domingo, 18 de novembro de 2007

Protestos virtuais

Autor: Paulo Castelo Branco –

Os novos movimentos de protesto popular se tornaram inoperantes nestes tempos de tantas falcatruas. As alegações dos governos de que não houve aumento da corrupção, e sim, incremento das investigações pode levar a população a se sentir segura quanto à veracidade das informações procedentes do poder instituído.

Sem a presença da UNE (União Nacional dos Estudantes – para quem já esqueceu), nos debates e nas ruas, parece que a situação do país é tranqüila, seguindo o rumo certo da democracia plena. A vitória dos ex-militantes de esquerda amorteceu os sentimentos profundos que explodiam nas manifestações que chegavam a colocar na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, milhares de brasileiros unidos em busca da utopia.

Foram muitas as ocasiões, desde a redemocratização, nas quais o povo foi para as ruas exigindo o fim da corrupção, do desemprego, dos impostos extorsivos, da insegurança pública e da falta de assistência à saúde.

Nesses novos tempos, o que vemos são os estudantes em busca de meia-entrada em tudo e recebendo as benesses do poder. Até mesmo as esperanças com a nova liderança estudantil se esvaem no silêncio de suas estrelas quando devem se pronunciar sobre as mazelas do país. É triste a constatação da leveza das palavras e das ações, que são tão distantes dos tempos dos Josés que lideravam os movimentos estudantis à época da ditadura: José Dirceu e José Serra; e agora, Josés?

A acomodação popular é conseqüência da falta de líderes. Os que existem foram cooptados pelo poder e silenciam, ou são extremamente moderados em seus pronunciamentos. O movimento sindical está satisfeito com tudo que acontece, e até os sem-terra ficam sossegados, despertando somente quando os recursos oficiais que os mantêm minguam. O último movimento popular de que se tem notícia foi o “Cansei”, que, parece, se cansou mesmo.

Mas existe um trabalho de bastidores que os políticos têm considerado muito bom para a governabilidade. É o protesto virtual que abarrota de mensagens as caixas-postais dos computadores oficiais. No mais recente episódio – o que examinava a cassação do presidente do Senado Federal, senador Renan Calheiros –, as informações publicadas na imprensa diziam que milhares de internautas pediam sessão e votação abertas e a cassação do senador.

As máquinas não suportaram tantas mensagens de protesto. É sabido que este método de protesto é infrutífero. Os senadores não precisam ter acesso direto aos e-mails, que são lidos por assessores. E, a prática é simples: aperta-se a tecla “selecionar tudo” e, em seguida, a tecla “”. Pronto. Sem polícia, sem violência e sem transtornos. As vias públicas ficam liberadas, os políticos tranqüilos e o povo sem respostas.

A solução do protesto virtual vem se juntar ao namoro no chat e à traição conjugal sem conseqüências para a família. Hoje é possível acompanhar os movimentos dentro de casa através de câmeras ligadas ao computador. É assim que muitos crimes são desvendados, muitos desaparecidos são localizados, e, também, muitas contas bancárias são violadas. É o mundo moderno, e ninguém, em sã consciência, se colocará contrariamente à evolução.

O que nos deixa perplexos é a desunião na defesa do interesse público. A população brasileira está inerte e voltada para seus problemas pessoais. Os que possuem condições financeiras se confinam em suas fortalezas, e os pobres se amedrontam com a violência urbana e, também, se curvam à força dos marginais que dominam as comunidades e as periferias das cidades.

Mesmo quando a criminalidade e a violência quase destroem a vida dos cidadãos de bem, eles se sentem impotentes para exigir das autoridades a proteção policial e programas sociais que minimizam as agruras. Se as autoridades instalarem computadores nas comunidades e na periferia, nenhum cidadão terá motivação para protestar pessoalmente contra os descalabros dos governos e governantes que se homiziam nos palácios cercados de segurança e se movimentam em viaturas, aviões e vagões blindados e com vidros escuros. Os protestos virtuais chegarão e serão deletados.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

COMO POSSO CONDUZIR MEU FILHO A CAMINHOS ERRADOS?

A CHEFIA DE POLÍCIA DE HOUSTON, TEXAS, PUBLICOU AS SEGUINTES DIRETRIZES IRÔNICAS SOBRE A EDUCAÇÃO DOS FILHOS:

Como posso conduzir meu filho a caminhos errados?

1. Desde pequeno, dê ao seu filho tudo que ele deseja.

2. Ache graça quando seu filho disser palavrões, pois assim ele ficará convencido da sua originalidade.

3. Não lhe dê orientação espiritual. Espere que ele mesmo escolha "sua religião" depois dos 21 anos de idade.

4. Nunca lhe diga que ele fez algo errado, pois isso poderia deixá-lo com complexo de culpa.

5. Deixe que seu filho leia o que quiser... A louça deve ser esterilizada, mas o espírito dele pode ser alimentado com lixo.

