sábado, 10 de outubro de 2009

No País de Seu Cabral

No País de Seu Cabral
Joilson Kariry Rodrigues

Seu Cabral, um velho marinheiro português, estava perdido quando achou de achar um país novinho em folha. Bem arborizado, de frente para o mar, uma imensidão de litoral que não acabava mais, e melhor: quase sem dono. Ora, pois! Que maravilha! Era só descer da nau e tomar posse. Deus nasceu aqui e decerto passa férias aqui, pensou o velho lobo do mar admirado do seu achado e bendizendo os ventos que o empurraram para aquele canto do oceano. Conta a lenda que o primeiro dizer dele, ainda em bordo, foi: - Bunda à vista!... Quero dizer... É... Terra à vista! Tudo meu, tudo meu... As bundas, acredita-se, eram das nativas. As terras também, mas isso era negociável. De lá para cá nos tornamos o país das bundas. A força do DNA do velho Cabral em nosso sangue nos mantém nessa cultura. Duvidou que as terras do colega Cristovão, mais ao norte, fossem melhores do que aquelas. Ah, isso não era mesmo! Por isso solicitou a um amigo letrado, um tal de Pero, que escrevesse uma carta ao Rei e outra (sob sigilo) ao italiano. A primeira, séria, comunicando o achado, que fora depois adquirido a troco de algumas quinquilharias, e se desculpando pela demora da viagem a Índia. A segunda era só um bilhete tirando um sarrinho de Colombo. Haha... Ninguém é de ferro! O certo é que nem um nem outro achou o novo atalho marítimo para as índias. E que se danasse a Índia de lá, as índias daqui eram mais sexy. (digo ‘eram’ porque já não são mais, foram dizimadas. Mas ainda temos a Juliana Paes que não é índia, mas é boa também) Aqui em tudo se plantando tudo dá, pensou o tataravô Cabral. Mas em se arrancando o que já está plantado dá mais ainda, pesou melhor. E assim foi. Enfim tomou posse das terras. Mudou o nome, porque Pindorama não era lá um nome muito adequado e exigiu, como parte do acordo de aquisição, que os antigos proprietários trabalhassem (forçado) para o desenvolvimento do novo país. Ah, que isso não deu certo não. Se seu Cabral não queria trabalhar, os índios muito menos. Logo um pajé esperto fez um acordo com os jesuítas: em troca da proteção converteriam todos ao catolicismo. E pode ter sido esse mesmo pajé quem sugerira que fossem buscar guerreiros negros na África para realizar tal mão de obra. Como todo posseiro que se preza seu Cabral foi aos poucos empurrando sua cerca para dentro das terras do vizinho, os espanhóis. Estes eram vizinhos lá, vizinhos aqui, parecia uma maldita perseguição. Os otários acreditaram num tal Tratado de Tordesilhas... Hahahaha. Daí para cá nos tornamos o país dos espertos, 171 tremendo. E ele só não avançou Argentina adentro porque não queria o Maradona na seleção brasileira, dizem. E se tivesse abocanhado também a Venezuela o Huguinho era bem mais que só sobrinho do Donald, era oposição ao Luizinho. (ou aliado, sei lá...) e a família do pato estaria completa se juntassem a um Zezinho qualquer (... o Dirceu ou o Genoíno). Daí talvez fosse mais fácil enfrentar Napoleão e deixar que a família Real ficasse por lá mesmo. Com Napoleão nos calcanhares o velho Cabral teve que correr acovardado e fixar moradia por aqui de vez. Até que não foi de tudo tão ruim assim. Era só fingir que aqui era lá, só que mais quente e com mosquitos. Divirta-se matando índios, distribuindo chicotadas nos negros e enforcando dentistas radicais e nem vai sentir saudades das terras civilizadas. Já que ia ficar por aqui mesmo seu Cabral cortou de vez os laços com os patrícios portugueses. Mas deu uma cochilada e perdeu o controle. Assim perdeu também um bom pedaço de terra lá no sul. Os cisplatinos, só para contrariar, deram ao velho Cabral o mesmo gostinho que ele dera aos portugueses. Hahahaha... Essa eu gostei! Gostei, mas me calo decepcionado com os cisplatinos. Esses caíram no conto do velho português e juntos com a seleção argentina foram tentar abocanhar as terras do Paraguai. Que coisa feia! Por que não decidiram essa parada no Maracanã? Apesar de tudo o novo país de seu Cabral ia bem, obrigado. Mas dava um trabalhão danado administrar isso tudo. Então o velho teve uma idéia: alugaria o país. E, apesar disso aqui ser um negócio da China, foi aos Ingleses que ele entregou, de porteira fechada. Os ingleses forçaram a libertação dos negros (como eram bonzinhos!). O pajé, que havia sugerido que escravizassem os africanos, tremeu de medo achando que agora era a vez dele trabalhar. Agarrou-se a um crucifixo e jurou que era católico. Foi eliminado com o Cristo nas mãos e Tupã no coração. Importaram então mão de obra italiana e japonesa. E a senzala inteira sorriu aliviada, saboreando a desforra. Agora era a vez dos brancos e amarelos trabalharem. Mas não foi bem assim não. Os importados ganhavam para trabalhar. Que merda! O suor do africano só tinha valor se fosse derramado de graça, misturado ao sangue das chicotadas. Quando chegou a vez de faturar chamaram os gringos.

