]
Mais significante ainda, Kennedy também atestou que embora “ as reações nocebo ocorrem (nunca devem ser confundidas) como efeitos farmacêuticos verdadeiros, assim como o zumbido gerado pelo quinino. [4]
Esta evidencia forte, clara e muito persuasiva de Kennedy foi a fim de deixar mais preciso seu discurso, afastando a idéia de que nocebo seria uma “resposta negativa com a administração de alguma droga”; e sim afirmando que era a contraparte da “resposta placebo”, que seria gerada pelas expectativas positivas do paciente.
E finalmente, e de maneira definitiva, Kennedy não estava falando sobre uma droga ativa com respostas negativas previsíveis farmacologicamente, o que seria um efeito adverso, ou efeito colateral.
[editar]Ambigüidade do uso médico
Em um artigo importante e recente,[5] Stewart-Williams e Podd argumentam que o uso dos termos contrastantes “placebo” e nocebo” a fim de rotular agentes inertes que produzem alterações agradáveis, com melhora da saúde ou desagradáveis com piora da mesma é extremamente contraprodutivo.
Por exemplo, o mesmo medicamento pode gerar analgesia e hiperalgesia, o primeiro seria um placebo e o segundo, um nocebo.
Um segundo problema é que o mesmo efeito, como a imunossupressão pode ser muito desejável em um paciente com doença autoimune, mas muito indesejável para muitos pacientes. Daí, para os primeiros o efeito seria um placebo, e para os outros, nocebo.
Um terceiro problema é que o profissional que prescreve não sabe se o paciente em questão considera os efeitos que eles experimentará como desejáveis ou indesejáveis até um certo tempo de administração das drogas.
Um quarto problema é que, em casos como este, os mesmos fenômenos são gerados em todos os pacientes, e estão sendo gerados pela mesma droga, que está agindo em todos os pacientes precisamente pelo mesmo mecanismo. Ainda, justamente por causa deste fenômeno em questão ter sido considerado subjetivamente para um grupo, mas não para outro, os fenômenos agora tem sido rotulados de duas maneiras exclusivas (placebo ou nocebo) e isso nos dá a falsa impressão de que a droga em questão produz dois fenômenos completamente diferentes.
[editar]Ambigüidade do uso antropológico
Algumas pessoas mantém a crença em coisas malignas (por exemplo, a morte vodu em muitas culturas) e benignas (curas milagrosas).
Uma morte auto-infringida (devido a vodu, maldição ou olho gordo,[6] etc.) é uma forma extrema de uma síndrome específica de determinadas culturas ou doenças sociogênicas, que produz uma forma particular de distúrbio psicossomático ou psicofisiológico, o que resulta em uma morte psicogênica.
Existem muitos níveis de mortes psicogênicas auto-infringidas. Por exemplo, a morte de Ananias, como escrito em Atos 5:1-6;
Rubel (1964) falou de síndromes “ligadas à cultura”, onde alguns membros de um grupo em particular clamam para que tenham algum tipo de diagnóstico, medidas preventivas e até mesmo cura de algumas doenças (p.268).
É importante distinguir estas mortes auto-infringidas de outras auto-impostas, como:
as mortes auto-infringidas no suicídio, eutanásia voluntária, ou a recusa de tratamento que tenha por intuito estender a vida;
a morte auto-infringida “heróica”, do soldado que se joga em cima de uma granada a fim de salvar seus companheiros, ou o Capitão explorador do Ártico Lawrence Oates; ou
a morte auto-infringida religiosa, a auto-imolação ou a morte voluntária dos monges (“morte religiosa voluntária”) de pessoas mais idosas, cujos religiosos as permitem morrer voluntariamente, em paz e vagarosamente por inanição.
Certos antropólogos, como Robert Hahn e Arthur Kleinman estenderam a distinção de nocebo/placebo a fim de permitir que esta distinção seja feita entre rituais, como curas religiosas, como as que são realizadas a fim de curar ou trazer algum benefício (placebo) e outros mais, das com o intuito de matar, trazer alguma injúria ou malefício (nocebo)
Como conclusão, estes dois antropólogos falam, em vários contextos, sobre nocebo e placebo o seguinte:
estes procedimentos podem estar relacionados a respostas nocebo ou placebo (desagradáveis ou agradáveis)
existem tipos de pacientes que podem ter respostas nocebo ou placebo
as respostas estão relacionadas diretamente ao profissional que administra o tratamento, e seu intuito;
intimamente relacionadas às crenças do próprio administrador.