6. Arrume pacientemente tudo que ele deixar jogado: livros, sapatos, meias. Coloque tudo em seu lugar. Assim ele se acostumará a transferir a responsabilidade sempre para os outros.

7. Discuta freqüentemente diante dele, para que mais tarde ele não fique chocado quando a família se desestruturar.

8. Dê-lhe tudo em comida, bebida e conforto que o coração dele desejar. Leia cada desejo nos seus olhos! Recusas poderiam ter perigosas frustrações por conseqüência.

9. Defenda-o sempre contra os vizinhos, professores e a polícia; todos têm algo contra seu filho!

10. Prepare-se para uma vida sem alegrias - pois é exatamente isso que o espera!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Amizade tem preço?

Sergio Noreti

Depois das amizades “virtuais” favorecidas pelo isolamento causado pelas novas tecnologias, chega à vez das amizades falsas no mundo real, criadas pela sociedade do consumo, onde tudo é mercadoria.

Aquele velho ditado que dinheiro não compra tudo está cada vez mais ultrapassado. Depois do Sex Personal Trainer e do Personal Stylist, chega ao mercado uma nova atividade que carrega o mesmo glamour do nome em inglês, mas que está criando muito mais polêmica: o “Personal Friend”.

Personal friend: é o “amigo” que não julga suas atitudes e sabe guardar segredo.

Basta ter uma polpuda conta bancária.

Traduzindo ao pé da letra: é um amigo de aluguel, que custa em media de R$ 300,00 reais por 50 minutos.

Alguns preferem acreditar que se trata de uma perspectiva de grande negócio, mas ao meu ver isso só reflete a decadência do ser humano em conviver com outras pessoas.

Como disse uma amiga em um dos meus post’s anteriores...

“Para o mundo que eu quero descer!”

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A corrupção no Brasil é endêmica

Dorival Behrend Silva

Este mal que assola o país de norte a sul, nasceu quando

os Portugueses aqui botaram os pés, distribuindo espelhinhos para os índio que não sabiam o que era corrupção, em troca de pau brasil.

É um mal que veio com as caravelas trazidas pelo vento,

como o pólem de uma flor, e fecundou em todo território nacional.

No País onde as leis foram feitas para proteger, garantir e sustentar reis sanguessugas e o poder dos senhores do Estado, mantendo a sua fartura em detrimento e

exploração do povo, que não tinha direitos a não ser a escravidão pura ou branca, só podíamos estar

atolados nesta lama pútrida.

Na falta de uma consciência de ser parte de uma nação, nosso povo tem como uma das suas características a

mania de levar vantagem em tudo e de pensar

somente no seu umbigo.

A nossa mentalidade de burlar as leis, e de que elas

foram feitas para os outros é que nos torna reféns deste mal, que hoje nos assombra ( a Corrupção), crime,

que parece comum para todos nós e que aparentemente

não nos afeta diretamente.

Ledo engano.

A corrupção tem nos trazido muitos males.

Tanto no governo como no meio privado.

O dinheiro desviado é desviado diretamente dos nossos bolsos.

Temos que trabalhar mais para pagar esta despesa.

Temos que pagar mais impostos, mais multas, mais juros,

etc. para sustentar tamanho roubo e rombo

e ainda temos; péssima assistência social, péssima

qualidade de ensino, péssima saúde, péssima infra

estrutura, péssima segurança, péssima justiça, péssima qualidade de serviços públicos, péssimos políticos etc.

A corrupção só vai acabar quando tivermos educação suficiente para entendermos que esta sem vergonha, não nos trás benefícios, e principalmente, quando os Corruptos e Corruptores forem exemplarmente punidos,

com Leis que realmente sejam eficazes e duras, pois tais elementos são criminosos de grande periculosidade.

Quando tivermos no coração, amor por nossa Pátria. Quando tivermos consciência e orgulho sermos uma Nação, educada, livre e democrática, de respeito ao ser humano e às Leis que regem nossa Sociedade então

talvez nos livraremos desse mal ou com certeza diminuirá

em muito.

sábado, 3 de novembro de 2007

A CULTURA CAIPIRA

É preciso pensar no caipira

como um homem que manteve

a herança portuguesa nas

suas antigas formas

A cultura caipira não é e nunca foi um reino separado, uma espécie de cultura primitiva

independente, como a dos índios. Ela representa a adaptação do colonizador ao Brasil e

portanto, veio na maior parte de fora, sendo sob diversos aspectos sobrevivência do

modo de ser, pensar e agir do português antigo.

Quando um caipira diz "pregunta", "a mó que", "despois", "vassuncê", "tchão (chão)",

"dgente (gente)" não está estragando por ignorância a língua portuguesa; mas apenas

conservando antigos modos de falar que se transformaram na mãe-pátria e aqui.