domingo, 20 de setembro de 2009

Pode bater, que o gigante é manso

REVISTA VEJA

: Com amigos como estes...

Os presidentes populistas da América do Sul esbravejam o tempo todo contra os Estados Unidos. Contam-se nos dedos de uma só mão, contudo, as medidas concretas contra interesses americanos adotadas por esses governos. Em lugar disso, quando querem agitar uma causa nacionalista para unir a nação em torno do presidente, o golpe é desferido contra o Brasil. Fazem isso com total desfaçatez, pois a experiência dos últimos anos demonstrou que o vizinho grandalhão engole passivamente as humilhações. Na semana passada, Rafael Correa, presidente do Equador, expulsou a Odebrecht, seqüestrou os bens da construtora, ocupou com tropas quatro de suas obras e proibiu quatro diretores de deixar o país. Dois deles escaparam a tempo de volta para o Brasil. Os outros dois buscaram refúgio às pressas na casa do embaixador brasileiro em Quito. Os engenheiros brasileiros que permanecem nas obras passaram a ser escoltados e dormem em quartos de hotel com soldados vigiando no corredor. Por fim, Correa ameaçou não pagar um empréstimo de 243 milhões de dólares concedido pelo BNDES. Mediante tal flagrante desrespeito às regras internacionais e aos direitos humanos, a diplomacia brasileira tratou mais uma vez de defender os direitos nacionais... dos equatorianos. "Houve, digamos, ações preventivas por parte do Equador. Não houve conflito", desconversou o chanceler Celso Amorim.

As vítimas mais expostas dessa excessiva tolerância do governo petista em relação aos abusos cometidos pelos hermanos são as empresas e os cidadãos brasileiros nos países vizinhos. "O Brasil está pagando o preço por ter uma economia saudável, em crescimento e aberta para o mundo", disse a VEJA o advogado americano Allen Weiner, professor da Universidade Stanford e ex-diplomata. "Países vizinhos que não gozam do mesmo sucesso naturalmente pensam que isso ocorre porque os brasileiros estão tirando vantagem deles. A tendência é isso aumentar cada vez mais." O momento anuncia um drama pior. No Paraguai, os produtores brasileiros de soja foram escolhidos como alvos prioritários da reforma agrária do novo presidente. Na semana passada, brasileiros que vivem em dois departamentos da fronteira foram intimados a dar explicações ao Indert, o instituto de terras paraguaio. Eles terão de dizer quando compraram suas terras, de quem e quanto pagaram por elas. Na Bolívia, em duas reuniões da Federação dos Camponeses do Norte de Santa Cruz, ficou decidido que as primeiras terras a ser invadidas serão as dos brasileiros.