Este tema pode ser ainda mais complexo terminologicamente; para Hahn e Kleinman, pode existir respostas paradoxais nocebo com rituais placebo(por exemplo o teste TGN1412 [1] [2]), bem como respostas paradoxais placebo de rituais nocebo.
Com a experiência de tratar extensivamente neoplasias (incluindo mais de 1000 casos de melanoma, no Sydney Hospital, Milton (1973) atestou sobre o impacto de se falar um prognóstico, e quantos de seus pacientes, após recebê-lo, simplesmente deixaram de encarar a doença e morreram prematuramente: “...há um pequeno grupo de pacientes onde a notícia de perigo de morte é tão terrível que eles simplesmente não conseguem se ajustar, e morrer de maneira rápida, antes mesmo da malignidade da lesão ter desenvolvido causas para a morte. Este problema de morte auto-infringida é, de alguma forma, análogo à morte produzida por bruxaria em povos primitivos
Roubada e traída
Sinto-me roubada e traída. Traída sim, e, mal paga, literalmente. Não, não é o que estão a pensar: dessas traições, já não sofro, há pelo menos 30 anos, que eu saiba... Traída, porque acreditei que se trabalhasse, estudasse e me esforçasse, um dia seria compensada. Eu sei, eu sei - mentalidade Judaico/Cristã, "sofre, trabalha, sacrifica-te e ganharás o céu". Claro que eu não queria ganhar o céu, não sou assim tão ambiciosa, vinda de família pobre, queria, pura e simplesmente, ganhar o suficiente para ter uma vida decente, e uma velhice confortável. E, acreditando nisso, lá trabalhei, como a formiga da fábula - aos dezoito anos, com a 4ª classe, comecei a estudar de noite, porque, de dia tinha de fazer de dona de casa – a minha Mãe morreu quando eu tinha treze anos, e com três irmãos mais novos para cuidar, fui a gata borralheira, lá de casa, com direito a muito pouco. Foi assim que fiz o primeiro e o segundo ciclo e depois tirei um curso técnico. Trabalhei no laboratório duma fábrica durante seis anos e continuei a estudar. Entretanto, tive a sorte de mudar para um laboratório hospitalar que funcionava 24 sobre 24 horas, e aí acabei licenciatura e Mestrado. Para poder ir às aulas da faculdade, fiz os horários nocturnos, que me pertenciam e os que outros não queriam. Trabalhei sábados, domingos, feriados, noites e dias de Natal e de Fim de Ano. Penosas. Depois mudei de trabalho, fui Directora e Professora numa Escola Superior de Tecnologia da Saúde. Também aí dei o meu melhor. Sem me considerar diferente, nem superior a outras pessoas, que fizeram sacrifícios semelhantes aos meus, tinha sempre uma esperança, um objectivo: amanhã será melhor! Hoje não posso, pensava eu, mas um dia hei-de ter tempo e dinheiro para viver melhor, ler os livros que não pude ler e ver os filmes que não vi, e, viajar, viajar por horizontes apenas sonhados! E pronto, vivi nessa ilusão e nesse desiderato todos os trinta e seis anos em que trabalhei e fiz descontos. E agora, vêm estes senhores, que, como diz o outro – “não sabem nada da vida”, e, se calhar nunca fizeram sacrifício nenhum para ter tudo o que têm, e subtraem-me, uma grande parte da aposentação. Eu, como tantos outros que cumpriram, que pagaram os impostos e todas as coisas que adquiriram, sinto-me roubada e traída!
Publicado também aqui.
