quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

a cara do brasil

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A cara do Brasil - J. R. GUZZO REVISTA VEJA

terça-feira, dezembro 24, 2013

A cara do Brasil - J. R. GUZZO

REVISTA VEJA

Basta prestar um mínimo de atenção nas coisas para saber que Campinas, a segunda maior cidade do Estado de São Paulo, com 1,1 milhão de habitantes, santuário da indústria brasileira, polo irradiador de tecnologia e centro nervoso da região produtiva mais avançada do país, é mais ou menos o máximo a que o Brasil pode aspirar no momento, com realismo, em termos de progresso. Foi ali, e na constelação de cidades à sua volta, que o esforço para levar a indústria até o interior teve os seus melhores resultados. O PIB da região metropolitana de Campinas está entre 45 e 50 bilhões de dólares, conforme o critério usado para os cálculos. Equivale ao de todo o Estado de Pernambuco, é maior que o do Ceará e tem o tamanho de um Uruguai inteiro – vale mais, por sinal, que o PIB de pelo menos 110 países espalhados pelo mundo afora. Um terço de tudo o que o Brasil exporta e importa por via aérea passa por Campinas. As cinquenta maiores empresas do mundo têm operações na região metropolitana, um conjunto com perto de vinte cidades. Funcionam em Campinas duas das mais prestigiadas universidades do Brasil, institutos de pesquisa de primeira linha, uma orquestra sinfônica. E ali que está a maior refinaria da Petrobras no Brasil. O PIB per capita da região, nos cálculos mais elevados, está entre 20 000 e 25 000 dólares anuais – mais que o da Grécia ou o do Chile, e o dobro do da Rússia. Seu último IDH foi de 0,805, já na zona tida pela ONU como "elevada".

Campinas, com a sua coleção de virtudes, é a cidade mais desenvolvida do interior de São Paulo, o estado mais desenvolvido do Brasil – um "colosso", como se diz por ali. Enfim, para falar em português claro: muito melhor que isso não fica. Campinas, quando comparada com municípios do mesmo porte no exterior, é o tipo de cidade onde o Brasil conseguiu ficar mais parecido com o Primeiro Mundo. É em lugares como Campinas, em suma, que o Brasil deu "mais certo". E é em lugares como Campinas, ao mesmo tempo, que dá para perceber quanto o Brasil deu errado – e o tamanho do buraco em que estamos metidos. Por quê? É muito simples: em Campinas, esse "colosso" aqui descrito, 30% da população entre 15 e 64 anos – ou seja, praticamente todo mundo – são analfabetos funcionais, gente que não consegue entender direito o que lê num texto simples, não sabe enunciar números com mais de quatro ou cinco algarismos e não tem noções elementares de proporcionalidade. Outros 40%, como dizem educadamente os técnicos em pedagogia, têm apenas um nível "básico" de alfabetização – são aquilo que os leigos chamam de "semianalfabetos". Tira daqui, põe ali, e o que se tem de concreto, goste-se ou não, é o seguinte: não mais que 30% dos habitantes da cidade-sucesso do Brasil são realmente alfabetizados – e podem, assim, se qualificar como cidadãos plenos deste país. Numa sociedade em que a verdadeira divisão de classes está entre os que; têm conhecimento e os que não têm, 70% estão condenados desde já, em grau maior ou menor, a ficar no bloco dos perdedores.

Num ano como este 2013 que ora se encerra, quando o Brasil teve tantas oportunidades para se ver diante de escolhas claras entre o progresso e o atraso, as dramáticas contradições existentes em localidades como Campinas servem para o país olhar com mais sobriedade para si próprio – e admitir que o espelho no qual se enxerga não reflete uma imagem só. Campinas é apenas um exemplo do tipo de crescimento e de progresso com que o Brasil se habituou; mas dezenas de outras cidades brasileiras, talvez até mais, poderiam perfeitamente ser citadas em seu lugar. Ao contrário do mundo desenvolvido, onde mais produção gera apenas mais prosperidade, aqui as cidades mais dinâmicas não conseguem crescer sem atrair pobreza, exclusão social e desigualdade. Se é assim em lugares com os números e o desempenho de Campinas, imagine-se então como andam as coisas na média nacional – ou, pior ainda, onde se vive abaixo dela. Não existe, simplesmente, uma única cidade ou região no Primeiro Mundo onde 70% da população tenha instrução suficiente para executar apenas as tarefas mais simples – e também as mais penosas, mal remuneradas e sem esperanças de melhora. No Brasil, que pretende no momento dar lições de desenvolvimento e avanço social ao resto do mundo, a cidade-símbolo do nosso progresso aceita passivamente viver nessa indigência. Não chegará nunca, desse jeito, aonde tem de chegar; continuaremos, como de costume, a ter uma das dez maiores economias do mundo e ficar ali pelo centésimo lugar em termos de bem-estar real para a população.