Desde que Evo Morales ocupou impunemente com tropas duas refinarias da Petrobras em 2006, bater primeiro, conversar depois virou a regra nas relações bilaterais. Na época, Lula defendeu a ação como direito da Bolívia – como se o Brasil também não tivesse direitos previstos nos acordos assinados. Desta vez, ele usou uma metáfora familiar para explicar o imobilismo. "Você imagina, na sua casa, quando você morava com três ou quatro irmãos menores, você podia estar com a razão, mas eles ficavam te cobrando coisas", disse o presidente. O Equador seria esse irmão menor, que não tem razão, mas precisa ser tolerado. Correa alegou que problemas no funcionamento da usina hidrelétrica de San Francisco, parada há três meses por motivos técnicos, haviam motivado a medida. Segundo a Odebrecht, a culpa é dos técnicos equatorianos que fizeram o projeto da usina. Eles não levaram em conta a existência do vulcão Tungurahua, a 20 quilômetros da unidade. Uma erupção em agosto de 2006 aumentou em 35 vezes a concentração de sedimentos na água do Rio Pastaza, os quais danificaram as turbinas.

Nas doze reuniões tensas que ocorreram nas últimas quatro semanas para encontrar uma solução, a construtora se comprometeu a colocar a usina em funcionamento no dia 4 de outubro, nesta semana. Os funcionários equatorianos deixaram claro que cumpriam ordens diretas do presidente e que um acordo não seria possível. Correa precisou de um factóide nacionalista para aprovar seu projeto de Constituição em um referendo no domingo 28. Se conseguir metade mais um dos votos, terá poderes para dissolver o Congresso e poderá se reeleger. Azar do Brasil. "Ao expulsar a Odebrecht e ameaçar brasileiros, Correa solapou o Judiciário e agiu como se estivesse em estado de sítio", diz a advogada Maristela Basso, especialista em direito internacional e professora da Universidade de São Paulo (USP). "É preciso deixar de considerar esses presidentes como amigos camaradas para vê-los como realmente são, chefes de estado que subvertem o estado de direito." Em outras palavras, chega de apanhar calado.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O Senado está com aquilo roxo

Ruth de Aquino
Revista Época

RUTH DE AQUINO
é diretora da sucursal de ÉPOCA no Rio de Janeiro
raquino@edglobo.com.br

“Não nasci com medo de assombração, não tenho medo de cara feia. Isso meu pai dizia desde quando eu era pequeno, que havia nascido com aquilo roxo.” Para quem não se lembra ou não era nascido, essa declaração é de Fernando Collor de Mello, senador do PTB por Alagoas, ex-presidente derrubado por impeachment em 1992. Esse populista de direita de triste memória foi recebido pelo presidente Lula na noite de terça- -feira. Um dia depois de esbugalhar novamente os olhos.

O senador do PMDB Pedro Simon ficou com medo de assombração. Eu também.

Por que falar de Collor, essa figura menor no cenário nacional, um político claudicante? Alguém que iludiu os brasileiros, ao se eleger como “guardião da moralidade”, “caçador de marajás”, prometendo exterminar “com um tiro só o tigre da inflação”, e acabando por confiscar a poupança da classe média? Porque, só no Brasil de Renan Calheiros e José Sarney, Collor voltaria como fiel da balança de alguma coisa. No encontro no gabinete da Presidência, Lula teria tentado convencer Collor a apoiar a entrada da Venezuela no Mercosul.

Sempre tive dificuldade de entender a definição brasileira da expressão “formação de quadrilha” – por ser usada a torto e a direito. Mas os últimos acontecimentos são esclarecedores. A Venezuela que o Palácio do Planalto defende é a de Hugo Chávez, o populista truculento de esquerda que fecha emissoras de rádio e televisão. O aprendiz de ditador que governa por decretos e não se cala nunca. Ligado a grupos terroristas como as Farc colombianas.