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Pobres aposentados
Brasil 10/1/2012 17:7:20 » Por
Pobres aposentados
Artigo de Juremir Machado da Silva, do Correio do Povo
Chegamos à inversão desconcertante: o problema dos aposentados é que eles estão vivendo cada vez mais. Isso quebra um país. Uau! Daí a necessidade de maltratá-los. O governo federal, por exemplo, tem sido cruel com os aposentados. Pelo segundo ano consecutivo, na bucha, os que ganham acima do Piso nacional não terão aumento real. Ficarão apenas com a reposição inflacionária. As aposentadorias vão encolhendo junto com a vida. Eu sou um amante à moda antiga e uma pessoa de valores anacrônicos. Mando flores para a amada e acho que o ciclo natural tem de ser mantido: os pais cuidam dos filhos e, mais tarde, os filhos cuidam dos pais. Já não é mais assim. Os pais cuidam dos filhos porque uma criança é vida e alegria. Os filhos não querem cuidar dos pais porque a velhice traz doenças. Depositam em clínicas. É moderno. Não julgo.
Confesso minha antiguidade. É uma maneira de dizer que, do meu ponto de vista, tratamos mal os que envelhecem. Quem se preocupa realmente com a situação dos aposentados no Brasil? Num sistema de solidariedade, temos de economizar para pagar o descanso de quem trabalhou a vida inteira. Aí saltam os tecnocratas e desandam a falar no "rombo" da Previdência. É a senha para defender o "que cada um cuide de si". Acontece que fomos convencidos pelos imbecis da modernidade que o essencial da vida é o produtivismo, que estamos no mundo para trabalhar metade do dia e melhorar as estatísticas oficiais e que o egoísmo é a melhor forma de organização social. Os imbecis da modernidade são aqueles caras engravatados, com gel no cabelo, que falam player, acreditam nas classificações de risco de cada país feitas por bancos americanos e fingem levar a sério as recomendações do FMI para países atolados como a Grécia.
Se os aposentados brasileiros não botarem o bloco na rua serão atropelados pelo governo do Partido dos Trabalhadores. Qual é o poder de pressão dos aposentados? Greve é que não é. Pelo jeito, salvo se for ilusão de ótica, o governo está fazendo redistribuição de renda, tirando de quem ganha um pouquinho acima e passando para quem ganha o mínimo. Não deixa de ser revolucionário, original e pertinente. Injusto seria tirar dos banqueiros, que andam apertados, sofrendo com as constantes reduções da taxa Selic. O capital financeiro já foi melhor remunerado neste país. Os chamados radicais andam querendo virar o Brasil de cabeça para baixo. Há quem defenda, por exemplo, que os governos parem de abrir mão de tributos em favor de multinacionais e paguem mais para professores. Só que aí entra em campo a chantagem dos fundamentalistas favorecidos. É o famoso coro do "então a gente não vem" ou "então a gente vai embora".
Se continuar assim, os aposentados que ganham acima do mínimo emplacarão quatro anos sem reajuste real, e Dilma poderá entrar para a história como a madrasta dos velhinhos ou a bruxa do Planalto. Sempre vale lembrar que aposentado vota. Só, em geral, não financia campanha. Se a expectativa média de vida continuar aumentando, tem aposentado brasileiro que acabará sem nada a receber.
Juremir Machado da Silva | juremir@correiodopovo.com.br
Pobres aposentados
Artigo de Juremir Machado da Silva, do Correio do Povo
Chegamos à inversão desconcertante: o problema dos aposentados é que eles estão vivendo cada vez mais. Isso quebra um país. Uau! Daí a necessidade de maltratá-los. O governo federal, por exemplo, tem sido cruel com os aposentados. Pelo segundo ano consecutivo, na bucha, os que ganham acima do Piso nacional não terão aumento real. Ficarão apenas com a reposição inflacionária. As aposentadorias vão encolhendo junto com a vida. Eu sou um amante à moda antiga e uma pessoa de valores anacrônicos. Mando flores para a amada e acho que o ciclo natural tem de ser mantido: os pais cuidam dos filhos e, mais tarde, os filhos cuidam dos pais. Já não é mais assim. Os pais cuidam dos filhos porque uma criança é vida e alegria. Os filhos não querem cuidar dos pais porque a velhice traz doenças. Depositam em clínicas. É moderno. Não julgo.