Até o famoso "erre retroflexo", o "erre de Itur" ou "Tieter", que se pensou devido a

influência do índio, viu-se depois que pode ter vindo de certas regiões de Portugal.

Como veio o desafio, a fogueira de São João, o compadrio, a dança de São Gonçalo, a

Festa do Divino, a maioria das crendices, esconjuros, hábitos e concepções.

É preciso pensar no caipira como um homem que manteve a herança portuguesa nas suas

formas antigas. Mas é preciso também pensar na transformação que ele sofreu aqui, fazendo

do velho homem rural brasileiro o que ele é. "Tabareu", "matuto", "capiau", "caipira",

o que mais haja, ele é produto e ao mesmo tempo agente muito ativo de um grande processo

de diferenciação cultural própria. Na extensa gama dos tipos sertanejos brasileiros ,

poderia ser considerado "caipira" o rural tradicional do sudoeste e porções do oeste,

fruto de uma adaptação da herança fortemente misturada com a indígena, às condições físicas

e sociais do Novo-Mundo.

Nessa linha de formação social e cultural, o caipira se define como um homem rústico

de evolução muito lenta, tendo por fórmula de equilíbrio a fusão intensa da cultura

portuguêsa com a aborígene e conservando a fala, os usos, as técnicas, os cantos,

as lendas que a cultura da cidade ia destruindo, alterando essencialmente ou caricaturando

Em compensação, no quadro de sua cultura o caipira pode ser extraordinário. É capaz, por

exemplo, de sentir e conhecer a fundo o mundo natural, usando-o com uma sabedoria e

eficácia que nenhum de nós possui.

O nosso caipira, do ancestral português herdou com a língua e a religião a maioria dos

costumes e crenças; do ancestral índio herdou a familiaridade com o mato, o faro na caça,

a arte das ervas, o ritmo do bate-pé (que noutros lugares chama-se cateretê), a caudalosa

eloquência do cururu.

O cururu e a dança da Santa Cruz são dois exemplos muito bons de encontro de culturas.

Parece terem sido elaborados sob influência dos jesuítas, que aproveitaram as danças

indígenas e o gosto do Índio pelo discurso e o desafio para enxertar a doutrina cristã.

Nada mais caipira que o cururu e a dança de Santa Cruz, que só existem em áreas de forte

impregnação originária dos antigos piratininganos. E nada mais misturado de elementos

portugueses e indígenas como tanta coisa que observamos nas catiras, nas histórias, nas

técnicas do homem rural pobre e isolado de velha origem paulista. Na primeira metade do

século, o caipira ainda era espoliado e miserável na maioria dos casos, porque com a passar

do tempo e do progresso, quem permaneceu caipira foi a parte da velha população rural

sujeita às formas mais drásticas de expropriação econômica, confinada, e quase compelida

a ser o que fôra, quando a lei do mundo a levaria a querer uma vida mais aberta e farta,

teoricamente possível.

Foi então que o caipira se tornou cada vez mais espetáculo, assunto de curiosidade e

divertimento do homem da cidade, que, instalado na sua civilização e querendo ressaltar

este "previlégio", usava aquele irmão para provar como ele tinha prosperado.

A tarefa, portanto, é procurar o que há nele de autêntico. Autêntico, não tanto no sentido

do impossível do originalmente puro, porque em arte tudo está mudando sempre; mas no

sentido de buscar os produtos que representam o modo de ser e a técnica poético-musical

do caipira como ele foi e como ainda é, não como querem que ele seja.

Por Antônio Cândido

Ensaista e Crítico literário emérito

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

ADOLESCENTES Pais inseguros, filhos sem limite


A tradicional rebeldia adolescente agora tem um complicador a mais: a conivência dos pais. A Faculdade de Saúde Pública implantou um Espaço de Reflexão para discutir e cuidar desses problemas

Yeda S. Santos

O adolescente precisa ser contra alguma coisa para construir sua personalidade. A tarefa mostrava-se mais fácil quando lutava por liberdade sexual. Hoje, o sexo liberado tirou importante aspecto da construção dessa independência. Por isso, os limites são imprescindíveis.

O Espaço para Reflexão de Pais de Adolescentes, promovido pelo Centro de Estudos do Crescimento e Desenvolvimento do Ser Humano do Departamento Materno Infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP, oferece a oportunidade de os pais refletirem sobre como foi sua adolescência para daí extrair novos modelos de educar. São cerca de dez pais e mães de adolescentes, reunidos de 24 de outubro a 6 de dezembro, no Centro de Educação Permanente. "Não é um grupo terapêutico", avisa a psicóloga Sueli de Queiroz, uma das organizadoras.