A coluna da jornalista Miriam Leitão no jornal O Globo de quinta-feira 6, “Hasta cuando”, é de leitura obrigatória para quem deseja entender por que a diplomacia brasileira é severa com a Colômbia de Uribe e condescendente com a Venezuela de Chávez. Na página 96 desta edição, ÉPOCA trata com profundidade o assunto: os dois pesos e duas medidas do Planalto e do Itamaraty. Parodiando o assessor especial para Assuntos Internacionais de Lula, Marco Aurélio Garcia, o que “não está no gibi” é a tolerância brasileira com as violações de direitos na Venezuela.
Só no Brasil de Renan e Sarney, Collor poderia voltar
como o fiel da balança de alguma coisa

Por que falar do carioca Collor? Porque sua postura de cabra-macho desequilibrado parece ter contaminado de vez as figuras da República. Não há pudor. A Casa-grande agora tem “tropa de choque”, e não é de elite. A baixaria, os insultos, os palavrões invadem os lares brasileiros. Os senadores parecem orgulhar-se de ter aquilo roxo. Quando jornalistas perguntaram a Collor o que ele achava da interpelação do gaúcho Pedro Simon, ele respondeu: “Manda ele ir...” e entrou no carro. Collor mandou Simon “engolir as palavras” e o proibiu de mencionar seu nome. Ao ser reabilitado, Collor parecia ter domado os surtos. Ilusão.

O embate entre o alagoano Renan Calheiros e o cearense Tasso Jereissati diante de um maranhense apático (Sarney) um dia será reproduzido em alguma novela das 8 – até agora nenhum roteirista teria ousado tanto com medo de ser processado. Mas o tratamento Vossa Excelência parece ter sido arquivado na vida real. Agora, eles se tratam por “coronel de m....” e “cangaceiro de terceira categoria”.

– Me respeite! Me respeite! Eles se gritam.

Nos respeitem, porque está duro defender a instituição. As instituições são compostas de homens. No caso, homens eleitos. Sua maior qualidade deveria ser a integridade, a decência, a compostura, já que representam o povo e são pagos por nós.

A melhor frase da semana foi de Paulo Duque, do PMDB do Rio de Janeiro e presidente do Conselho de Ética do Senado, sobre o discurso de Sarney – coalhado de imprecisões. “Achei o discurso muito bonito, muito adequado, muito verídico.” Não entendi o advérbio de intensidade. É estilo, ou agradecimento salivoso a quem resgatou da obscuridade o senador de 81 anos? Existe discurso “pouco verídico”?

Neste domingo, Dia dos Pais, com que cara esses senadores olharão para seus filhos? Se alguém soltar um palavrão na mesa, se o bate-boca se generalizar, não poderão fazer cara feia. Terão de engolir.

domingo, 19 de julho de 2009

Seja Feliz e Pronto

Arnaldo Jabor


A idiotice é vital para a felicidade. Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre.
A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? Ha ha ha ha ha ha ha ha!
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... A realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu?
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva.
Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável. Teste a teoria.
Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus, confie e espere só NELE e pra relaxar que tal um cafezinho gostoso agora?
"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios". "Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche".
Seja você mesmo sempre e VIVA A VIDA!!!!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Será verdade

Estava dentro do mato a dias.... Ontem um papagaio falador apareceu por lá fugindo da vida agitada da cidade e me contou algumas coisas que precisei sair de lá para verificar.

É verdade? O caso absurdo da menina pernambucana de nove anos engravidada pelo padastro ?

A lei brasileira permite o aborto em casos de estupro e de ameaça a vida da mãe, mas Dom José Cardoso, arcebispo de Olinda e Recife excumungou a mãe e os médicos responsáveis pelo aborto de gêmeos numa menina, criança, abusada por quem deveria lhe proteger e que corria risco de morte.

É verdade? O que sugere o arcebispo que fosse feito? É verdade que um deputado paulista afirmou que se fosse bem acompanhada poderia ser feito um parto cezariana, o que salvaria a vida da mãe e das crianças ?

Isso é verdade ?

É por situações como esta que procuro não deixar a razão atrás da fé e vivo a percorrer os caminhos das religiões sem ser um curioso ateu, mas meio agnóstico.. Na percepção teológica certeza e incerteza são dois lados da mesma moeda do poder da fé e o extremismo religiooso não cabe na cabeça de quem raciocina, logo a fé não pode dispensar a dúvida.