Os dados mais recentes sobre a situação desesperadora da educação na mais bem-sucedida cidade do interior paulista estão numa pesquisa da Federação das Entidades Assistenciais de Campinas, e o quadro geral que mostram é ainda mais feio. Um em cada cinco jovens na faixa dos 18 aos 24 anos já é chefe de família, e de toda a população do município com essa idade 60% não estudam – só metade deles, por sinal, chegou a concluir o ensino médio. Não é preciso ter um diploma de sociologia para concluir que muito pouca gente, aí, está a caminho da prosperidade. Mais da metade dos campineiros entre 18 e 24 anos vive em famílias com uma renda per capita que não passa de dois salários mínimos; ou seja, a moçada que está trabalhando em Campinas largou o estudo por uma pura e simples questão de sobrevivência, e não para ganhar uma fortuna como banqueiros de investimento. Em vez de estarem acumulando conhecimento em cursos superiores, como deveria ser a regra para quem vive nessa idade, estão precisando trabalhar em empregos de baixa qualidade para ganhar o seu sustento, e em muitos casos o das famílias que já chefiam. A cada dia que passa, mais longe ficam de aprender as habilidades indispensáveis para entrarem num mercado de trabalho agressivamente tecnológico como o de hoje e, mais ainda, de amanhã.

Não deve surpreender a ninguém, é claro, que no último grande balanço da educação mundial para a garotada na faixa dos 15 anos, o Pisa de 2012 feito pela OCDE, organismo internacional que reúne as maiores economias do mundo, o Brasil tenha ficado em 575 lugar, num total de 65 países avaliados – pior que isso, só mesmo pegando o último. (Como houve uma melhora na nota brasileira em matemática, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, determinou que o teste foi "um grande sucesso" para o Brasil. Aliás, ele já garantiu que a educação brasileira vai tão bem que terá tempo de sobra para participar da campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014.) Existe bem mais, nisso tudo, que uma calamidade estatística. Os números de Campinas, por si sós – Deus sabe como os do Brasil, tomado por inteiro, são ainda piores –, servem como pista segura para mostrar a sombria realidade de uma turma que não tem futuro. Antes de completarem 25 anos de idade, já está definido para todos aqueles jovens, salvo exceções, que serão cidadãos de segunda classe até o fim de sua vida.

Eles não terão os mesmos direitos que os outros, que neste momento já estão muito à frente deles, pelo simples motivo de que não terão as mesmas oportunidades. Para a grande maioria deles, estará fechado o acesso ao que em geral se considera as coisas materiais mais compensadoras da vida. Vão ter empregos, em vez de carreiras – isso para os que conseguirem se empregar. Podem ter mais do que tiveram os seus pais, o que é ótimo, mas raramente vão subir muito acima dos degraus onde estão hoje. O governo e seus fãs, aliás, não param de dizer que a rapaziada de Campinas, e seus equivalentes espalhados pelo Brasil, foi beneficiada pelo "maior programa de distribuição de renda", ou de "inclusão social", ou de "vitória contra a pobreza" jamais visto na história universal. Um jovem de 21 anos de idade, com salário mensal de 1000 reais e mulher e filho para cuidar, por exemplo, talvez não perceba bem por que a sua vida está assim tão espetacular, como lhe dizem: mas não tem muita razão para esperar grandes melhoras, levando-se em conta que os donos do governo estão convencidos de que já lhe deram uma enormidade nos últimos anos.

Dizer que o Brasil nunca esteve pior, não "vai para a frente", não tem "solução" e coisas desse tipo é apenas uma tolice que colide diretamente com os fatos. Em cinquenta anos, para tomar um período de tempo redondo, o país melhorou tão extraordinariamente que a realidade brasileira daquela época parece incompreensível para o cidadão de hoje. Mais de 50% da população era analfabeta. Só gente acima da classe média tinha telefone – esse aparelho hoje utilizado na forma de 270 milhões de celulares e 45 milhões de linhas fixas. Para ter um carro, sem ser rico, só sendo motorista de táxi. O Brasil inteiro, cinquenta anos atrás, tinha uma frota total inferior a 500 000 veículos; Campinas, sozinha, tem hoje por volta de 850000. A única estrada asfaltada ligando duas capitais era a Via Dutra, entre o Rio de Janeiro e São Paulo, inaugurada em 1951 - e com pista simples, como é hoje uma estradinha vicinal do interior. Muitas crianças iam à escola descalças, era comum um trabalhador usar roupas remendadas e obras como o Maracanã, por exemplo, eram construídas movendo-se toneladas de cimento em carrinhos de mão. A economia do Brasil era uma piada; o país ia pouco além de uma república bananeira, que mal conseguia se manter na era da energia elétrica. No auge do "milagre econômico" do regime militar, as autoridades falavam no "sonho" de atingir um dia a meta de 2 bilhões de dólares em exportações anuais – cifra que se obtém hoje em três dias. O PIB do Estado de São Paulo, sozinho, é 70% maior que o da Argentina.

