domingo, 19 de julho de 2009

Seja Feliz e Pronto

Arnaldo Jabor


A idiotice é vital para a felicidade. Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre.
A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? Ha ha ha ha ha ha ha ha!
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... A realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu?
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva.
Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável. Teste a teoria.
Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus, confie e espere só NELE e pra relaxar que tal um cafezinho gostoso agora?
"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios". "Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche".
Seja você mesmo sempre e VIVA A VIDA!!!!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Será verdade

Estava dentro do mato a dias.... Ontem um papagaio falador apareceu por lá fugindo da vida agitada da cidade e me contou algumas coisas que precisei sair de lá para verificar.

É verdade? O caso absurdo da menina pernambucana de nove anos engravidada pelo padastro ?

A lei brasileira permite o aborto em casos de estupro e de ameaça a vida da mãe, mas Dom José Cardoso, arcebispo de Olinda e Recife excumungou a mãe e os médicos responsáveis pelo aborto de gêmeos numa menina, criança, abusada por quem deveria lhe proteger e que corria risco de morte.

É verdade? O que sugere o arcebispo que fosse feito? É verdade que um deputado paulista afirmou que se fosse bem acompanhada poderia ser feito um parto cezariana, o que salvaria a vida da mãe e das crianças ?

Isso é verdade ?

É por situações como esta que procuro não deixar a razão atrás da fé e vivo a percorrer os caminhos das religiões sem ser um curioso ateu, mas meio agnóstico.. Na percepção teológica certeza e incerteza são dois lados da mesma moeda do poder da fé e o extremismo religiooso não cabe na cabeça de quem raciocina, logo a fé não pode dispensar a dúvida.

A fé mais nobre é também a mais inocente. São pessoas humildes do interior, muitos incravados no mato, analfabetos que vivem se comportando como aprendeu com seus pais e a comunidade, e assim, “Ala Progressista” “Teologia da Libertação” “Tendencias socialistas” não entram de jeito nenhum na cabeça da fé cega, o que conta é Deus, Jesus e os Santos.

Dom José é uma pessoa sem capacidade de dialogar? Isso é verdade? É autoritário, rancoroso e vingativo? . Asiim o define um acessor seu, mas uma pessoa com essse perfil pode ser um arcebispo?

A divisão dentro de uma religião é simplesmente absurda quando dividida em “alas”. Não sou simpatizante de movimentos pela reforma agrária, mas da forma como aconteceu a extinsão da Comissão Pastoral da Terra fundada por Dom Helder Câmara fortalece a minha posição de ver com certa reserva as atitudes da igreja. Para justificar a sua coleção de polemicas o arcebispo disse porque fechou o Instituto Teológico do Recife:

“Havia mulheres negras, negros, inclusive não católicos. Havia mais ou menos 50 homoxesuais declarados.”

Isso é verdae?

Sobre a homosexualidade é discutível a sua inclusão numa religião, não por preconceito, mas por não ter conseguido chegar a uma conclusão sobre a causa dos desvios das relações sexuais entre as pessoas, que pelo formato biológico e até anatômico se divide entre homens e mulheres, mas a citação de “ mulheres negras”
É grave.

Isso tudo é verdade ? vou voltar pra dentro do mato!

Salvador 22 de narço 2009.

João Almeida Santos

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O Marcola do país da macarronada

Texto integral
O Marcola do país da macarronada

DIOGO MAINARDI

O Brasil negou o pedido de extradição de Cesare Battisti durante minhas férias. Férias na Itália. Acompanhei o episódio de longe, pela imprensa italiana. "La Repubblica" publicou o seguinte comentário:

"No país do samba, há uma espécie de cumplicidade ideal com todos os Battisti do mundo, com os terroristas, com os justiceiros. Lula deve ter pensado que a Itália é uma republiqueta como a sua. (Ele) acredita que o mundo inteiro é formado por paisecos no limite entre o populismo e a ditadura militar".

Ponto.

Nos últimos anos, "La Repubblica" foi um dos jornais estrangeiros que mais tolamente se encantaram com o presidente brasileiro. Agora mudou. A abestalhada claque italiana de Lula passou a enxergá-lo como um retrato do caudilho bananeiro.