A fé mais nobre é também a mais inocente. São pessoas humildes do interior, muitos incravados no mato, analfabetos que vivem se comportando como aprendeu com seus pais e a comunidade, e assim, “Ala Progressista” “Teologia da Libertação” “Tendencias socialistas” não entram de jeito nenhum na cabeça da fé cega, o que conta é Deus, Jesus e os Santos.

Dom José é uma pessoa sem capacidade de dialogar? Isso é verdade? É autoritário, rancoroso e vingativo? . Asiim o define um acessor seu, mas uma pessoa com essse perfil pode ser um arcebispo?

A divisão dentro de uma religião é simplesmente absurda quando dividida em “alas”. Não sou simpatizante de movimentos pela reforma agrária, mas da forma como aconteceu a extinsão da Comissão Pastoral da Terra fundada por Dom Helder Câmara fortalece a minha posição de ver com certa reserva as atitudes da igreja. Para justificar a sua coleção de polemicas o arcebispo disse porque fechou o Instituto Teológico do Recife:

“Havia mulheres negras, negros, inclusive não católicos. Havia mais ou menos 50 homoxesuais declarados.”

Isso é verdae?

Sobre a homosexualidade é discutível a sua inclusão numa religião, não por preconceito, mas por não ter conseguido chegar a uma conclusão sobre a causa dos desvios das relações sexuais entre as pessoas, que pelo formato biológico e até anatômico se divide entre homens e mulheres, mas a citação de “ mulheres negras”
É grave.

Isso tudo é verdade ? vou voltar pra dentro do mato!

Salvador 22 de narço 2009.

João Almeida Santos

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O Marcola do país da macarronada

Texto integral
O Marcola do país da macarronada

DIOGO MAINARDI

O Brasil negou o pedido de extradição de Cesare Battisti durante minhas férias. Férias na Itália. Acompanhei o episódio de longe, pela imprensa italiana. "La Repubblica" publicou o seguinte comentário:

"No país do samba, há uma espécie de cumplicidade ideal com todos os Battisti do mundo, com os terroristas, com os justiceiros. Lula deve ter pensado que a Itália é uma republiqueta como a sua. (Ele) acredita que o mundo inteiro é formado por paisecos no limite entre o populismo e a ditadura militar".

Ponto.

Nos últimos anos, "La Repubblica" foi um dos jornais estrangeiros que mais tolamente se encantaram com o presidente brasileiro. Agora mudou. A abestalhada claque italiana de Lula passou a enxergá-lo como um retrato do caudilho bananeiro.

Um documento que recebi na semana passada pode ajudar a explicar essa baba raivosa na boca dos italianos. Trata-se da ficha do Ros - o Grupo de Operações Especiais da polícia militar italiana - sobre os terroristas do PAC - os Proletários Armados pelo Comunismo -, do qual fazia parte Cesare Battisti.

Primeiro trecho:

"Os Proletários Armados pelo Comunismo formaram-se nos últimos meses de 1977, no âmbito da luta contra a nova realidade do regime carcerário de segurança máxima, que acabara de ser instituído".

E eu acrescento: os atentados terroristas do PCC, em maio 2006, ocorreram pelo mesmo motivo - a transferência de alguns membros do bando para o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes. O PAC é o PCC do país da Tarantella (sim, estou parodiando o editorialista do "La Repubblica"). Tarso Genro alegou que Cesare Battisti foi perseguido por suas ideias políticas. A única ideia que ele tinha era essa: aliviar o cárcere duro, exatamente como o Comando Vermelho em Bangu 3.

Segundo trecho da ficha policial:

"Em 6 de junho de 1978, o PAC assassinou, na frente da cadeia de Udine, o coronel Antonio Santoro, comandante dos agentes penitenciários. No documento de reivindicação, lê-se: O Estado usa a cadeia como uma ameaça contra qualquer tipo de divergência, de obtenção de renda por outros meios, de conflito de classe. E para readquirir o controle dos presídios, isola a faixa mais combativa [dos prisioneiros proletários], o que acarreta seu aniquilamento. Precisamos deter esse projeto, reforçando nossa prática comunista, concretizando-a em armamentos e em contrapoder".