O Espaço nasceu da constatação de que esses pais mostravam-se "perdidos" em relação a qual atitude tomar. "Chegam a pedir conselhos a coordenadores de escola, portanto precisam de apoio", acrescenta Sueli. Apoio não é exatamente o que o Espaço oferece, porém é o que vão buscar. "Querem receitas prontas de como educar os filhos," diz. Mulheres são mais numerosas, embora os homens estejam se agregando. O problema é tão sério, com tanta gente envolvida — diz a psicóloga —, que é considerado de saúde pública. Especulando sobre o assunto, Sueli acredita que, no futuro, os adolescentes de hoje criarão seus filhos com mais rigor.


Segundo a psicóloga Elaine Rabinovitch, coordenadora do Espaço, o atual modelo de núcleo familiar é muito tolerante em relação à sexualidade: "Tudo pode, está tudo bem", costumam repetir pais "bacaninhas, politicamente corretos", que querem ser sempre amigos dos filhos, simulando ter sua pouca idadee hábitos. Não oferecem restrições, são companheiros, o que acaba atrapalhando os adolescentes, pois estes "precisam da autoridade para poder lutar contra ela", diz. "Os pais não querem ser para os filhos o que seus pais foram para eles, mas não têm alternativas." Demonstram aversão ao autoritarismo, querem ser transparentes, apreciam o diálogo, buscam dar-lhes opção de uma relação mais aberta, diferente do que viveram.

Afirmam que seus pais tiveram "certezas", mas não conseguem encontrar o equilíbrio que permitiria torná-los menos inseguros. "Hoje os pais passam aos filhos inseguranças e incertezas que os seus também tiveram, porém discutiam-nas longe dos filhos e lhes davam o resultado dessas discussões." Criados com certezas, demonstram precisar delas, agora, para prosseguir. Mas as repudiam. Os grupos os auxiliam a encontrá-las, a partir da troca de experiências. Adolescentes, hoje, pedem limites, prossegue a psicóloga Sueli, especializada em distúrbios provocados por drogas e álcool. "Tais limites estão muito flexíveis, frouxos, em função da insegurança dos pais."

A troca de percepções resulta em crescimento, pois possibilita encontros capazes de permitir a todos se exporem. Ao final, concluem que sabem muitas coisas, e poderiam passá-las aos filhos, mas não o fazem por medo. Após concluírem o curso, porém, demonstram mais segurança quanto a tomar decisões.

Muito preço,

pouco valor

"As pessoas vivem a falta de clareza em relação a valores, pois tudo tem preço, nada tem valor", afirma Elaine Rabinovitch. Para ela, sem oposição, a pessoa vai para as drogas ou transfere conflitos da adolescência para o início da vida adulta.

O jovem quer provar o "proibido", vê-se atraído pelo desejo de transgredir antes de ter de reprimi-lo — uma exigência da vida adulta. De transgressões, os participantes do grupo falam com naturalidade. Afinal, pouco ou muito, todo mundo transgride. E, quando se fala em transgressão na adolescência, o uso de drogas logo se ressalta. Há jovens, porém, cujo contato com drogas "não os torna viciados", observa.

Apesar de as informações sobre drogas serem facilmente encontradas, considera-se que os adolescentes vão a elas para experimentar o prazer inicial: "Os problemas vêm com o tempo, embora possam verificar-se no primeiro uso, a alguém que tinha problemas cardíacos e não sabia", emenda Sueli.

Enquanto os pais se desesperam diante do uso de drogas, os filhos tratam o assunto com naturalidade. Os primeiros, em geral, esquecem-se de como foi, para eles, passar por essa fase, como eram punidos. O objetivo das reuniões é entender por que, para o jovem, tomar drogas significa, em parte, transgredir.

Vista de longe, a situação sugere que restou, para os pais usuários de drogas, "o abismo", a impressão de que "não deveriam ter experimentado". Conclusão que dificulta falar ao filho sobre isso, mas as psicólogas insistem: "A única saída é o diálogo".

A respeito de transgressão, pais ensinam filhos a transgredir, passando no sinal vermelho, justificando sua atitude com desculpas como "não tinha ninguém vendo". No futuro, a criança responderá que não usa drogas para sair do embaraço, mas usará tão logo se afaste do pai, pois "ninguém estará vendo".

"Drogas, hoje, são muito mais tabu do que foi o sexo na minha época", declara Sueli. Para ela, ninguém fala sobre drogas e revelações acerca de alcoolismo são raras: "Quase todos têm alguém com problemas de álcool ou drogas na família".

Se são proibidos de algo, o desejo dos jovens se fortalece. Caso contrário, poderão adquirir maus hábitos. "A democracia passa pelo não", pondera a psicóloga.