Confesso minha antiguidade. É uma maneira de dizer que, do meu ponto de vista, tratamos mal os que envelhecem. Quem se preocupa realmente com a situação dos aposentados no Brasil? Num sistema de solidariedade, temos de economizar para pagar o descanso de quem trabalhou a vida inteira. Aí saltam os tecnocratas e desandam a falar no "rombo" da Previdência. É a senha para defender o "que cada um cuide de si". Acontece que fomos convencidos pelos imbecis da modernidade que o essencial da vida é o produtivismo, que estamos no mundo para trabalhar metade do dia e melhorar as estatísticas oficiais e que o egoísmo é a melhor forma de organização social. Os imbecis da modernidade são aqueles caras engravatados, com gel no cabelo, que falam player, acreditam nas classificações de risco de cada país feitas por bancos americanos e fingem levar a sério as recomendações do FMI para países atolados como a Grécia.
Se os aposentados brasileiros não botarem o bloco na rua serão atropelados pelo governo do Partido dos Trabalhadores. Qual é o poder de pressão dos aposentados? Greve é que não é. Pelo jeito, salvo se for ilusão de ótica, o governo está fazendo redistribuição de renda, tirando de quem ganha um pouquinho acima e passando para quem ganha o mínimo. Não deixa de ser revolucionário, original e pertinente. Injusto seria tirar dos banqueiros, que andam apertados, sofrendo com as constantes reduções da taxa Selic. O capital financeiro já foi melhor remunerado neste país. Os chamados radicais andam querendo virar o Brasil de cabeça para baixo. Há quem defenda, por exemplo, que os governos parem de abrir mão de tributos em favor de multinacionais e paguem mais para professores. Só que aí entra em campo a chantagem dos fundamentalistas favorecidos. É o famoso coro do "então a gente não vem" ou "então a gente vai embora".
Se continuar assim, os aposentados que ganham acima do mínimo emplacarão quatro anos sem reajuste real, e Dilma poderá entrar para a história como a madrasta dos velhinhos ou a bruxa do Planalto. Sempre vale lembrar que aposentado vota. Só, em geral, não financia campanha. Se a expectativa média de vida continuar aumentando, tem aposentado brasileiro que acabará sem nada a receber.
Juremir Machado da Silva | juremir@correiodopovo.com.br
MAIS UM MINISTRO IRREGULAR
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012 | 05:10
Ministro Fernando Bezerra tem um belo currículo em matéria de irregularidades.
Carlos Newton
As denúncias não param mais, é um nunca-acabar. O ministro Fernando Bezerra, da Integração Nacional, mostra ter um currículo respeitável, em matéria de irregularidades, não há a menor dúvida.
Uma das denúncias diz que ele obteve em dezembro o adiamento da cobrança de uma dívida da Prefeitura de Petrolina com estatal ligada à pasta da Integração Nacional. A dívida era antiga. Quando prefeito de Petrolina (PE), Bezerra firmou convênio de R$ 23 milhões com a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba) para a construção de estações de tratamento de esgoto.
Por coincidência, é claro, Clementino era diretor de Infraestrutura da Codevasf e prorrogou a cobrança. A assessoria da afirma que prorrogações são “naturais” nesse tipo de procedimento, por envolver diferentes esferas administrativas e possibilidades de recurso. Segundo a estatal, “não cabe falar em nenhum favorecimento”.
Quando chegou a ministério, Fernando Bezerra então colocou o irmão na presidência da Codevasf, mas agora o nepotismo estava pegando tão mal que Clementino Coelho pediu demissão d o comando da estatal, segundo decreto publicado nesta terça-feira no “Diário Oficial da União”.
Bezerra responde a outras suspeitas de irregularidades cometidas durante seu mandato à frente da Prefeitura de Petrolina. Reportagem da Folha na segunda-feira mostrou que o ministro utilizou recursos públicos para comprar um mesmo terreno duas vezes, quando era prefeito.
O ministro também está envolvido em suspeitas de favorecimento ao seu Estado, Pernambuco, e ao seu filho, o deputado federal Fernando Coelho (PSB-PE), que teve todas as emendas destinadas à pasta liberadas.
***
COMPRA EM REPRISE
O ministro Fernando Bezerra Coelho utilizou recursos públicos para comprar um mesmo terreno duas vezes, quando era prefeito de Petrolina (PE). A primeira compra ocorreu no final de seu primeiro mandato, em 1996, por R$ 90 mil. Na segunda, já em 2001, durante seu segundo mandato, pagou R$ 110 mil. Nas duas vezes, o dinheiro beneficiou o mesmo empresário, José Brandão Ramos, sob a mesma justificativa: transformar a área em um aterro sanitário.