Compare-o agora a um manifesto do PCC: A introdução do Regime Disciplinar Diferenciado inverte a lógica da execução penal. E coerente com a perspectiva de eliminação e inabilitação dos setores sociais redundantes, leia-se 'a clientela do sistema penal', a nova punição disciplinar inaugura novos métodos de custódia e controle da massa carcerária, conferindo à pena de prisão o nítido caráter de castigo cruel.

O assassinato do coronel Antonio Santoro por parte do grupo comandado por Cesare Battisti, na realidade, teve um motivo bem mais banal do que se poderia concluir lendo o altissonante manifesto do PAC. Segundo a ficha da polícia, o chefe dos agentes penitenciários foi morto somente por causa da demora em oferecer atendimento médico a outro militante do grupo, que se machucou jogando futebol na cadeia. Aparentemente, o que os terroristas queriam obter era um Mário Américo para cada prisioneiro.

Em 1979, o PAC seguiu essa mesma lógica de apoio sangrento à bandidagem comum nos assassinatos de um joalheiro e de um açogueiro. De acordo com o documento preparado pelos Carabinieri, o bando de Cesare Battisti executou os comerciantes porque eles "fizeram justiça com as próprias mãos, matando dois assaltantes".

Cesare Battisti é isso, é só isso: o Marcola do país da macarronada.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

E HOJE ?...

Autor desconhecido

Há trinta anos, os adolescentes encontravam o sexo oposto em bailes de salão organizados por clubes, igrejas ou pais responsáveis preocupados com o sucesso reprodutivo de seus rebentos.
Na dança de salão o homem tem uma série de obrigações, como cuidar da mulher, planejar o rumo, variar os passos, segurar com firmeza e orientar delicadamente o corpo de uma mulher. Homens levam três vezes mais tempo para aprender a dançar do que mulheres. Não que eles sejam menos inteligentes, mas porque têm muito mais funções a executar. Essa sobrecarga em cima do homem permite à mulher avaliar rapidamente a inteligência do seu par, a sua capacidade de planejamento, a sua reação em situações de stress. A mulher só precisa acompanhá-lo. Ela pode dedicar seu tempo exclusivamente à tarefa de avaliação do homem.
Uma mulher precisa de muito mais informações do que um homem para se apaixonar, e a dança permitia a ela avaliar o homem na delicadeza do trato, na firmeza da condução, no carinho do toque, no companheirismo e no significado que ele dava ao seu par. Ela podia analisar como o homem lidava com o fracasso, quando inadvertidamente dava uma pisada no seu pé. Podia ver como ele se desculpava, se é que se desculpava, ou se era do tipo que culpava os outros.
Essa convenção social de antigamente permitia ao sexo feminino avaliar numa única noite vinte rapazes entre os 500 presentes num grande baile. As mulheres faziam um verdadeiro teste psicológico, físico e social de um futuro marido e obtinham o que poucos testes psicológicos revelam. Em poucos minutos conseguiam ter uma primeira noção de inteligência, criatividade, coordenação, tato, carinho, cooperação, paciência, perseverança e liderança de um futuro par.
Infelizmente, perdemos esse costume porque se começou a considerar a dança de salão uma submissão da mulher ao poder do homem, porque era o homem quem convidava e conduzia a mulher.
Criaram o disco dancing, em que homem e mulher dançam separados, o homem não mais conduz nem sequer toca no corpo da mulher. O som é tão elevado que nem dá para conversar, os usuais 130 decibéis nem permitem algum tipo de interação entre os sexos.
Por isso, os jovens criaram o costume de “ficar”, o que permite a uma garota conhecer, pelo menos, um homem por noite sem compromisso, em vez de conhecer vinte rapazes numa noite, também sem compromissos maiores.
Pior: hoje o primeiro contato de fato de um rapaz com o corpo de uma mulher é no ato sexual, e no início é um desastre. Acabam fazendo sexo mecanicamente em vez de romanticamente como a extensão natural de um tango ou bolero. Grandes dançarinos são grandes amantes, e não é por coincidência que mulheres adoram homens que realmente sabem dançar e se apaixonam facilmente por eles.
Masculinizamos as mulheres no disco dancing em vez de tornar os homens mais sensíveis, carinhosos e preocupados com o trato do corpo da mulher. Não é por acaso que aumentou a violência no mundo, especialmente a violência contra as mulheres. Não é à toa que perdemos o romantismo, o companheirismo e a cooperação entre os sexos.
Hoje, uma garota ou um rapaz tem de escolher o seu par num grupo muito restrito de pretendentes, e com pouca informação de ambas as partes, ao contrário de antigamente.
Eu não acredito que homens virem monstros e mulheres virem megeras depois de casados. As pessoas mudam muito pouco ao longo da vida, na realidade elas continuam a ser o que eram antes de se casar. Você é que não percebeu, ou não soube avaliar, porque perdemos os mecanismos de antigamente de seleção a partir de um grupo enorme de possíveis candidatos.
Fico feliz ao notar a volta da dança de salão, dos cursos de forró, tango e bolero, em que novamente os dois sexos dançam juntos, colados e em harmonia. Entre o olhar interessado e o “ficar” descompromissado, eliminamos infelizmente uma importante etapa social que era dançar, costume de todos os povos desde o início dos tempos.
Se você for mãe de um filho, ajude a reintroduzir a dança de salão nos clubes, nas festas e nas igrejas, para que homens aprendam a lidar com carinho com o corpo de uma mulher.
Se você for mãe de uma filha, devolva a ela a oportunidade que seus pais lhe deram, em vez de deixar sua filha surda, casada com um brutamontes, confuso e insensível idiota.
Stephen Kanitz