Para os organizadores do Espaço, esses pais enfrentam problemas de várias ordens — entre eles a influência do meio em que o adolescente vive. Elaine Rabinovitch pesquisou o ambiente consumista a que a sociedade moderna está subordinada, para concluir que pais não-consumistas dificilmente terão filhos iguais, já que o ambiente reforça o consumo. Ela compara tal atitude à do pai drogado, ao qual o filho imitará: "O modelo oferecido será assimilado, da mesma forma se ele for consumista", revela. O problema tem outros aspectos, e um deles define drogas. "Afegãos fumam haxixe diariamente e não se identificam como viciados, pois pesa, sobre sua atitude, o aspecto cultural."

Modos de convivência entre pessoas estão posicionando desencontros pela falta de tempo aliada à falta de paciência. "A volta à caretice é imprescindível", recomenda Elaine Rabinovitch.

Os laços primários de família estão se perdendo: crianças têm vinculos fortes com creches, escolas e, mais tarde, com o Exército, por exemplo. Nessa trajetória, visitam especialistas em educação, comportamento, dança, ginástica, enfim, tornando a família cada vez mais distante.

O mundo moderno traz novas formas de relacionamento, fator desencadeante da insegurança dos pais. Sueli exemplifica com famílias formadas por homossexuais (masculinos ou femininos); homens bem mais velhos do que suas esposas, formando famílias em que adolescentes convivem com bebês de pais diferentes e a mulher que trabalha fora e se sente culpada. Por entender que não oferece tempo de convivência razoável aos filhos, passa a contemplá-los com presentes e liberdades às vezes inadequadas ao seu grau de amadurecimento. "A mãe está pensando nela, perdoando-se, punindo-se."

No Espaço, os participantes têm oportunidade de falar sobre tudo isso: "Falamos pouco dos filhos; recuperamos a chance de os pais falarem de si mesmos como filhos, como pais". Alguns temas são trabalhados com mais atenção: autoritarismo, drogas, limites, sexualidade, consumismo: "Comenta-se sobre ser escravo dos filhos e, estes, escravos do consumo".

Tal dificuldade vem se instalando cada vez mais cedo. Atualmente, os pré-adolescentes — de 9 a 14 anos — necessitam de trabalho preventivo para estabelecer limites. Porém, quando os adultos se drogam, eles o fazem, em geral, para superar problemas individuais. "Trata-se da pessoa incapaz de enfrentar a realidade, mantendo desnível entre suas ambições e o que pensa de si própria", conclui Sueli.

Será que é vergonha?

Dia desses, um amigo me disse que seu sobrinho não permite que o pai ou a mãe o deixem à porta da escola. Fiquei estarrecido. Não acreditei e procurei aprofundar mais a conversa.


Não consegui imaginar esta situação: o carro parando uma quadra antes da escola, e o menino chegando sozinho, debaixo de chuva ou sol e, certamente, dizendo aos amigos que decidiu vir a pé. Explorei com ele o porquê dessa atitude e tentamos juntos chegar a algumas conclusões ou, pelo menos, considerações. Mas foi difícil.


Resumo agora as nossas reflexões. Partimos do princípio de que deveria haver algo errado com os pais para não poderem ser vistos.

Por outro lado, a companhia deles é muito bem aceita na hora de efetuar a compra daquele tênis da moda ou na hora de ir à escola em defesa do filho por causa de uma nota baixa ou uma prova mal corrigida.

Mas, se o celular do pequeno toca quando ele está em um passeio pelo shopping com os amigos e vê pelo identificador de chamadas que é sua mãe e atende, paga o maior “mico”.

No entanto, na hora de comprar a recarga para o telefone, a mãe não pode faltar e ainda é agradecida com um beijo.

E naquele trabalho escolar realizado em casa, em que alguns coleguinhas vieram a pé (desceram do carro a uma quadra da casa), chegaram jogando as mochilas e tirando os tênis, estacionando seus celulares sobre a mesa? Coitados dessa mãe ou desse pai se ousarem aparecer na sala.

Um dia antes, porém, a mãe fez uma deliciosa pizza e uma nega maluca para oferecer aos amigos do filho e agradá-los como se fossem seus filhos.

Diante dessas constatações (que espero que somente ocorram com o sobrinho de meu amigo), penso ser de extrema importância a reflexão sobre o papel desses pais tão impotentes diante de tantas exigências e, ao mesmo tempo, tão compreensivos diante de alguns fatos que beneficiam os filhos.

Se as crianças e jovens não tiverem claro qual é o papel dos pais em sua vida, vão agir assim mesmo. Essa é a visão que, momentaneamente, alguns têm: os pais são serviçais, que não podem falhar e devem suprir todas as necessidades (mesmo as desnecessárias), correndo o risco de serem excluídos se não se comportarem assim.

Acredito que é indispensável que os pais saibam enfrentar esse tipo de situação. Mostrar quem realmente tem a responsabilidade (na totalidade) sobre os filhos enquanto são menores, e que ou sua presença é importante em tudo ou em nada. Os pais não devem se intimidar em situação alguma, mostrando que, se já existe autonomia em algumas situações, há dependência em muitas outras, com o perigo de ela se efetivar em vários aspectos.