O ministro admitiu, por intermédio de sua assessoria, que o terreno foi comprado duas vezes pela Prefeitura de Petrolina (PE), mas afirmou que foi induzido a erro pela gestão do prefeito Guilherme Coelho, seu primo, que o sucedeu em 1997, vejam só que grande família.
Detalhe: todos os Coelhos são filiados e representam o Partido Socialista Brasileiro. Quer dizer, com socialistas desse nível, quem precisa de capitalistas? São farinha do mesmo saco, como se diz no Norte/Nordeste.
***
NO CONGRESSO, QUINTA-FEIRA
Em pleno recesso, o presidente do Senado, José Sarney, vai reunir a Comissão representativa do Congresso nesta quinta-feira para que Bezerra esclareça denúncias envolvendo sua atuação na pasta, como favorecimento ao seu Estado, Pernambuco, e também ao seu filho, o deputado federal Fernando Coelho (PSB-PE).
Na semana passada, deputados do PPS protocolaram requerimentos com o pedido de informações ao ministro. Outros dois requerimentos semelhantes foram anunciados pelos líderes do PSDB, Alvaro Dias (PR), e do DEM, Demóstenes Torres (GO). Os senadores também questionam Fernando Bezerra sobre supostas irregularidades que teriam ocorrido em sua gestão na Prefeitura de Petrolina (PE).
Na segunda-feira, o próprio ministro disse que entrou em contato com o presidente do Senado para ser convocado a dar explicações ao Legislativo sobre as denúncias recentes.
A comissão representativa do Congresso é composta por 18 deputados e oito senadores e representa o Legislativo durante o recesso parlamentar, que termina no dia 2 de fevereiro. A base aliada tem a maioria das cadeiras da comissão.
Ministro Fernando Bezerra tem um belo currículo em matéria de irregularidades.
Carlos Newton
As denúncias não param mais, é um nunca-acabar. O ministro Fernando Bezerra, da Integração Nacional, mostra ter um currículo respeitável, em matéria de irregularidades, não há a menor dúvida.
Uma das denúncias diz que ele obteve em dezembro o adiamento da cobrança de uma dívida da Prefeitura de Petrolina com estatal ligada à pasta da Integração Nacional. A dívida era antiga. Quando prefeito de Petrolina (PE), Bezerra firmou convênio de R$ 23 milhões com a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba) para a construção de estações de tratamento de esgoto.
Por coincidência, é claro, Clementino era diretor de Infraestrutura da Codevasf e prorrogou a cobrança. A assessoria da afirma que prorrogações são “naturais” nesse tipo de procedimento, por envolver diferentes esferas administrativas e possibilidades de recurso. Segundo a estatal, “não cabe falar em nenhum favorecimento”.
Quando chegou a ministério, Fernando Bezerra então colocou o irmão na presidência da Codevasf, mas agora o nepotismo estava pegando tão mal que Clementino Coelho pediu demissão d o comando da estatal, segundo decreto publicado nesta terça-feira no “Diário Oficial da União”.
Bezerra responde a outras suspeitas de irregularidades cometidas durante seu mandato à frente da Prefeitura de Petrolina. Reportagem da Folha na segunda-feira mostrou que o ministro utilizou recursos públicos para comprar um mesmo terreno duas vezes, quando era prefeito.
O ministro também está envolvido em suspeitas de favorecimento ao seu Estado, Pernambuco, e ao seu filho, o deputado federal Fernando Coelho (PSB-PE), que teve todas as emendas destinadas à pasta liberadas.
***
COMPRA EM REPRISE
O ministro Fernando Bezerra Coelho utilizou recursos públicos para comprar um mesmo terreno duas vezes, quando era prefeito de Petrolina (PE). A primeira compra ocorreu no final de seu primeiro mandato, em 1996, por R$ 90 mil. Na segunda, já em 2001, durante seu segundo mandato, pagou R$ 110 mil. Nas duas vezes, o dinheiro beneficiou o mesmo empresário, José Brandão Ramos, sob a mesma justificativa: transformar a área em um aterro sanitário.