Você consegue um bom emprego na hora que bem entender? Você descola um amor do dia pra noite? Se entrar num banco, sai de lá com um empréstimo sem burocracia? Se você respondeu sim para todas estas perguntas, parabéns. E fique atento para o horário de partida do seu disco voador, pois a qualquer momento você terá que voltar para seu planeta.
Entre nós, terrestres, o sim é uma resposta rara. Na maioria das vezes, NÃO há vagas, NÃO querem editar nossos poemas, NÃO temos fiador, a garota NÃO quer ouvir uns discos na sua casa, o garoto NÃO quer usar camisinha e o guarda de trânsito NÃO foi com sua cara e vai multá-lo, sim, senhor. NÃO está fácil pra ninguém.
Ao contrário do que possa parecer, esta não é uma visão pessimista da vida. As coisas são assim, dão certo e dão errado. Pessimismo é acreditar que ouvir um não seja uma barreira para realizar nossos planos. Tem gente que fica paralisado diante de um não. Nunca mais vai à luta. Já o otimista resmunga um pouco e em seguida respira fundo e segue em frente.
Quando eu tinha 17 anos, mandei uns versos para um concurso de poesia. Não ganhei nem menção honrosa. Daí entreguei meus versos para o Mario Quintana avaliar. Ele não respondeu. Neste meio tempo eu estava apaixonada por um cara que ignorava minha existência. Quando eu não estava pensando nele, fazia planos de morar sozinha, mas meu estágio não era remunerado. Aí quis viajar para a Europa, mas não consegui entrar num programa de intercâmbio. Surpreendentemente, não me passou pela cabeça a idéia de me atirar embaixo de um caminhão.
Hoje tenho nove livros publicados (cinco deles de poesia), sou casada com o homem que amo, tenho a profissão dos sonhos e viajo uma vez por ano, e tudo isso sem ganhar na megasena, sem cirurgia plástica, sem pistolão ou pacto com o demônio. O segredo: cada não que eu recebi na vida entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Não os colecionei. Não foram sobrevalorizados. Esperei, sem pressa, a hora do sim.
O não é tão freqüente que chega a ser banal. O não é inútil, serve só para fragilizar nossa auto-estima. Já o sim é transformador. O sim muda a sua vida. SIM, aceito casar com você. SIM, você foi selecionado. SIM, vamos patrocinar sua peça. SIM, a Ana Paula Arosio deu o número do celular dela.
Quando não há o que detenha você, as coisas começam a acontecer, sim.