Certamente, a auto-afirmação dos filhos diante do grupo social ficará comprometida se houver a conivência dos pais em situações que venham banir a família desse meio, pois esta é importante no processo de formação da personalidade da criança. A família é seu primeiro grupo social e não pode ser substituída. Outras pessoas passam a compor esse grupo, porém, com valores diferentes, que também são importantes e que não excluem os que foram construídos no seio do convívio familiar.

Vale mostrar que, como pais, jamais a omissão se fará presente e que, por pior que seja a situação, vão enfrentá-la com a certeza de que nunca vão descer uma quadra antes.


ADOLESCÊNCIA. A DIFÍCIL FASE DE TRANSIÇÃO

Prof. Joseph Razouk Junior é

Gerente editorial do Centro de

Pesquisas Educacionais Positivo

Juventude estropiada

Adilson Luiz Gonçalves

“Juventude Transviada”, “Hippies”... Todos esses “movimentos” sempre tiveram um quê de protesto contra alguma coisa: repressão sócio-familiar, Guerra do Vietnã, etc. Ao menos tinham alguma razão de ser, embora todos tivessem um grande componente “fashion”, muito bem aproveitado pelos “marqueteiros”, que podiam ser, pessoalmente, conservadores, mas, sempre foram extremamente dinâmicos – e continuam a sê-lo - quando o assunto é lucrar com as fraquezas e deficiências dos outros, principalmente dos adolescentes.

Os hippies pregavam “paz e amor”, mas muitos de seus adeptos só queriam uma desculpa para não fazer absolutamente nada de convencional, fumar seu “baseado”, fazer sua “viagem lisérgica”, praticar “amor livre” e vender artesanato nas feirinhas ou esquinas, tocando flauta... Contra-cultura! Confesso que era até interessante vê-los pelas ruas, com suas calças desbotadas, batas coloridas, psicodélicas, cabelos compridos e desgrenhados, distribuindo flores para os mais velhos, rindo e dançando infantilmente; mas quantos não terminaram viciados em drogas ou tão – ou mais – conservadores e agarrados ao poder econômico, como o “establishment” que combatiam?

Generalizações são sempre perigosas, mas, é possível observar que, desde então, todos os “movimentos” jovens tiveram por objetivo alienar a juventude. Poucos, aliás, tiveram início em seu seio: Ela só foi “massa de manobra” de lances globais de marketing intimamente ligados ao mundo dos modismos e à estratégias de descaracterização cultural (teoria de conspiração?).

Mas, onde estão os hippies e transviados? Bem, muitos se transformaram em respeitáveis e conservadores membros da elite social. Ainda é possível ver alguns \"hell’s angels”, desfilando com suas Harley Davidson por aí, com bandanas na cabeça e roupas de couro, estilo “easy ridder”; mas, quase todos são empresários bem sucedidos, seguindo o caminho de seus pais, como na música de Belchior. Ainda ouvem CCR, mas com os olhos na Bolsa...

Mas, se olharmos de meados da década de 1970 para cá, perceberemos que houve uma mudança preocupante no foco desses “movimentos”: em vez de ideais de humanização para uma sociedade arcaica, o que se vê são propostas de sua degradação pessoal e coletiva! Em comum só têm os investidores no lado aparente de seus adeptos (roupas, maquiagens e acessórios).

É óbvio que tudo isso sempre tem a ver com questões sócio-econômicas e, quase sempre tem origem nos subúrbios do “Primeiro Mundo”, principalmente nos EUA e na Inglaterra. Assim foi como os “movimentos”: “punk”, “rap”, “góticos” etc. Nós, “terceiro-mundistas”, como bons “macaquitos”, fazemos questão de imitar tudo, mesmo que com alguns meses ou anos de atraso, provando que podemos ser “retardados” e colonizados de várias formas.

Mas qual é o limite entre o temporal (que faz estragos) e o duradouro (que os perpetua)?

Perdoem-me se estou sendo “careta”, mas creio estar na atitude dos pais perante os filhos! Digo isso porque, enquanto alguns pais prestam mais atenção em suas carreiras e vidas sociais, deixando que a “vida” os crie, outros são extremamente liberais: toleram tudo, permitem tudo, apóiam tudo, defendem tudo, mas, não medem nada! O resultado é que, hoje, proliferam “tribos” que só querem ser vistas, o que seria normal na adolescência; a diferença é que para serem “aceitos” nelas os jovens se mutilam: colocam argolas enormes nas orelhas, colocam “piercings” nos lugares mais improváveis e perigosos, gastam fortunas como roupas grotescas, tatuam o corpo todo (esquecendo que a moda muda), ficam até altas horas da madrugada em lugares públicos, falando alto e, por vezes, consumindo drogas... Agora existem os “emos”, que se acham mais sensíveis e, ocasionalmente, bissexuais. Onde estão os pais, em meio a tudo isso? Não vêem os filhos saírem de casa? Não vêem os filhos chegarem em casa?