Um documento que recebi na semana passada pode ajudar a explicar essa baba raivosa na boca dos italianos. Trata-se da ficha do Ros - o Grupo de Operações Especiais da polícia militar italiana - sobre os terroristas do PAC - os Proletários Armados pelo Comunismo -, do qual fazia parte Cesare Battisti.

Primeiro trecho:

"Os Proletários Armados pelo Comunismo formaram-se nos últimos meses de 1977, no âmbito da luta contra a nova realidade do regime carcerário de segurança máxima, que acabara de ser instituído".

E eu acrescento: os atentados terroristas do PCC, em maio 2006, ocorreram pelo mesmo motivo - a transferência de alguns membros do bando para o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes. O PAC é o PCC do país da Tarantella (sim, estou parodiando o editorialista do "La Repubblica"). Tarso Genro alegou que Cesare Battisti foi perseguido por suas ideias políticas. A única ideia que ele tinha era essa: aliviar o cárcere duro, exatamente como o Comando Vermelho em Bangu 3.

Segundo trecho da ficha policial:

"Em 6 de junho de 1978, o PAC assassinou, na frente da cadeia de Udine, o coronel Antonio Santoro, comandante dos agentes penitenciários. No documento de reivindicação, lê-se: O Estado usa a cadeia como uma ameaça contra qualquer tipo de divergência, de obtenção de renda por outros meios, de conflito de classe. E para readquirir o controle dos presídios, isola a faixa mais combativa [dos prisioneiros proletários], o que acarreta seu aniquilamento. Precisamos deter esse projeto, reforçando nossa prática comunista, concretizando-a em armamentos e em contrapoder".

Compare-o agora a um manifesto do PCC: A introdução do Regime Disciplinar Diferenciado inverte a lógica da execução penal. E coerente com a perspectiva de eliminação e inabilitação dos setores sociais redundantes, leia-se 'a clientela do sistema penal', a nova punição disciplinar inaugura novos métodos de custódia e controle da massa carcerária, conferindo à pena de prisão o nítido caráter de castigo cruel.

O assassinato do coronel Antonio Santoro por parte do grupo comandado por Cesare Battisti, na realidade, teve um motivo bem mais banal do que se poderia concluir lendo o altissonante manifesto do PAC. Segundo a ficha da polícia, o chefe dos agentes penitenciários foi morto somente por causa da demora em oferecer atendimento médico a outro militante do grupo, que se machucou jogando futebol na cadeia. Aparentemente, o que os terroristas queriam obter era um Mário Américo para cada prisioneiro.

Em 1979, o PAC seguiu essa mesma lógica de apoio sangrento à bandidagem comum nos assassinatos de um joalheiro e de um açogueiro. De acordo com o documento preparado pelos Carabinieri, o bando de Cesare Battisti executou os comerciantes porque eles "fizeram justiça com as próprias mãos, matando dois assaltantes".

Cesare Battisti é isso, é só isso: o Marcola do país da macarronada.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

E HOJE ?...