O Brasil mudou tanto, na verdade, que acabou por se transformar num outro país – e está melhor, hoje, do que jamais esteve. Mas sua desgraça é que não cresceu nem perto do necessário para sair do subdesenvolvimento, nem com a rapidez de que precisava. Correu muito, sem dúvida, mas não o suficiente para acompanhar o ritmo dos mais rápidos e mais bem-sucedidos – e agora já não consegue acompanhar o passo de quem realmente prospera. É como o corredor na prova de fundo que já deu o seu sprint e não chegou à posição que deveria ter alcançado com esse esforço; não é capaz de dar outro arranque, e com isso vai ficando para trás na comparação com os países bem-sucedidos. Campinas, como se viu, está entre o que o Brasil fez de melhor em cinco décadas – e isso não foi o bastante. O que parece claro, quando se examina a lista dos principais suspeitos de conduzir o Brasil ao ponto a que chegamos, é a presença de um equívoco duplo e mau. Seu primeiro veneno foi a ideia de que bastaria produzir mais para criar uma vasta riqueza que se espalharia sozinha, pela sua própria natureza. A segunda insensatez foi não perceber, na vida política e no mundo pensante, que a concentração de renda e a desigualdade são efeitos, e não as causas, do desastre social do Brasil; essas doenças são a consequência inevitável da concentração do conhecimento e da péssima distribuição dos benefícios de uma educação de qualidade – estas sim os grandes fatores da divisão do Brasil em cidadãos de primeira e de segunda classe – ou terceira, ou quarta, ou quantas se queira.

Treze anos atrás, quando o PT foi para o governo, o filho de um pai rico, que podia pagar-lhe uma educação de primeira, tinha muito mais chance de dar certo na vida do que o filho de um pai pobre, que não podia pagar nada. E hoje – o que mudou nisso? Zero. A diferença continua exatamente a mesma. É uma má notícia para os 70% de campineiros que não chegaram à "alfabetização plena" - e sabe-se lá quantos brasileiros mais. Não existe na história humana o caso de uma sociedade que prosperou, se tornou mais justa e reduziu realmente as desigualdades tendo em sua população tanta gente que não consegue entender o que lê, ou fazer uma conta que vá além do 2 + 2.

O compositor e vocalista Cazuza, numa de suas canções mais celebradas, pedia para o Brasil mostrar a sua cara. Ela está aí, à vista de todos.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

sou

Sou uma pessoa bem intencionado, mas cheio de falhas naturalmente possíveis... me esforço para acertar sempre, mas falho. Como já me questionaram  com a frase um pouco carregada de ironia: "O Sr, é Deus ?" logicamente que fiquei constrangido, não pretendo nada, além da minha vontade de cumprir gestos bons que  me são inatos e tentar evitar os que fazem parte de mim mas que de maneira nenhuma me fariam uma pessoa melhor. Tantas coisa eu queria e tantas outra eu não queria...mas a minha mesa da vida vem sendo servida sem que eu tenha visto o cardápio, e sem alternativas vamos engolindo mas sempre determinado a dá uma forcinha à alegria e a felicidade. A maior angústia que sinto hoje são pelas horas perdidas num tempo que não para