Mas, não é só aí que a “coisa” fica, e “pega”: a adolescência é uma fase de transição, de confrontação, de auto-afirmação - o que é perfeitamente natural. Mas a esse processo natural de transgressão estão sendo incorporados valores distorcidos, alta agressividade e falta de educação como “estilo”: Também são “fashion”! Pedir licença? Por Favor? Agradecer? Nem pensar...

Sou pai e, portanto, ator e, potencialmente, “vítima” dessas circunstâncias. Tento cumprir minhas responsabilidades, e espero que outros também o façam! Mas, não posso negar que estou profundamente preocupado com o que o futuro nos reserva, pois muitos de nossos jovens aceitam, com a omissão ou conivência dos pais, entrar nessas “linhas de montagem” da alienação lucrativa que, em vez de “libertá-los”, vai torná-los cada vez mais escravos dela.

Não precisamos ser como nossos pais, mas, temos que ser pais!

Música X Violência

Muitos ainda se perguntam como dois jovens, com uma vida inteira pela frente, puderam cometer crime tão chocantes como os que se viram na escola de Littletown, no final do milênio. O debate nos EUA, assim como em todo o mundo, começou a suscitar várias hipóteses para tamanho desvio de comportamento.

Harris (18) e Klebold (17) faziam parte de uma gangue, a "Trenchcoat Mafia" (mafia do casaco), eram fãs de heavy metal e música industrial e se vestiam na moda gótica, assim como Marilyn Mason. Harris tinha um site satanista na internet que foi tirado do ar pela AOL, seu provedor, pelo contéudo muito forte - dentre eles um poema suicida, receitas de bombas caseiras, desenhos e uma versão personalizada do DOOM (jogo de computador extremamente violento). Seus assuntos preferidos: armas e morte.

Com a conivência dos pais, cada vez mais adolescentes se perdem no que se costumou chamar "liberdade", uma vez que tudo "é fase" e os pais não querem arcar com a responsabilidade e embaraço, perante a sociedade, de ter um adolescente "problemático".

Uma coisa é certa: a música influencia muito o comportamento dos jovens. Se pesquisarmos os crimes cometidos por adolescentes veremos que 99% deles gosta de rock e tem por divertimento filmes e jogos violentos. Basta ver aqui mesmo, no Brasil, os bailes funks no Rio de Janeiro, onde pelo menos uma pessoa é morta por baile, vítima da violência das gangues.

Em nossas escolas temos também uma situação caótica, com assassinatos, bombas caseiras e diretores escolares pedindo aos governos policiamento dentro de seus estabelecimentos por causa do tráfico de entorpecentes e da violência. Tudo isso onde teoricamente nossos filhos deveriam aprender ser educados. E nada pode se fazer contra os elementos que desvirtuam a mocidade. Estes não são somente os adolescentes problemáticos com família e situação complicadas. A conivência dos governos é enorme, com sua política de não censura, levando a TV e o rock como principais articuladores de formação juvenil. Os pais não entendem no final o que fizeram de errado ao assumir o conceito de liberalidade para educar.

Educar é corrigir com amor, para que possamos domar uma natureza decaída, e é isso que devemos passar para nossos filhos.Sem isso, criaremos monstros que não terão nem moral nem a graça de Deus, que é a coisa mais importante para todos nós.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

A província da Bahia


Tasso Franco

(Transcrito do jornal Tribuna da Bahia)

A Bahia é uma província, desde o tempo da República Velha. Na Nova República, assim chamada pós-Tancre-do Neves (1984) e mesmo na era das ditas práticas republicanas, continua a velha província da Bahia. Exemplo mais sintomático desse ranço provinciano foi o epíteto criado pelo atual governo do Estado para definir o Centro Histórico de Salvador, conhecido assim há centúrias, para Centro Antigo, e o desmonte das atividades lúdicas, comerciais e culturais no Pelourinho.

Certo fez Dorival Caymmi, menestrel que colocou a província baiana no cenário da música nacional, o qual, se mandou da Bahia e foi embora sem dizer adeus. O governo do Estado na época de ACM ainda quis lhe dar uma casa em Salvador, mas ele recusou. Fez certo. Disse que a Bahia tinha virado um cocô depois da Rio/Bahia. Nunca mais veio em Salvador, salvo recentemente, quando recebeu uma homenagem no TCA e foi embora de novo sem visitar cenários que imortalizou.