Autor desconhecido

Há trinta anos, os adolescentes encontravam o sexo oposto em bailes de salão organizados por clubes, igrejas ou pais responsáveis preocupados com o sucesso reprodutivo de seus rebentos.
Na dança de salão o homem tem uma série de obrigações, como cuidar da mulher, planejar o rumo, variar os passos, segurar com firmeza e orientar delicadamente o corpo de uma mulher. Homens levam três vezes mais tempo para aprender a dançar do que mulheres. Não que eles sejam menos inteligentes, mas porque têm muito mais funções a executar. Essa sobrecarga em cima do homem permite à mulher avaliar rapidamente a inteligência do seu par, a sua capacidade de planejamento, a sua reação em situações de stress. A mulher só precisa acompanhá-lo. Ela pode dedicar seu tempo exclusivamente à tarefa de avaliação do homem.
Uma mulher precisa de muito mais informações do que um homem para se apaixonar, e a dança permitia a ela avaliar o homem na delicadeza do trato, na firmeza da condução, no carinho do toque, no companheirismo e no significado que ele dava ao seu par. Ela podia analisar como o homem lidava com o fracasso, quando inadvertidamente dava uma pisada no seu pé. Podia ver como ele se desculpava, se é que se desculpava, ou se era do tipo que culpava os outros.
Essa convenção social de antigamente permitia ao sexo feminino avaliar numa única noite vinte rapazes entre os 500 presentes num grande baile. As mulheres faziam um verdadeiro teste psicológico, físico e social de um futuro marido e obtinham o que poucos testes psicológicos revelam. Em poucos minutos conseguiam ter uma primeira noção de inteligência, criatividade, coordenação, tato, carinho, cooperação, paciência, perseverança e liderança de um futuro par.
Infelizmente, perdemos esse costume porque se começou a considerar a dança de salão uma submissão da mulher ao poder do homem, porque era o homem quem convidava e conduzia a mulher.
Criaram o disco dancing, em que homem e mulher dançam separados, o homem não mais conduz nem sequer toca no corpo da mulher. O som é tão elevado que nem dá para conversar, os usuais 130 decibéis nem permitem algum tipo de interação entre os sexos.
Por isso, os jovens criaram o costume de “ficar”, o que permite a uma garota conhecer, pelo menos, um homem por noite sem compromisso, em vez de conhecer vinte rapazes numa noite, também sem compromissos maiores.
Pior: hoje o primeiro contato de fato de um rapaz com o corpo de uma mulher é no ato sexual, e no início é um desastre. Acabam fazendo sexo mecanicamente em vez de romanticamente como a extensão natural de um tango ou bolero. Grandes dançarinos são grandes amantes, e não é por coincidência que mulheres adoram homens que realmente sabem dançar e se apaixonam facilmente por eles.
Masculinizamos as mulheres no disco dancing em vez de tornar os homens mais sensíveis, carinhosos e preocupados com o trato do corpo da mulher. Não é por acaso que aumentou a violência no mundo, especialmente a violência contra as mulheres. Não é à toa que perdemos o romantismo, o companheirismo e a cooperação entre os sexos.
Hoje, uma garota ou um rapaz tem de escolher o seu par num grupo muito restrito de pretendentes, e com pouca informação de ambas as partes, ao contrário de antigamente.
Eu não acredito que homens virem monstros e mulheres virem megeras depois de casados. As pessoas mudam muito pouco ao longo da vida, na realidade elas continuam a ser o que eram antes de se casar. Você é que não percebeu, ou não soube avaliar, porque perdemos os mecanismos de antigamente de seleção a partir de um grupo enorme de possíveis candidatos.
Fico feliz ao notar a volta da dança de salão, dos cursos de forró, tango e bolero, em que novamente os dois sexos dançam juntos, colados e em harmonia. Entre o olhar interessado e o “ficar” descompromissado, eliminamos infelizmente uma importante etapa social que era dançar, costume de todos os povos desde o início dos tempos.
Se você for mãe de um filho, ajude a reintroduzir a dança de salão nos clubes, nas festas e nas igrejas, para que homens aprendam a lidar com carinho com o corpo de uma mulher.
Se você for mãe de uma filha, devolva a ela a oportunidade que seus pais lhe deram, em vez de deixar sua filha surda, casada com um brutamontes, confuso e insensível idiota.
Stephen Kanitz