Pelo direito a gentileza

Pelo direito a gentileza


Deixe que eu seja gentil. Deixe que puxe a cadeira, espere um pouco, minhas mãos estão chegando ao espaldar, deixe que abra a porta, me dê tempo, minhas mãos estão pousando na maçaneta. Deixe que eu seja gentil, que eu me antecipe a seus incômodos, que procure facilitar suas palavras, que ajude a expressar sua vontade, que concorde com seu silêncio. Deixe que eu seja gentil, meu amor. Minha gentileza não é ditadura, minha gentileza não é imposição. 
Não desejo mandar em você, e sim mostro que não há meu medo de ser dominado. 
Deixe que eu dê colo, faça cafuné, massagem nos pés, me mantenha acordado até que durma. 
Deixe que eu seja gentil, que tenha a capacidade de adivinhar quando se emocionou ou não, que responda a ataques e indelicadezas. Sei que pode se defender sozinha. Não estou lhe chamando de frágil. 
Deixe que eu seja gentil, que aceite meu casaco nos ombros no fim da noite, que aceite meu elogio no início do dia. 
Deixe que seja gentil, que eu cozinhe seu prato predileto, que arrume a cama, lave a louça e que você não tema a mesura, não pense em conspiração. 
Gentileza não é favor. Gentileza não guarda recibo. 
Não peço nada em troca, não protesto recompensa. A gentileza é de graça. A gentileza não tem caminho de volta. 
Deixe que eu seja gentil, que pague a conta do restaurante, adquira um vestido. Não estou lhe corrompendo, não estou lhe comprando. 
Gentileza não é suborno, gentileza não é chantagem. Não me culpe por ser gentil. Não me entenda errado. Não pretendo controlá-la, logo eu que mal me domino. Deixe que seja gentil, mimar não é estragar, a grosseria é que destrói. 
Deixe que eu seja gentil. Que eu possa tirar seus sapatos e guardá-los nas gavetas. Não é machismo, amor, não é machismo cuidar de você. Sei que se vira sozinha desde a adolescência, que não precisa de ninguém, nem de meus olhos assustado por um sim. 
Mas deixe que eu seja gentil. Que eu possa acompanhá-la até o toalete durante a festa, que possa aguardá-la na saída. Gentileza é se preocupar antes de qualquer problema. 
Deixe que eu seja gentil, deixe que seja sua sombra mais frondosa. Respeitar é jamais esquecer que você está ao meu lado. Sou gentil por saudade antecipada. 
Deixe que eu pegue mais coberta, que feche a janela, que atenda o interfone e telefone. 
Deixe ser sua audição mais apurada: a luz se acende inclusive para os ouvidos. 
Não elimine o que recebi de meus pais. A paciência das pequenas urgências. 
Deixe que eu seja gentil, não ofereço porque pedia, não irei cobrar. 
Gentileza é escolha, gentileza é destino. 
Deixe que eu seja gentil, vou perguntar muitas vezes ao dia como está, não canse de me responder. 
Deixe que eu seja gentil, que eu segure seu guarda-chuva, que eu busque um copo de água de madrugada, que eu dobre suas roupas e lembre qual o momento de acordar. Não apague minha educação. Não estou dizendo que você é inútil, só quero ser gentil. 
Não estou dizendo que depende de mim, amor, que não valorizo sua liberdade. 
Deixe eu ser também você. 

tenho aprendido com o tempo,
que a felicidade vibra,
na frequência das coisas mais simples...
como a doçura contente de um cafuné sem pressa...
como os instantes que repousamos os olhos em olhos amados...
como aquele poema que parece
que fomos nós que escrevemos...
como o toque da areia molhada sob os pés descalços...
como o sono relaxado e tranquilo
que põe todos os sentidos pra dormir...
como a presença da intimidade legítima e verdadeira...
como o banho bom que devolve forças ao corpo...
como o cheiro de quem se ama...
como essas coisas...
como outras coisas...

simples assim...

como o nosso amor...

flores lindas

Foto: wikipedia_ForestWander

Foto: wikipeida_Aftabbanoori


São plantas herbáceas, perenes, de longos ramos flexíveis. As suas flores são vistosas, tubulares, solitárias, podendo ser de simples ou dobradas. O seu principal pigmento é uma antocianida denominada petunidina, que tem o seu nome derivado da palavra Petúnia, sendo um corante presente em algumas outras flores e frutas. 

Dependendo da variedade, as suas cores podem ser vermelho, azul, rosa, laranja, salmão, púrpura e branca.


Foto: www.benary.com

Foto: www.1zoom.net

Foto: www.1zoom.net


Devem-se retirar sempre da planta, as flores murchas para evitar o surgimento de fungos. Florescem durante todo o ano.


Foto: wikipedia_Aftabbanoori

Foto: wikipedia_Aftabbanoori

Foto: www.1zoom.net


O que é realmente extraordinário e que enriquece a natureza das Petúnias é o fato de elas passarem pela chamada hibridação natural, ou seja, contrariando as leis da natureza uma mesma espécie é capaz de gerar através do cruzamento das suas características um ser totalmente novo e híbrido. 

flores flores


As petúnias são flores lindas, vistosas e coloridas, que representam o espelho da alma.


Foto: www.phase.com_Shirley+Haden


Foram descobertas no século XIX, sendo originárias da América do Sul, principalmente do Brasil e Argentina. 

Foto: www.1zoom.net

Foto: www.1zoom.net


As atuais petúnias são bastante diferentes das descobertas inicialmente, devido ao cruzamento de espécies através do qual se procurava conseguir plantas mais resistentes, maiores, e com mais cores.


O nome do gênero, Petunia, deriva da palavra francesa Petun, significando ‘flor vermelha’ na língua dos índios Tupi.


Foto: wikipedia_ForestWander