O ministro admitiu, por intermédio de sua assessoria, que o terreno foi comprado duas vezes pela Prefeitura de Petrolina (PE), mas afirmou que foi induzido a erro pela gestão do prefeito Guilherme Coelho, seu primo, que o sucedeu em 1997, vejam só que grande família.
Detalhe: todos os Coelhos são filiados e representam o Partido Socialista Brasileiro. Quer dizer, com socialistas desse nível, quem precisa de capitalistas? São farinha do mesmo saco, como se diz no Norte/Nordeste.
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NO CONGRESSO, QUINTA-FEIRA
Em pleno recesso, o presidente do Senado, José Sarney, vai reunir a Comissão representativa do Congresso nesta quinta-feira para que Bezerra esclareça denúncias envolvendo sua atuação na pasta, como favorecimento ao seu Estado, Pernambuco, e também ao seu filho, o deputado federal Fernando Coelho (PSB-PE).
Na semana passada, deputados do PPS protocolaram requerimentos com o pedido de informações ao ministro. Outros dois requerimentos semelhantes foram anunciados pelos líderes do PSDB, Alvaro Dias (PR), e do DEM, Demóstenes Torres (GO). Os senadores também questionam Fernando Bezerra sobre supostas irregularidades que teriam ocorrido em sua gestão na Prefeitura de Petrolina (PE).
Na segunda-feira, o próprio ministro disse que entrou em contato com o presidente do Senado para ser convocado a dar explicações ao Legislativo sobre as denúncias recentes.
A comissão representativa do Congresso é composta por 18 deputados e oito senadores e representa o Legislativo durante o recesso parlamentar, que termina no dia 2 de fevereiro. A base aliada tem a maioria das cadeiras da comissão.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Crise na Europa
Revista Veja
Crise na Europa
A Europa, sempre lembrada como uma região de altíssimo desenvolvimento econômico e bem-estar social, agora tem sua imagem associada a turbulências de mercado. Entenda como o descontrole das contas públicas e as particularidades políticas do continente conduziram a zona do euro a uma crise financeira que levará anos para ser totalmente superada.
1. Por que a Europa passa por uma crise?
A formação de uma crise financeira na zona do euro deu-se, fundamentalmente, por problemas fiscais. Alguns países, como a Grécia, gastaram mais dinheiro do conseguiram arrecadar por meio de impostos nos últimos anos. Para se financiar, passaram a acumular dívidas. Assim, a relação do endividamento sobre PIB de muitas nações do continente ultrapassou significativamente o limite de 60% estabelecido no Tratado de Maastricht, de 1992, que criou a zona do euro. No caso da economia grega, exemplo mais grave de descontrole das contas públicas, a razão dívida/PIB é mais que o dobro deste limite. A desconfiança de que os governos da região teriam dificuldade para honrar suas dívidas fez com que os investidores passassem a temer possuir ações, bem como títulos públicos e privados europeus.
2. Quando os investidores passaram a desconfiar da Europa?
Os primeiros temores remontam 2007 quando existiam suspeitas de que o mercado imobiliário dos Estados Unidos vivia uma bolha. Temia-se que bancos americanos e também europeus possuíam ativos altamente arriscados, lastreados em hipotecas de baixa qualidade. A crise de 2008 confirmou as suspeitas e levou os governos a injetarem trilhões de dólares nas economias dos países mais afetados. No caso da Europa, a iniciativa agravou os déficits nacionais, já muito elevados. Em fevereiro de 2010, uma reportagem do The New York Times revelou que a Grécia teria fechado acordos com o banco Goldman Sachs com o objetivo de esconder parte de sua dívida pública. A notícia levou a Comissão Européia a investigar o assunto e desencadeou uma onda de desconfiança nos mercados. O clima de pessimismo foi agravado em abril pelo rebaixamento, por parte das agências de classificação de risco, das notas dos títulos soberanos de Grécia, Espanha e Portugal.
3. Quais países se encontram em situação de risco na Europa e por quê?
Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha - que formam o chamado grupo dos PIIGS - são os que se encontram em posição mais delicada dentro da zona do euro, pois foram os que atuaram de forma mais indisciplinada nos gastos públicos e se endividaram excessivamente. Além de possuírem elevada relação dívida/PIB, estes países possuem pesados déficits orçamentários ante o tamanho de suas economias. Como não possuem sobras de recursos (superávit), entraram no radar da desconfiança dos investidores. Para este ano, as projeções da Economist Intelligence Unit apontam déficits/PIB de 8,5% para Portugal, 19,4% para Irlanda, 5,3% para Itália, 9,4% para Grécia e 11,5% para Espanha.