Você consegue um bom emprego na hora que bem entender? Você descola um amor do dia pra noite? Se entrar num banco, sai de lá com um empréstimo sem burocracia? Se você respondeu sim para todas estas perguntas, parabéns. E fique atento para o horário de partida do seu disco voador, pois a qualquer momento você terá que voltar para seu planeta.
Entre nós, terrestres, o sim é uma resposta rara. Na maioria das vezes, NÃO há vagas, NÃO querem editar nossos poemas, NÃO temos fiador, a garota NÃO quer ouvir uns discos na sua casa, o garoto NÃO quer usar camisinha e o guarda de trânsito NÃO foi com sua cara e vai multá-lo, sim, senhor. NÃO está fácil pra ninguém.
Ao contrário do que possa parecer, esta não é uma visão pessimista da vida. As coisas são assim, dão certo e dão errado. Pessimismo é acreditar que ouvir um não seja uma barreira para realizar nossos planos. Tem gente que fica paralisado diante de um não. Nunca mais vai à luta. Já o otimista resmunga um pouco e em seguida respira fundo e segue em frente.
Quando eu tinha 17 anos, mandei uns versos para um concurso de poesia. Não ganhei nem menção honrosa. Daí entreguei meus versos para o Mario Quintana avaliar. Ele não respondeu. Neste meio tempo eu estava apaixonada por um cara que ignorava minha existência. Quando eu não estava pensando nele, fazia planos de morar sozinha, mas meu estágio não era remunerado. Aí quis viajar para a Europa, mas não consegui entrar num programa de intercâmbio. Surpreendentemente, não me passou pela cabeça a idéia de me atirar embaixo de um caminhão.
Hoje tenho nove livros publicados (cinco deles de poesia), sou casada com o homem que amo, tenho a profissão dos sonhos e viajo uma vez por ano, e tudo isso sem ganhar na megasena, sem cirurgia plástica, sem pistolão ou pacto com o demônio. O segredo: cada não que eu recebi na vida entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Não os colecionei. Não foram sobrevalorizados. Esperei, sem pressa, a hora do sim.
O não é tão freqüente que chega a ser banal. O não é inútil, serve só para fragilizar nossa auto-estima. Já o sim é transformador. O sim muda a sua vida. SIM, aceito casar com você. SIM, você foi selecionado. SIM, vamos patrocinar sua peça. SIM, a Ana Paula Arosio deu o número do celular dela.
Quando não há o que detenha você, as coisas começam a acontecer, sim.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Quando o latido é maior do que o cachorro

Por João Paulo da Silva

Ainda não sei dizer exatamente quanto tempo vai durar a euforia mundial em torno da eleição de Barack Obama. Talvez dure o suficiente para causar muitos estragos e desenganos entre os milhões que votaram desejando mudança. Ou não. Talvez, quem sabe, nem dure tanto tempo assim, pois as principais peças do tabuleiro de xadrez já começaram a se mexer.
Com seu neoliberalismo afiado e suas guerras assassinas, a Era Bush deixou na história uma enorme mancha de sangue, um déficit fiscal gigantesco e um recorde de impopularidade. Amargando uma rejeição de mais de 70%, o xerife texano acabou sujando demais a imagem da espoliação imperialista. Os milhões que disseram “sim” ao Barack estavam, na verdade, dizendo “não” à política representada por Bush. Não foi à toa que a campanha de Obama se apoiou no slogan de “mudança”.
Tudo o que a grande burguesia norte-americana desejava era um novo rosto para camuflar sua política de rapina pelo mundo. Precisava de alguém que pudesse segurar a crescente onda de insatisfação no planeta, alguém que criasse esperanças de dias melhores nos corações de uma infinidade de pessoas. Era preciso alguém que fizesse tudo isso, e que continuasse com os saques do imperialismo. A burguesia norte-americana encontrou no jovem, negro e carismático senador de Illinois o rosto ideal.
Entretanto, muitos podem argumentar: “Ora, mas você vai negar que a eleição do primeiro presidente negro dos EUA é um marco na história desse país?”. Não, de modo algum. Isto é inegável, sobretudo em um lugar que tem a história marcada pela desgraça do racismo. Mas o fato é que, em alguns momentos da vida, é preciso ceder um pouco para não perder tudo. O imperialismo fez uma concessão histórica ao permitir que um negro chegasse à presidência. No entanto, só o fez porque estava em jogo algo mais importante do que a cor da pele. “Negócios são negócios. E não se pode fazer uma omelete sem quebrar alguns ovos.”, imagino que estejam dizendo agora os magnatas.
De todo modo, Obama sofreu bem menos do que a maioria dos negros pobres de seu país. Formou-se em Direito em Harvard e se tornou um patrício. É um fiel defensor dos interesses capitalistas. E isso também não se pode negar. Ele e McCain foram financiados pelos mesmos senhores. O setor financeiro, por exemplo, agraciou os dois candidatos com quantias semelhantes. Os bancos, seguradoras e imobiliárias deram a McCain cerca de US$ 15 milhões. Obama recebeu US$ 16 milhões.
O que há ao redor de Obama é uma grande ilusão, em especial por parte dos trabalhadores negros e latinos. E isso é outra coisa inegável. O problema com as ilusões é que elas, além de atrasar as vidas, costumam deixar profundas decepções entre as pessoas. Obama passou toda a campanha ligando seu nome à palavra mudança. No discurso da vitória, reforçou a idéia com a frase “a mudança chegou à América”. Não há o que estranhar até aqui. Esquisito seria se ele ganhasse as eleições dizendo a verdade. Algo como “Olhem, eu sou o continuísmo! Atenção! Vou salvar os capitalistas e deixar os pobres e negros a ver navios!”. Isso, sim, seria estranho. Obama é a representação típica daquela imagem na qual o latido é maior do que o cachorro. Com promessas mentirosas e apoiado num discurso de transformação, o democrata latiu muito alto e acabou gerando ilusões. Mas, definitivamente, não é o cachorro grande que os povos oprimidos pensam que ele é.
Bush vai sair e deixar um pepino para Obama descascar. O aprofundamento da crise econômica não irá permitir titubeações. Ou se estará de um lado ou se estará do outro. E o presidente eleito nem de longe se assemelha a um vacilante. Antes mesmo de assumir a Casa Branca, já deu demonstrações do lado que escolheu. Ainda durante a campanha, enquanto milhões de famílias perdiam suas casas, Obama aprovou o plano de Bush de US$ 700 bilhões para socorrer os bancos. No que diz respeito às guerras, falou em tirar tropas do Iraque e colocar no Afeganistão, o que na prática não muda nada. Também já engrossou o discurso pra cima do Paquistão e do Irã, prometendo apontar os canhões de sua “democracia” para este último se continuar insistindo com essa história de pesquisa nuclear.
Já eleito, Obama começou a montar sua equipe de governo. Em meio aos escolhidos, alguns republicanos estão cotados para o governo. É pra acabar com essa conversa de que há diferenças entre democratas e republicanos. A confusão vai ficar mesmo é na cabeça de quem achou que a mudança havia chegado.
Mundo afora, as revistas estampam manchetes nas quais ponderam: seria Barack Obama um messias? Talvez. Mas um messias que veio para salvar apenas um dos lados, pois a história dos homens já mostrou a impossibilidade de salvar os dois. O mundo adora Obama. E o capitalismo também.