Gilberto Gil também fez o mesmo. - A Bahia me deu, régua e compasso/ Quem sabe de mim sou eu/ Aquele abraço. Versou e se mandou também. Nos idos dos anos 1980, ainda tentou ser prefeito de Salvador, porém não conseguiu. Foi embora de malas e bagagens para o Rio de Janeiro e nos últimos cinco anos, eventualmente, vai a Brasília dirigir o Ministério da Cultura. Só vem a Bahia na época do Carnaval para ganhar um capilé a mais e/ou para assinar dois ou três convênios em sua área. Quando não, manda seu secretário geral, Juca Ferreira.

Aquele Gil que um dia lutou para recolocar o afoxé na posição que sempre mereceu, desfilando no rés-do-chão tocando agogô e cantando ajariô; aquele bravo e militante Gil da cultura do povo baiano, do povo de santo recentemente ridicularizado com uma tal de “Ebó-Arte”, desrespeito a preceito sagrado do candomblé patrocinado pelo poder estatal na capela do MAM, está aposentado. Paciência, ninguém é de ferro pra ficar o tempo todo dando murro em ponta de faca. Faz parte.

O “Ebó-Arte” patrocinado num dos templos das artes plásticas baianas, cenário de outros espetáculos e encenações teatrais e musicais, lançamentos de livros e outros, foi simplesmente ridículo, desproposital, como foram as brincadeiras de mau gosto com anãs e garrafas plásticas de Fanta. Não existiu na história dos últimos 50 anos de Bahia nada tão grotesco, tão absurdo, tão irracional, quanto o “Ebó-Arte”, não só pela agressão ao preceito básico do povo de santo; mas também a arte em si.

Além de Caymmi e Gil, voltando ao fio da meada, deixaram a Bahia depois dos efervescentes anos da contra-cultura e da Ufba de Edgard Santos, Caetano Veloso, Moraes Moreira, João Ubaldo Ribeiro, João Carlos Teixeira Gomes, Maria Bethânia, Sônia Cou-tinho, Antonio Torres, Glauber Rocha, Dias Gomes, Lázaro Ramos e tantos outros. Se não fosse a turma de Jorge Amado que aqui ficou, ainda com poucos representantes em vida, um ou dois Antonio Risério, um ou dois Fernando Conceição, adeus Bahia.

Quem é e quem faz a cultura baiana? A propósito, Antonio Risério escreveu recentemente em “Algumas Notas Baianas”, Revista Metrópole, que a Bahia vive “dias de radicalização do provincianis-mo e aprofundamento da mediocridade”. E acrescenta: “Em todos os seus níveis, planos, instâncias, dimensões, na administração pública, na produção artística”, pois, não há projetos para Salvador, nem para o Estado. Até o Domingueiras e o Chapéu de Palha (a observação é nossa), capitaneados pelo produtor Roberto Santana, dentro da proposta de modernização conservadora da era ACM foi riscado do mapa pela direção grupista da Secult.

A ameaça que se impôs a Fundação Casa de Jorge Amado, felizmente agora com a palavra do governador Wagner de que tudo está resolvido, é um desses atos típicos da província. Melhor seria, com todo respeito que se tem à dedicação e ao esforço de Miriam Fraga, levar o acervo do notável escritor brasileiro para a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, onde certamente teria um tratamento digno. Da maneira em que se encontra os prejuízos ao acervo serão inevitáveis.

Veja o seguinte: se o Estado brasileiro, tendo à frente um ministro de Cultura da Bahia, não consegue alocar R$3,5 milhões para se instalar um memorial a Jorge Amado, em sua Casa do Rio Vermelho, centro internacional da cultura literária nacional, pode-se advir o que acontecerá, em futuro próximo, à Fundação e ao projetado Memorial. Como disse João Ubaldo Ribeiro em recente entrevista, Jorge não foi uma personalidade qualquer para a Bahia e sim única.

Vejam outra historinha curiosa: tombaram a Igreja de Nossa Senhora da Vitória diante de uma briga judicial envolvendo a construção de um edifício de 36 andares na área da antiga Mansão Wildberger, como se a linha de ocupação do Corredor da Vitória estivesse virgem. Uma coisa não tem nada a ver com a outra diante do valor patrimonial e artístico da igreja, um templo sem gabarito para tal, mas, o desejo provinciano de alta personalidade da cultura nacional, assim procedeu. Até o pároco do templo, Luis Simões, foi contra.

Como Dias Gomes já morreu e não tem mais condições de escrever o besteirol do provincianismo baiano, nem Glauber documentá-lo em cine, resta torcer para que as práticas republicanas em uso na Bahia nos dias atuais, sejam aperfeiçoadas e respeitem, quando nada, a memória do maior e mais traduzido escritor que este país já teve. Quanto ao Pelourinho, no embalo de desmonte em que se encontra, certamente voltará a ser palco dos velhos fantasmas que povoaram o local nos anos de 1970.