Crise na Europa
A Europa, sempre lembrada como uma região de altíssimo desenvolvimento econômico e bem-estar social, agora tem sua imagem associada a turbulências de mercado. Entenda como o descontrole das contas públicas e as particularidades políticas do continente conduziram a zona do euro a uma crise financeira que levará anos para ser totalmente superada.
1. Por que a Europa passa por uma crise?
A formação de uma crise financeira na zona do euro deu-se, fundamentalmente, por problemas fiscais. Alguns países, como a Grécia, gastaram mais dinheiro do conseguiram arrecadar por meio de impostos nos últimos anos. Para se financiar, passaram a acumular dívidas. Assim, a relação do endividamento sobre PIB de muitas nações do continente ultrapassou significativamente o limite de 60% estabelecido no Tratado de Maastricht, de 1992, que criou a zona do euro. No caso da economia grega, exemplo mais grave de descontrole das contas públicas, a razão dívida/PIB é mais que o dobro deste limite. A desconfiança de que os governos da região teriam dificuldade para honrar suas dívidas fez com que os investidores passassem a temer possuir ações, bem como títulos públicos e privados europeus.
2. Quando os investidores passaram a desconfiar da Europa?
Os primeiros temores remontam 2007 quando existiam suspeitas de que o mercado imobiliário dos Estados Unidos vivia uma bolha. Temia-se que bancos americanos e também europeus possuíam ativos altamente arriscados, lastreados em hipotecas de baixa qualidade. A crise de 2008 confirmou as suspeitas e levou os governos a injetarem trilhões de dólares nas economias dos países mais afetados. No caso da Europa, a iniciativa agravou os déficits nacionais, já muito elevados. Em fevereiro de 2010, uma reportagem do The New York Times revelou que a Grécia teria fechado acordos com o banco Goldman Sachs com o objetivo de esconder parte de sua dívida pública. A notícia levou a Comissão Européia a investigar o assunto e desencadeou uma onda de desconfiança nos mercados. O clima de pessimismo foi agravado em abril pelo rebaixamento, por parte das agências de classificação de risco, das notas dos títulos soberanos de Grécia, Espanha e Portugal.
3. Quais países se encontram em situação de risco na Europa e por quê?
Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha - que formam o chamado grupo dos PIIGS - são os que se encontram em posição mais delicada dentro da zona do euro, pois foram os que atuaram de forma mais indisciplinada nos gastos públicos e se endividaram excessivamente. Além de possuírem elevada relação dívida/PIB, estes países possuem pesados déficits orçamentários ante o tamanho de suas economias. Como não possuem sobras de recursos (superávit), entraram no radar da desconfiança dos investidores. Para este ano, as projeções da Economist Intelligence Unit apontam déficits/PIB de 8,5% para Portugal, 19,4% para Irlanda, 5,3% para Itália, 9,4% para Grécia e 11,5% para Espanha.
A Transitoriedade do Tempo
Erika de Souza Bueno
Reflexões Sobre as Oportunidades e as Características do Tempo
Nada como um dia após o outro para acalmar os ânimos e reanimar aqueles que sofreram frustrações.
Nada como atentar para a importância do tempo e reaprender lições já vistas anteriormente.
Nada como o tempo para nos ensinar que o branco dos cabelos fala-nos da urgência de transferirmos os conhecimentos acumulados durante os anos.
O tempo ensina, o tempo acalma, o tempo impõe verdades que não queríamos entender.
A duração de um tempo é subjetiva. Um minuto pode ser tão pouco e insignificante quanto pode ser decisivo para a sobrevivência de alguém.
A intensidade de cada momento também não pode ser medida com precisão, pois para cada um é revelada de uma forma.
O tempo pode ser recordado, mas não adiantado. Por ele, as mais diversas circunstâncias vividas por alguém podem ser trazidas à memória em quaisquer lugares.