sábado, 25 de outubro de 2008

Por que Lula acordou na crise

24/10/2008



Três motivos levaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a acordar em relação à crise econômica internacional e os seus efeitos sobre o Brasil.

Na viagem internacional da semana passada, quando visitou cinco países em três continentes, Lula viu que a crise tinha atravessado não apenas o Atlântico, mas também o Índico e o Pacífico. Ou seja, era global mesmo.

Ouviu na Índia, segundo auxiliares, que o país já sentia efeitos na economia real. A Índia é um dos países emergentes que mais crescem no mundo. Na visita de um ano antes, Lula encontrara uma nação muito confiante no cenário econômico. O cenário agora é outro.

De volta ao Brasil, Lula teve contato com o segundo dos motivos que o fizeram abandonar o tom otimista e assumir uma avaliação pública mais realista.

O setor financeiro brasileiro fora vendido ao presidente como sólido, mas essa informação estava parcialmente incorreta. Ele ficou sabendo que há, sim, riscos pontuais. Medidas já adotadas pelo Banco Central haviam surtido pouco efeito. Pequenos bancos estavam sofrendo muito, e poderia sobrar até para instituição de grande porte.

Ou seja, confusão no sistema financeiro neste momento, quando o crédito começa a destravar, seria um tiro no pé do crescimento econômico do ano que vem.

O terceiro motivo tocou na alta popularidade. Empresas da chamada economia real fizeram chegar ao governo que poderiam viver fortes problemas no segundo semestre de 2009. Essas companhias empregam muita gente. Tudo o que Lula não deseja é uma onda de desemprego na virada de 2009 para 2010, seus dois últimos anos no poder. O petista espera deixar o Palácio do Planalto com boa avaliação e sonha eleger a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como sucessora.

Reunidos, os três motivos explicam a rápida edição da medida provisória 443, articulada no intervalo d e uma semana. Essa MP tem alcance mais amplo do que medidas adotadas em países ricos. O governo brasileiro não possui a munição dos EUA nem da Inglaterra, mas criou um instrumento legal que permite aos bancos oficiais se tornar sócios de qualquer empresa brasileira em dificuldade.

A MP 443 é uma medida pontual que vale por um pacote.