Para alguns, o tempo tem poder de curar máculas causadas pela ausência física e/ou psicológica de alguém que queríamos que participasse de nossa história.
Se não fosse a divisão do tempo em segundos, minutos, hora, dia, meses e anos, seria muito difícil fazermos uma reflexão sobre o que poderia ser mudado, melhorado em nós.
A cada minuto que passa, a cada dia que termina, temos a oportunidade de parar e repensar as ações e reações causadas por nós e em nós.
O tempo é uma das oportunidades que Deus nos dá para entendermos a brevidade dos nossos dias e a consequente urgência de nos voltarmos a Ele.
Envolvidos com algumas notórias rotinas da vida, muitos pais perdem a oportunidade de atentarem para as necessidades emocionais de seus filhos, não esclarecendo, em tempo oportuno, as dúvidas que nossas crianças sempre têm.
Há quem diga, inclusive, que os netos são a nova oportunidade que a vida dá aos pais de pagarem aos filhos o tempo que não tiveram para eles.
O tempo nos evidencia a urgência e a importância do agora, ou seja, do único momento que é nosso e que temos a oportunidade de corrigirmos as falhas que nem mesmo os anos foram capazes de consertar.
Valorize cada momento de sua vida, valorizando as pessoas que fazem parte dela.
Não deixe de fora de sua história nem mesmo as pessoas que, por desconhecimento e clareza da importância de se cultivar amigos e familiares, insistem em cultivar instabilidades.
Ensine-as que o tempo passa e que a oportunidade para ser feliz e fazer alguém feliz ainda está sendo oferecida a nós, basta que nossos “olhos” não estejam tão enfadados a ponto de não conseguirem mais enxergar.
Reflexões Sobre as Oportunidades e as Características do Tempo
Nada como um dia após o outro para acalmar os ânimos e reanimar aqueles que sofreram frustrações.
Nada como atentar para a importância do tempo e reaprender lições já vistas anteriormente.
Nada como o tempo para nos ensinar que o branco dos cabelos fala-nos da urgência de transferirmos os conhecimentos acumulados durante os anos.
O tempo ensina, o tempo acalma, o tempo impõe verdades que não queríamos entender.
A duração de um tempo é subjetiva. Um minuto pode ser tão pouco e insignificante quanto pode ser decisivo para a sobrevivência de alguém.
A intensidade de cada momento também não pode ser medida com precisão, pois para cada um é revelada de uma forma.
O tempo pode ser recordado, mas não adiantado. Por ele, as mais diversas circunstâncias vividas por alguém podem ser trazidas à memória em quaisquer lugares.
Para alguns, o tempo tem poder de curar máculas causadas pela ausência física e/ou psicológica de alguém que queríamos que participasse de nossa história.
Se não fosse a divisão do tempo em segundos, minutos, hora, dia, meses e anos, seria muito difícil fazermos uma reflexão sobre o que poderia ser mudado, melhorado em nós.
A cada minuto que passa, a cada dia que termina, temos a oportunidade de parar e repensar as ações e reações causadas por nós e em nós.
O tempo é uma das oportunidades que Deus nos dá para entendermos a brevidade dos nossos dias e a consequente urgência de nos voltarmos a Ele.
Envolvidos com algumas notórias rotinas da vida, muitos pais perdem a oportunidade de atentarem para as necessidades emocionais de seus filhos, não esclarecendo, em tempo oportuno, as dúvidas que nossas crianças sempre têm.
Há quem diga, inclusive, que os netos são a nova oportunidade que a vida dá aos pais de pagarem aos filhos o tempo que não tiveram para eles.
O tempo nos evidencia a urgência e a importância do agora, ou seja, do único momento que é nosso e que temos a oportunidade de corrigirmos as falhas que nem mesmo os anos foram capazes de consertar.
Valorize cada momento de sua vida, valorizando as pessoas que fazem parte dela.
Não deixe de fora de sua história nem mesmo as pessoas que, por desconhecimento e clareza da importância de se cultivar amigos e familiares, insistem em cultivar instabilidades.
Ensine-as que o tempo passa e que a oportunidade para ser feliz e fazer alguém feliz ainda está sendo oferecida a nós, basta que nossos “olhos” não estejam tão enfadados a ponto de não conseguirem mais enxergar.
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