*
Maré baixa e maré alta

A medida provisória 443 tem sido chamada de MP da estatização. Mas Lula foi bem claro. Se necessário, vai usar os bancos oficiais para comprar participação acionária de empresas, sobretudo da economia real. No entanto, deseja vender tais ações na maré alta e mostrar que usou dinheiro público de forma responsável.

Ressalva: eventuais compras do Banco do Brasil no setor financeiro que reforcem o cacife da instituição do ponto de vista estratégico poderão ser definitivas.

*
Em ondas

Um integrante do governo Lula que participou das crises na administração FHC fez um alerta importante ao Palácio do Planalto. Crises internacionais acontecem em ondas. Por isso, o governo não deveria baixar a guarda e achar que o Brasil sofreria apenas uma marola.

Kennedy Alencar, 40, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos.Também é comentarista do telejornal "RedeTVNews", no ar de segunda a sábado às 21h10.

E-mail: kalencar@folhasp.com.br

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O que é preciso para ser candidato

Jolivaldo Freitas

O que leva uma pessoa a se candidatar a prefeito de uma cidade, de qualquer porte, é algo a se pensar com muita atenção. O candidato deve ter algum tipo de desvio, não é possível que assim não seja. Em sã consciência, quem gostaria de ser comparado a juiz de futebol ou gastar um dinheirão para se eleger, sabendo que não vai receber de volta e que por mais que se esforce não vai agradar a todos.
O candidato é uma figura digna de estudo dos mais renomados psicólogos lá do Mont Serrat, que disputam com os profissionais da Boa Viagem o cetro de melhores cérebros da Cidade Baixa. Um candidato para conseguir voto bebe na mesma caneca do banguela. Aceita tomar café em copo com o fundo sujo e cheio de borra. Almoça várias vezes no mesmo dia e come de buchada de bode a meninico de carneiro, sem direito a fazer cara feia, mesmo sendo vegetariano.
O candidato come comida sem sal, come comida com muito sal. Come feijoada fria e toma cerveja quente. Come em lata de goiabada fazendo a vez de prato, e tira um cochilo no colchão de onde o dono da casa expulsa Rex e suas pulgas. Aperta mão de cotó, beija criança remelenta e chama de “minha linda” menina que de tão feia o espelho arrebenta. Bate pênalti ou dá o primeiro chute em torneio de futebol dentro do curral.
Para piorar tem de dar bom dia a maluco, abraço no bêbado e acenar para os desconhecidos, como se fossem amigos de infância. Tem sempre de estar com uns trocados no bolso, pois sempre vai aparecer aquela mãe com a criança no colo pedindo dinheiro pro remédio ou para comprar leite e aproveitar para falar mal do marido ausente.
Candidato bom vai a velório de quem não conhece, nunca ouviu falar e nem sabe quem é, faz discurso tão tocante que até mesmo ele acredita e chora de verdade, deixando filhos e viúva abestalhados de ver e ouvir e vaidosos pela presença tão ilustre num momento de dor. È preciso mostrar que é macho e, portanto, tem de subir no lombo do jegue e participar da corrida. Tem de matar um boi para acalmar a fome dos acólitos. Tem de conviver dentro de casa com todo tipo de gente, que o chama pelo nome, come o que tem no fogão, bebe o que tem na geladeira e ainda mexe com suas filhas. Caras que nunca viu na vida, mas candidato não pode fechar as portas.
Coisa ruim de agüentar é carregar nos braços afilhado da hora, e ali mesmo, ter de comprar o enxoval do bebê, pois não basta o candidato ser compadre. Tem de participar. Pior é quando seguram em seu braço e à voz pequena alguém, garante no pé do ouvido, que soube de boca pequena que ele está eleito. E pede um adjutório. Muitos garantem ter milhares de votos e na hora do vamos ver nem ele votou no candidato. Mas não deixou de pegar uma graninha para a gasolina.
Candidato tem de participar de debate em escolinha, vendo que a diretora da escola está feliz com sua presença e a criançada esperando o sinal de ir embora. É preciso ajudar a bater laje, mesmo sabendo que vai ter de se encher de antiinflamatório para diminuir as dores da hérnia de disco. Tem de pisar na lama e pular cerca. Tem de subir escadas que vão dar no céu e enfrentar cachorro vira-lata. Não pode esquecer de chamar todo mundo pelo nome. Candidato bom tem de ter boa memória.